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O Ministro de Deus

A Igreja Católica e seu departamento carismático está transformando os Ministros de Deus em obreiros evangélicos.
Eles estão aos montes espalhados pelo templo, vigiando quem entra quem sai, espiando quem senta na cadeira, quem levanta, bizoiando você na hora da comunhão, pra ver se não esconde um teco da hóstea no bolso para comer mais tarde. Isso mesmo. Os olheiros de Deus estão tomando conta das missas.
Nomeados para essa função pelo departamento de delegação de afazeres do pároco (que está de saco cheio de atender tanta gente falando sempre as mesmas coisas), sentem-se ungidos pelo Senhor.
Oram em línguas evocando entidades e frequentemente se enchem do Espírito Santo, impondo as mãos como se fossem o próprio Salvador. Eles realmente se sentem especiais. Outro dia uma obreira dessas me abraçou e fez o sinal da cruz na minha testa. Achei aquilo estranho, pois ela não é o Padre. Eu nem conheço ela. Mas ela está tão embasbacada pelas glórias do Senhor que se sentiu poderosa o bastante para me benzer! Sem eu pedir!!!
Os Ministros deveriam ser Ministros do Pároco. Ministros do Padre. Ministros de Deus? Me poupe. Eu também quero participar dessa eleição. Mas só vou aceitar um cargo legítimo, por voto direto. Desses nomeados eu sempre tive medo. Amém?

Jesus deve estar puto

Jesus, que veio ao mundo com tanta boa intenção, deve estar lá em cima puto da vida. Ele não precisa olhar pro mundo todo - basta focar a cidade de São Paulo e já tem motivos de sobra pra cair pra trás.
Nesse final de semana teremos a Parada Gay. Lugar paz e amor que quando visto de perto tem sangue, vômito, bebedeira e putaria. As ocorrências policiais em centenas, dão o tom do evento mais colorido de todos. Eles dizem que os heteros são os culpados das arruaças, mas quem já andou por lá sabe que não é bem assim. Segunda-feira a cidade novamente contabilizará os estragos feitos pelas drogas de todos os gêneros, consumidas aos montes pela galera mais fashion da cidade. Não será fruto de todos. Mas os que já vivenciaram isso, se tivessem algum respeito pela nossa cidade não comporiam novamente essa grande parada do orgulho egoísta. Em tempos de progresso e aceitação, a grande massa diferente luta de todas as formas para dizer que quem não experimentou dar ou comer o sexo semelhante é que está fora de moda. Os instintos primitivos hoje são sinônimo de agressividade e não de sobrevivência.
Segundo um seguimento da turma do glitter, ser hetero é ter preconceito. Não basta eu conviver com eles da forma mais pacífica do mundo. Não basta eu ser amiga deles. Não basta contratá-los como médicos, advogados. Não basta dar audiência para eles na Tv. Nem comprar ingressos para vê-los no teatro. Para aceitá-los de verdade terei eu que me apaixonar por uma mulher, aí sim serei um ser humano livre de preconceitos.
A esse seguimento deixo meu recado mais sincero: "Eu sou mulher e minha anatomia não nega isso. Não uso silicone, nem marombei a bunda. Sou bonita e gostosa e meu organismo espera fervorosamente por uma fecundação saudável e cheia de desejo. Digo, do alto de minha feminilidade, aos que me incentivam a dar uma saída com outra mulher, só para provar como é tesudo ser moderno, que assim como minha mão se afasta do calor, quando está prestes a ser queimada, meu organismo instintivamente deseja o sexo oposto. Foi Deus que me fez assim. E estou muito satisfeita, diferente de muitos modernos que incessantemente buscam no complicado aquilo que Deus nos deu de graça. Caso não consigam prazer através do caminho mais simples, não tentem convencer aqueles que estão felizes, a buscar a felicidade de uma forma "diferente". Há muitas maneiras de se relacionar com o mesmo sexo, com a mesma pessoa, no mesmo lugar, e até na mesma posição. Quem não consegue é porque não tem criatividade suficiente. Quando falam em limitações, estarão se referindo a quem?

