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Poesia boa pra Cachorro


Au au au
Mas que vizinho cara-de-pau!

Enquanto o cachorro está latindo
O vizinho queria estar dormindo

Cachorro latindo nervoso
Deixa o vizinho furioso

Como descansar
Se o cachorro não para de berrar?

Quando o barulho vem do cachorro
Só ao dono podemos pedir socorro

De latido em latido
O vizinho fica mordido

Se o cachorro fosse bonzinho
Seria amigo do vizinho

Cachorro quietinho
É cada dia mais queridinho

O muro não separa
O barulho que o cão dispara

O dono saiu
O cachorro latiu

Seja maravilhoso
Mantenha o cão silencioso

Se o cão late à toa
O ladrão entra numa boa

O fim de semana é pra curtir
Mas o cachorro não me deixa dormir!

A roda melecada
Sujou minha calçada

O urinaço
Enferruja a porta de aço

O saco de cocô
Faz o maior fedor

O saco plástico,
Pra entupir bueiro
É fantástico

Cachorro que late demais
Não deixa o vizinho em paz

Meu cachorro é de raça
É limpinho por onde passa

Meu cachorro é educado
Deixa o vizinho sossegado

Seu cachorro é ladrão
Rouba o meu sossego de montão

O barulho da cachorrada
Deixa a vizinhança enfezada

Quando o cachorro dispara a latir
Me dá vontade de sumir!

Não que eu seja agressivo
É o latido que mexe comigo

Vamos colaborar
O vizinho precisa descansar

Quando o cachorro latir
O dono precisa agir

Tenha um cachorro educado
Mantenha o latido controlado

Seu cachorro só late lá no fundo
Mas na outra rua sentem incômodo profundo

Seu cachorro só late no portão
Mas o vizinho da frente escuta de montão

Meu desejo intenso
É manter a rua em silêncio

E livrai-nos de todo au-au, amém!


Futebol - Todos os Santos

O Homem do PAC

Site legal de humor

Tem umas coisas engraçadas nesse endereço: http://humornainformatica.blogspot.com/
:)

Ronaldo

Esse vídeo do Lula e do Ronaldo é um barato. Vale a pena assistir. É só clicar aqui, esperar carregar e apertar o play.

Protesto original no Jornal do Bairro (Jornal da Gente, Lapa)


Registro: 1410
De: OLHO NELES
Para: ..JESUS CRISTO...
Data: 12/2/2009 07:14:40
Sua bronca:

..SENHOR..NAS ORAÇÕES QUE A SUB PREFEITA FAZ DIARIAMENTE,PEDINDO SUA AJUDA, POR FAVOR DIGA PRA ELA QUE TEM UM PORTÃO QUE SE ABRE E PERMANECE ABERTO TODO O DIA OCUPANDO METADE DA CALÇADA DEFRONTE AO NUMERO 272 DA RUA CLELIA,ELE NÃO CONSEGUE ABRIR PRA DENTRO DA PROPRIEDADE E COMO É UM ESTACIONAMENTO FICA NA METADE DELA INTERDITANDO A PASSAGEM...AMEM...

Mapa do Brasil, pelos Paulistas


Aos meus amigos de outros estados peço desculpas, mas é só uma brincadeira pra descontrair.

Eu mato!


Dizem que é só a gente reclamar de alguma coisa que acaba atraindo ainda mais.
Foi falar mal do vizinho pra ele piorar.
Dessa vez o molequinho aqui do lado arrumou um amiguinho e o que eu achava impossível aconteceu: o menino é absurdamente mais levado do que ele.

Num dia desses, enquanto eu tentava raciocinar em cima de um trabalho que não consigo terminar, eles começaram a aprontar. O balde virou tambor, inventaram de cantar a música "beber cair e levantar" toda bagunçada (porque ainda são muito pequenininhos e não conseguem decorar a ordem das coisas) e a ver quem tacava pedras mais longe (todas caíam aqui no quintal).

