Já que nesse país nem pro Bispo dá pra reclamar, vou reclamar aqui.
A máfia dos concursos públicos é caso de polícia. Isso se a polícia não fosse pública.
Mas como a polícia e a justiça (com letra minúscula mesmo, porque não valem mais do que isso) são órgãos públicos, administrados por pessoas interesseiras do próprio umbigo e por governantes que devem os tubos de favores, ficamos ser ter com quem reclamar.
As inscrições para os concursos são caríssimas. Os candidatos, obrigados a deixar até impressão digital nas provas, são tratados como bandidos.
Somos submetidos à provas dificílimas e principalmente aqui em São Paulo, pressionados por uma concorrência desumana. Gastamos horas de estudo, de vida e muito, mas muito dinheiro em cursos e material para NADA.
Ficamos nas primeiras colocações de concursos onde nem mesmo o primeiro colocado tem garantia de ser chamado, após investir tempo, estudo e principalmente muito dinheiro (que é usado para enriquecer organizadoras, bancos e sabe lá Deus mais quem).
Sob nossos olhos passam amigos nomeados, contratados, gente muitas vezes ignorante, de má vontade, que não sabe falar direito, que não tem amor pela causa pública, e que vê ali uma oportunidade de ganhar dinheiro trabalhando pouco (e justamente por não terem amor à causa pública trabalham pouco, porque vêem no Governo a grande oportunidade de se beneficiar).
O patrão dessa gente é o POVO. E o POVO não é ninguém. Porque não tem sobrenome, RG, não abre processo e não faz cobranças. O povo sou eu, é você, é o nomeado aproveitador, o político corrupto, o favelado, o ricaço, o artista. O povo é tão heterogêneo que os espertinhos se justificam na idéia de poderem roubar ou prejudicar, alegando que ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
Quando paro para olhar esse país e sua metodologia malandra de abrir faculdades sem mercado de trabalho para o profissional, abrir concursos com a certeza de que os candidatos serão explorados em seu dinheiro e em suas boas vontades, quando olho a grande massa de nomeados incompetentes e aproveitadores, tenho vontade de largar tudo.
É muito triste ver um povo que aceita ser ridicularizado, ser feito de palhaço, ser explorado. É muito triste saber que não adianta levantar essa bandeira porque ninguém está nem aí - todos já sabem disso, aceitam e reelegem os mesmos corruptos de sempre e que quase todo mundo já desenvolveu a mentalidade de morar no país do "salve-se quem puder".
Não sei se vale a pena ser correta num país como o nosso. O ideal seria puxar saco de alguém influente e furar a fila, dar uma de esperto e engrossar a massa dos safados que servem para desonrar nossa bandeira. Nunca fui assim. Sempre achei isso feio. Mas após dezenas de puxadas de tapete, de jeitinhos sendo dados sob meu nariz, de esforços inúteis para conquistar objetivos com honradez e capacidade, hoje estou me sentindo PALHAÇA.