Pensamentos soltos


Ah, como é difícil me adequar à qualquer tipo de grupo... Fico um tempo, depois vou vendo o jeito daquelas pessoas, suas vaidades, vícios, pentelhações... Vivem inventando compromissos, toda hora a gente vai tendo que arrumar uma desculpa e em dois tempos eu começo a maquinar um jeito de me pirulitar dali o mais depressa possível. Essa expressão pirulitar é por causa do pauzinho do pirulito que acoplava hélices de plástico que quando a gente friccionava nas palmas da mãos saía voando para destino incerto. Eu me sinto sempre como um pirocóptero. Com a diferença das mãos que me conduzem serem as minhas próprias. Quando se trata de me livrar de pentelhos, tenho mãos, pernas e asas. Fico doida só de pensar em ter que andar com aquelas pessoas. Um mais marionete do que o outro.
Quer um exemplo? Católico carismático levantando os braços fazendo aleluia. Gente, o que é aquilo? Por que será que TODOS levantam os braços? Não tem ninguém que não goste de levantar? Ou que não esteja com vontade? Pior é que eu olho pras caras deles e vejo que eles estão curtindo aquele barato de montão! Eles é que devem ser felizes. Aquela dança do Padre Marcelo me incomodava. Principalmente quando chegava na parte do "balança a cabeça". Tudo bem glorificar com os braços. Até que aceito, vai. Agora, "balançar a cabeça" e "dar uma voltinha". Isso não mesmo. Eu, hein...

Futebol - Todos os Santos

Ela só quer ajudar...

Tem uma senhora que canta na igreja aqui do bairro.
Ela é super carola, não perde uma missa da tarde e está ali há anos para ajudar o padre.
Ela é a dona do microfone. Mas sua voz... 
Ela canta as músicas todas, toda tarde, em toda missa.
E o pior de tudo é que ela está presente em todas as missas de sétimo dia, justo aquelas onde as pessoas acabam tendo o primeiro contato com a igreja.
Aquela senhora canta muuito mal. Dizem que a gente não deve implicar com a afinação dos outros quando se trata de música santa. Mas ela enche a minha paciência.
Quando a vejo, trato logo de ir embora. Pois das duas uma: ou eu fico nervosa, ou dou risada.
Mas é risada de nervoso também. Porque acho absurdo que ninguém tenha a coragem de dar um toque pra ela.
Se quer cantar, precisa aprender. Se canta mal, pode - no máximo - fazer parte de um coral, e olhe lá.
Mas animar TODAS as missas da tarde, TODOS os dias do ano, há ANOS...
Aí tem que ter se tocar, né?
Ela é um caso perdido em questão de afinação. Se até hoje não aprendeu, não aprende mais.
Porque treinar ela treina. Todo SANTO dia.

Feliz Páscoa

Sábado de Aleluia

Obrigada, Nsa Sra

Tédio

Hoje a missa tava chata.
O microfone dava eco, e eu quase não entendia o que o padre falava.
Não é a toa que estava meio vazia...
O evangelho foi cantado, quase que em latim, naquela entonação que faz qualquer um não prestar a mínima atenção ao que está sendo dito.
A primeira leitura contradisse o que o Evangelho pregava.
A segunda leitura nem lembro qual foi.
Na hora do sermão o padre falou aquilo que já o ouvi falar mais de mil vezes.
Não aguentei ficar até o final.
Estou sem paciência. Mas também, haja paciência.

É racional?

- O meu pastor disse que não devo fazer isso.
- Seu pastor? Como assim?
- É, o pastor... ele ensina que assim não chegaremos ao Reino do Senhor...
- Mas pastor não é de ovelhas?
- Somos como ovelhas aos olhos de Deus!
- Ah, eu não gosto de me sentir uma ovelha. As ovelhas têm que ir todas juntas para onde alguém manda, e geralmente só são cuidadas para serem tosqueadas. Você se sente bem na condição de ovelhinha?
- O pastor nos indica o melhor caminho, é por isso que estamos com ele.
- E por que o pastor é pastor e não é ovelha, como todos?
- Deus proteja sua alma, é uma ovelha desgarrada...
- Prefiro ser ovelha negra a ser "mais uma ovelha".
- Eu sigo o pastor, pois o Senhor é meu pastor e nada me faltará.
- Não, o Pastor é seu Senhor e nada Lhe faltará.

Procissão


Hoje foi dia de procissão. Todo ano tem, o que varia é o caminho. Traçar a rota aqui pelo bairro é um desafio, devido ao grande número de veículos e de ladeiras. Como a maior parte dos fiéis é formada por idosos, o Pároco sempre leva em conta o bem-estar de todos para a definição da trilha de Jesus.

Mas hoje foi diferente. O Padre definiu um caminho incomum, bem mais longo do que o normal. Como a missa já havia sido bem demorada, e as seção de longos beijos à Jesus crucificado fora interminável, já estava cansada e decidi acompanhar apenas a saída da procissão da igreja. Assim que Jesus passasse eu iria embora, descansar em casa.

Fiquei lá fora, quando um grupo de escoteiros veio com uma corda e isolou a faixa da esquerda da avenida, para que os veículos continuassem passando apesar da procissão. A polícia colaborou e os fiéis lotaram as ruas, seguindo o carro de som. Jesus e Nossa Sra. vieram atrás, carregados pelos homens e pelas mulheres, respectivamente.

Mas a estátua de Jesus é imensa. Ele está deitado, e o peso daquela imagem é digno de nota. Os homens da comunidade colocaram Jesus sobre os ombros, e estavam visivelmente abatidos já na porta da igreja, antes mesmo que o cortejo começasse.

O caminho seria longo, com 14 estações reproduzindo o martírio de Cristo. Logo que olhei aquela cena, dos homens cansados, tremendo com Jesus nos ombros, pensei que hoje seria o último dia que veria aquela estátua inteira. Seguramente deixariam Jesus cair, pois o peso tenderia a aumentar ao longo do caminho, apesar do rodízio combinado entre eles.

Decidi acompanhá-los movida pela imensa curiosidade de saber como eles poderiam suportar aquele peso todo. E ao lado deles segui descendo a avenida. Vários quarteirões. As pessoas, que há poucos minutos beijaram o filho de Deus na igreja, na rua pareciam outras. Incrível como um ambiente pode fazer um povo, mas hoje vi que isso é pura verdade. Dentro do templo assumem uma postura. Na rua, outra. E lá iam os rapazes e Jesus, equilibrado.

O Padre ia parando em frente às casas, ao hospital, rezando pelos doentes. Ele conhece a residência de muita gente, porque frequentemente é chamado para orar por eles, para dar a unção dos enfermos ou mesmo para abençoar as casas. Reza missas em domicílio, o que faz com que ele conheça um grande número de pessoas pelo nome e pelo endereço.

Nossos rapazes, impávidos, seguiam com Jesus. E na subida, não se fizeram de rogados. Continuaram firmes, imprimindo passo cadenciado e rápido, suportando o peso bravamente. Quando o Padre parou em frente a uma boutique chamada "Divino Pano", olhando para aquelas roupas transadas falou em alto e bom tom:

- Nós deveríamos nos preocupar em nos cobrir com o Divino Pano da Dignidade, ao invés de pensarmos apenas nas vestes!

Naquela loja havia um cachorro poodle que ficou olhando para a multidão sem latir. E algumas pessoas riram diante das palavras do padre, que em tom de crítica à futilidade humana não poupou esforços para demonstrar sua chateação com algumas pessoas da comunidade.

Teve gente que buzinou, porque a procissão começou a atrapalhar o trânsito. Outros montaram altares nas portas das casas, e receberam mil bênçãos. Quem buzinou para a procissão seguramente não reclama de usufruir do feriado, pois nosso calendário ainda é católico - apesar de hoje o Brasil ser um país predominantemente evangélico.

Hoje, para variar, vim para falar sobre uma coisa diferente que notei na comunidade: Hoje não me irritei com meus amigos fanáticos. Talvez porque tenha ficado com pena deles, pois chegaram muito cansados e suados, mas mesmo assim mostravam um sorriso no rosto de grande satisfação.

Essas pessoas não foram viajar para compor a festa católica da Páscoa, e estão a semana toda trabalhando em eventos diários para a conclamação de Jesus.

Eles são amigos, conhecem os vizinhos, sabem de muitas histórias. O fato de se reunirem sempre, proporciona a eles uma grande gama de informações sobre a comunidade e nossa gente. Dá pra ver que sentem muito amor pelo bairro, pela cidade, e trabalham para que nos tornemos uma grande família, banhada por união e muita paz.

Embora tenhamos diferenças grandes, hoje deixo registrada a minha admiração pela dedicação e abnegação com que trabalham durante o ano todo, a troco de nada. O único pagamento que recebem é a alegria dos vizinhos, que sempre têm um lugar alegre e organizado na hora em que sentem vontade de rezar.

Feliz Páscoa a todos, especialmente aos que se dedicam a construir essa festa. Não só a dos chocolates, mas a da palavra de Deus, que se resume sempre no amor que devemos sentir pelas pessoas. E na necessidade de compreendermos e aceitarmos a todos, apesar dos pesares, mais e mais a cada dia.

Pelo menos eu já conheço os defeitos deles, e eles conhecem os meus. Mas isso não nos impede de continuarmos juntos e, cada um ao seu modo, vai ajudando a fazer de nosso bairro uma grande família, que graças a Deus tem conseguido conviver em paz.

A polêmica do Bispo de Pernambuco

Depois da volta do Ronaldo, o principal assunto dessa semana é a história da menina de nove anos que foi estuprada pelo padrasto e ficou grávida de gêmeos, lá em Pernambuco.

O arcebispo decidiu excomungar os médicos que praticaram o aborto preventivo, mas não excomungou o padrasto estuprador.

A idéia que fica no ar é que, para a Igreja, a prática do estupro pode não ser assim tão grave. Vai ver que é um pecado "venal" e não "mortal". E isso explica o porquê de manterem tantos padres pedófilos sob o manto da proteção do Vaticano.

Quando eu fiz catecismo (hoje chamado de "evangelização infantil"), aprendi que devemos amar ao próximo como a nós mesmos. Não roubar, não matar, não cobiçar a mulher do próximo (deve ser por isso que tanta gente não gosta de mulher :/).

Talvez ao invés de falarmos sobre a defesa à vida, devêssemos começar a discutir sobre a importância da Instituição Igreja na sociedade. Como o bispo se deu o direito de professar sobre um assunto onde a melhor coisa teria sido ficar calado, acredito que nós, cidadãos que mantemos a Cúria e toda a estrutura de valores questionáveis da igreja, também devemos fiscalizar seus atos.

Já que é a sociedade quem paga a conta dos coquetéis anti-AIDS, já que é a sociedade quem paga a conta pelas milhares de crianças abandonadas, já que é a sociedade quem paga a conta pelos milhares de delinqüentes mantidos em cárcere, vamos começar a pensar nas contas da Igreja, e no prejuízo psicológico e financeiro que essas pessoas vêm trazendo à nós, cidadãos honestos e cumpridores das leis de Deus.

Para quem não tem boa memória, basta relembrar dois mandamentos, onde estão inseridos todos: "amar a Deus sobre todas as coisas" e "ao próximo como a nós mesmos".

Será que Deus gostaria de ver uma criança de nove anos grávida e doente, sofredora de abusos sexuais? Será que nós gostaríamos de nos ver assim? É tempo da Igreja repensar os valores, pois hoje os preservativos são quase tão importantes quanto a estrutura de saneamento básico para a prevenção de doenças físicas e sociais.

Minha proposta é a seguinte:

Já que é o povo que mantém os salários dos bispos e sua vida confortável e já que eles não pensam em acompanhar as mudanças do mundo e na necessidade de reverem os seus conceitos, é hora de mostrar a eles que a sociedade diz NÃO à hipocrisia e às escrituras escritas sabe lá DEUS por quem. (A Inquisição que não nos deixa mentir).

Minha proposta é boicotar a infra-estrutura confortável dos donos da verdade. Não como um ato contínuo, mas como um protesto, mostrando que nós precisamos de líderes espirituais que realmente tenham compromisso em melhorar o mundo dos vivos, e não apenas prometer um paraíso aos mortos.

O Brasil de hoje é um país EVANGÉLICO, pois muitos desistiram de tentar encontrar nexo na igreja CATÓLICA. Muitas dessas pessoas acabaram caindo em armadilhas ainda piores, então é preciso estarmos atentos, pois Deus fala com a gente em silêncio, não aos berros, em microfones de templos com telhados de vidro.

Para quem não sabe como funcionam as contas da igreja, aqui está uma cópia do balanço mensal da paróquia da minha região (distribuído gratuitamente a quem possa interessar, durante o ano todo).

FINANÇAS DA PARÓQUIA
Nsa Sra Rosário Pompéia

DEZEMBRO/2008

Histórico Entrada

Dízimos 30.601,00
Batizados 610,00
Casamentos 4.640,00
Donativos e Coletas de Missa 36.718,54
Venda de mat. de culto 6.507,09

Histórico Saídas

Coleta Centro Social 4.716,00
Coleta Missões 4.175,02
Contribuição Mitra
Arquidiocesana 4.250,00
Contribuição Província
Camiliana 3.500,00
Despesas Admnistrat. 4.195,93
Despesas Bancárias 698,29
Despesas Gerais 6.762,04
Doação Santa Catarina 9.045,00
Devolução de Espórtulas 2.467,00
Folha Pagamento Funcio. 17.137,59
Honorários Pe. Arlindo
e Pe. João 2.600,00
Manutenção e instala. 1.534,22
Material de Construção 3.292,72
Reforma Pintura 3.000,00
Reforma Telhado 6.000,00
Reforma Vitrais 18.791,90

TOTAIS

Entrada 79.076,63
Saída 92.165,71
Saldo - 13.089,08

O Dízimo representa 38,70% da receita, e chega a mais de 50% em meses normais.
Portanto, só UMA igreja de UM bairro de São Paulo, que é UMA cidade do Brasil, doou à ARQUIDIOCESE e a um grupo geral de religiosos quase 8.000,00.

Multiplicando-se esse valor pelo Brasil todo, gostaríamos de saber para onde vai tanto dinheiro. Acho que daria para não existir mais nenhuma pessoa em condições de rua, ou ao menos se fazer um trabalho de prevenção à condição de miséria, já que a VIDA é tão preservada por esse grupo de religiosos.

Vamos pedir para que a ARQUIDIOCESE seja honesta como a Paróquia da Pompéia e ABRA SUAS CONTAS. E aí sim, no dia em que se tornar REALMENTE CONFIÁVEL, possa vir a aconselhar a sociedade sobre condutas morais.

Protesto original no Jornal do Bairro (Jornal da Gente, Lapa)


Registro: 1410
De: OLHO NELES
Para: ..JESUS CRISTO...
Data: 12/2/2009 07:14:40
Sua bronca:

..SENHOR..NAS ORAÇÕES QUE A SUB PREFEITA FAZ DIARIAMENTE,PEDINDO SUA AJUDA, POR FAVOR DIGA PRA ELA QUE TEM UM PORTÃO QUE SE ABRE E PERMANECE ABERTO TODO O DIA OCUPANDO METADE DA CALÇADA DEFRONTE AO NUMERO 272 DA RUA CLELIA,ELE NÃO CONSEGUE ABRIR PRA DENTRO DA PROPRIEDADE E COMO É UM ESTACIONAMENTO FICA NA METADE DELA INTERDITANDO A PASSAGEM...AMEM...

Olhares Encantados



Ter fé é acreditar no invisível. Muitos não conseguem ter fé nem em Deus. Preferem crer no jogo de futebol, na loteria... apesar que nessas coisas também não está dando mais pra "botar uma fé".

Mas existe um assunto que é praticamente uma unanimidade. Embora muitos se declarem incrédulos, vira e mexe estão reverenciando à essa força invisível. Refiro-me ao olho gordo.

Esse assunto, entra ano sai ano, está sempre atual. Presente nas conversas de todas as classes sociais, em várias idades, parece estar por aí como uma ameaça iminente, causadora de medos e desconfianças.

Outro dia mesmo, um amigo trocou de carro. Optou por um modelo executivo, a coqueluche entre os mais abonados. Não que ele seja rico. Não mediu esforços para comprá-lo, já que andar com um carrão desses por aí não tem preço. Carro preto, vidros pretos.

Antes era um frisson desfilar por aí de carrão. Todos torciam pelo sinal vermelho para poder parar e dar aquela olhadinha de lado. Enfim, ver e ser visto. Agora, com a violência, o ar condicionado e a liberação da película protetora, é mais chique (quer dizer fashion) andar dentro de um carro bem grande (quanto maior melhor) e parar sem poder ser visto. Fica aquele breu, aquela expectativa de ser um figurão, um artista, um político (bem, político não - ninguém sonha em ser confundido com um deles).

E lá se foi meu amigo para o trabalho de carro novo. Mas no caminho, já pensando em olho gordo, decidiu esperar um pouco até que a galera do trabalho soubesse da notícia. Como estacionava o carro longe dos olhos dos colegas, poderia esconder a novidade. Esperou então uma semana para comentar sobre a aquisição. Pretendia esperar mais - mas não agüentou.

Durante o expediente, num comentário "casual", disparou a boa nova. Ao fim do dia, em festa, a turma correu para conhecer o carango. Entraram, sentaram, elogiaram. Alegres, despediram-se.

Lá vinha meu amigo, todo orgulhoso, de volta pra casa. A certa altura do trajeto, imprevisto: furou o pneu. Na mesma hora teve certeza: obra do olho gordo! Pensando bem, não só gordo como obeso. Ele sabia! Bando de invejosos!

Mas não é preciso ter dinheiro pra se sentir alvo de vampiros. Quem tem um amor, fica de olho na concorrência. Quem está sem ninguém, é porque está "encantado" - deve ser torcida contra, só pode! Quando termina então, deve ter sido macumba!

Minha prima teve um filhinho todo fofinho de olhos azuis. Ela, também de olhos verdes, orgulhosíssima por tudo, parece carregar consigo uma simpatia pela doutrina de Hitler. Está sempre falando em AA, aa, Aa, à mínima brecha de oportunidade. Eu, AA ou Aa, sei lá, devo ser da turma dos olhos mais gordos de todos. É, os castanhos! Mas o que seria do castanho se todo mundo gostasse do azul?

Bem, esse belo bebê está sempre com quebrante. E minha mãe, que aprendeu a benzer lá na Itália na noite de Natal, vive sendo solicitada para realizar a limpeza espiritual do pimpolho. Já falei pra mamãe: fala que benzeu e não benze! Ela respondeu que se fizer isso vai perder seus poderes de cura. Isso não, Deus me livre! E toda hora tem que benzê-lo.

Vou confessar: vivia com dor de cabeça. Até descobrir que poderia andar com umas ervas (pode ser só uma folhinha ou um galhinho), mas tem que ser de arruda, alecrim ou guiné. Eu pego sempre guiné. Ao sair de casa, passo num canteiro plantado em volta da árvore bem em frente ao portão e arranco uma folhinha. Ponho no bolso da calça ou por dentro da blusa, faço o sinal da cruz e vou embora. Pensando nisso, agora gelei! Hoje fizeram a calçada nova aqui na porta de casa e meu pé de guiné foi pra caçamba de entulho! Nossa, que estranho... não estou me sentindo bem...

Pensando bem, acho que a gente mesmo, só de pensar nesse assunto, já fica carregado. Não dizem que os pensamentos constróem a vida da gente? Não serão nossos próprios olhos os responsáveis? Bem, como nesse mundo moderno tenho visto de tudo (como uma padaria feita especialmente para cães e gatos e o mutirão de DNA com duas mil pessoas na fila), não duvido assistir ao lançamento do SPA para olhos acima do peso. Os clientes potenciais são muitos. Mas quem vai admitir que precisa de um regiminho?

Igreja não é clube, Deus merece mais respeito


Como eu gosto do orkut!!! Nele consegui ver coisas que jamais teria oportunidade... Vou explicar: por gostar da cidade e dos assuntos da comunidade, procurei freqüentar a igreja para saber em que poderia ser útil, e também para conhecer mais sobre a Bíblia e suas histórias. Lá conheci os grupos.
Aqui onde moro há movimentos variados... o dos jovens, o dos que estudam “a palavra”, dos descasados, dos noivos, dos carismáticos... enfim... há reuniões para todo tipo de gosto e interesse, é só procurar e participar. E nesse vaivém (oito anos, pra ser mais exata), em dezenas de missas, reuniões, eventos e ladainhas, conheci melhor a Bíblia e um pouco da filosofia de vida dos que tomam para si a responsabilidade de falar “em nome de Jesus”.
Não estou falando dos padres – esses, dos que conheci, só tenho a tecer elogios, o que guardarei para outra hora. Hoje quero mesmo falar dos colegas da linha de frente dos grupos... aqueles que gostam muito de “ajudar”, tomando para si a responsabilidade de “evangelizar”. No começo achei esquisito: pareciam perdidos ou viciados em algo que não sei dizer o que... só sabia que por ali havia alguma coisa estranha, e as interpretações - muito confusas, não pareciam lá muito “católicas”.
Descobri porque se acham tão fiéis... primeiramente se apegam ao compromisso de bater cartão para Jesus, como se ele não andasse com a gente o tempo todo e marcasse um encontro “lá pelas tantas” (sem falta). O próximo passo dos fiéis de carteirinha é lançar mão do microfone e dar o tal “testemunho”. Não sei se são tomados por certa “força maior”... só sei que se empolgam e começam a falar sobre respeito ao próximo, caridade, castidade, alcoolismo, drogas, vida mundana... Repudiam o carnaval (convidam para vigílias nessas noites), dizem que a TV é coisa do demônio, e, bom mesmo, é louvar.
Palavrões... nem pensar... Músicas? Melhor prestar muita atenção à letra, para não sair por aí cantarolando indignidades... Assim que nos despedíamos, logo observava alguns, de posse de seus carrões, convertendo a avenida na contramão. No dia seguinte, encontrava outro “irmão” (que fingia nunca ter me visto) no supermercado...
Notava que seus cumprimentos eram reservados aos abonados, aos enturmados ou aos mais queridos. E então veio a bênção do orkut!!! E aqui pude ver a outra face de nossos líderes: embora preguem a castidade, alguns dos solteiros participam de comunidades como “adoro dormir de conchinha”, “adoro acordar com beijinhos”, “não me provoca que eu gosto”, mas lá, nos grupos, tratam de encher a cabeça dos jovens de culpa e de criar um glamour em torno de si. Só falta a auréola.
Os que criticam os palavrões estão na comunidade “fudeu”, “deu merda”... (é, deu mesmo!!!) Outros, que pregam o tempo todo a paz, compõem a “homem mentiroso merece bala”. E nos álbuns, nem preciso dizer.... fotos insinuantes de biquíni (com direito a caras e bocas), ahhh e os abstênios... com o copo de cerveja na mão, claro!!!
Bem... não é de se estranhar que o microfone esteja aberto a todos – num lugar onde descasado não pode comungar, mas mulher grávida pode se casar. Onde se proteger de doenças é errado. Onde um salão pode ficar a noite toda vazio enquanto um mendigo dorme na rua, do outro lado da parede. Eles vivem dizendo que Jesus vai voltar. Mas se ele estiver olhando tanta hipocrisia, acho que não volta. Eu se fosse dele, não voltava não. Escolhia ir para outro lugar.

igreja não é clube - testemunho a gente dá quando é de verdade - senão, melhor ficar calado

Leandro, nós mendigos da Pompéia

Há alguns anos, apareceu andando pela rua, um lindo moço. Chamava a atenção pela sua beleza e também pela sua disposição para caminhar o dia todo sempre pelas mesmas ruas.

Ninguém conhecia o rapaz, mas era o começo de uma longa história. Suas roupas foram ficando sujas, seus cabelos foram crescendo, sua pele encardindo.

Ninguém sabia de onde ele vinha, nem para onde iria. Aos poucos, solidarizados, a mesma "meia-dúzia" de moradores começou a alimentá-lo. Ele, educado, devolvia prato e talher. Levava com ele apenas o alimento e o cuidado de não pedir novamente comida no mesmo lugar no dia seguinte. Variava para não abusar.

Tentei conversar com ele muitas vezes, conhecendo sobre sua vida menos que o mínimo. Tentei persuadí-lo a voltar para casa. Em vão. O motivo de sua partida, um mistério.

Meses e meses se passaram, Leandro já não falava mais, seu cheiro, insuportável. Num dia de calor escaldante chamei a Prefeitura para removê-lo. Ele dormia no chão e após algumas horas, recusou nosso auxílio. Preferiu continuar por aqui, pois já tinha seu abrigo certo. Já conhecia os degraus, o asfalto e os vizinhos. Nunca foi judiado. Aos cumprimentos, já não respondia mais.

O pároco e alguns solidários, decidiram salvar Leandro de tamanha agonia. Talvez por ser jovem. Talvez por ser loiro. Talvez por já fazer parte da rotina de absolutamente todos os moradores do bairro. Não há, na Pompéia, sequer uma pessoa que nunca tenha encontrado com ele. A maioria sabe até seu nome.

E assim se fez: Leandro passou a tomar banho e a dormir na igreja. Um dia, enquanto tomava café no Pão de Açúcar, Leandro me pediu dinheiro. Foi um momento de muita alegria. Como nunca antes fizera isso, demonstrava ter galgado um degrau na escala social. Da miséria absoluta, conseguia agora ser pedinte. Sua voz voltara, e ali, ao meu lado, dessa vez sem o cheiro insuportável, tomou sossegadamente seu café.

Leandro continua andando pelo bairro. Dá voltas e mais voltas em torno dos bancos da igreja. Voltas e mais voltas pelas ruas. Hoje, limpo e calçado, aparentemente deixou de ser mendigo. No fundo, em sua alma ainda carrega as mesmas mazelas de sempre, como a incerteza e a dor. Talvez já não sinta mais nada, apenas a alegria de ter um lugar para voltar. Talvez, não.

Toda vez que o vejo, olho para mim. Tão diferentes, tão iguais. Dando voltas em torno de nada. Caminhando sem saber para onde ir, amarrada à centenas de dúvidas. Leandro é meu espelho. Às vezes, me sinto ele. Dando voltas em torno de mim. Leandro não cheira mais. Mas ainda incomoda.