Enquanto ouvia aquela zôrra toda, comecei a elocubrar um jeito de dar um fim nos meninos. Não conseguia pensar em outra coisa que não fosse acabar com a raça deles. Foi quando, enfurecida, abri a janela disposta a dar um esfrega nos dois.

Dei de cara com eles. O menorzinho, que é filho da vizinha e já me conhece de longa data, na hora em que me viu, abriu o maior sorriso e falou, feliz da vida:

- Oooiiii Finanda!!!

E mais do que depressa tratou de me apresentar pro outro menino:

- Rafa, essa é a Finanda. Ela é minha amiga!!!

S U N D A Y_M O R N I N G _D I A R Y

Esse texto foi escrito pelo meu primo, Toninho.

Ele é uma daquelas pessoas que conseguem contar piada e deixar as pessoas com dor de barriga de tanto rir. Ele conta a piada, mas parece que ele está falando sério... e o pior é que no final ele não ri. Já sabia que ele escrevia bem, mas acho que agora a família decidiu mostrar novas faces, o que eu acho ótimo! Dizem que as pessoas convivem uma vida toda e não se conhecem. E eu acho que isso é mesmo verdade.
(Toninho, espero que esse seja o primeiro de vários!)
S U N D A Y _M O R N I N G_ D I A R Y
Este frio na barriga que antecede a escrita de um tão novato blogueiro parece ser normal, entretanto, a idéia de postar reclamações e acontecimentos diários me parece tão coerente que, como uma luz no fim do túnel, estou indo ao encontro.
Era domingo, dia 14 do mês de dezembro para ser mais exato, e acordando as 06:45 tive para ir ao trabalho tive a certeza somente bons fluídos me arrebatariam naquele dia.
Leve engano...
Tive de acordar cedo para deixar minha namorada na rodoviária, afinal, ela mora em uma pacata cidade de somente 250 mil habitantes no interior de São Paulo. Inveja? Infelizmente não mais me atrevo a responder esta questão.
Tudo ia muito bem. Tomamos um café da manhã reforçado – trabalho na área de vendas de uma concessionária – pois sabia que teria um dia mais agitado por conta da redução do IPI, até chegar à Marginal do rio Tietê perto da altura da Avenida do Estado. Estava tendo um “desvio” por conta da prova de corrida denominada “Gonzaguinha”, portanto fecharam o acesso as rotatórias e pontes por um raio de 3 km. Perguntei a mim mesmo, ainda “zen” por ter acordado há pouco, quem no mundo fecharia uma das avenidas mais movimentadas do mundo para um prova sem qualquer importância ou mesmo isenta de uma quantidade expressiva de inscritos?
Ingenuidade? Imagina...
Creio que 3 siglas da corporação que estava tomando café e comendo algo saboroso em meio ao canteiro da avenida devem respondem a questão.
Mudei totalmente o trajeto, enfrentei um trânsito sem qualquer medida logo de “madrugada” para entrar na rodoviária, de repente percebo que a mesma está totalmente abarrotada de pessoas que nos “visitam” para comprar presentes natalinos e visitar seus “cumpadres”.
Descendo as escadas rolantes fico imaginando o preço do progresso quando inúmeras pessoas, por medo e desconhecimento do funcionamento da primeira – a escada rolante – não adentravam nela! Conclusão, mais congestionamento!
- “Cavalo!”, gritou um indivíduo para outro que tentava orientar como usar as rolantes.
- “Aqui é assim mesmo, tudo cavalo!”, murmurou novamente para uma senhora que o acompanhava.
Ululante informar que um coral de paulistanos e pseudo paulistanos responderam aos berros adjetivos singelos e graciosos para o indivíduo acima, inclusive elogiando por demais, os genitores do mesmo.
Muito bem, passado as escadarias foi a vez de voltar à Marginal Tietê para tentar chegar ao trabalho. Lembro-lhes que a via estava paralisada devido à famosa prova de maratona que ninguém conhece. O trânsito estava comendo solto e todos travando os dentes ou cantarolando alto dentro de seus veículos quando alguém, aos berros, exclamou para uma corredora um pouco tanto quanto fora dos padrões do atletismo:
- “Corre gordinha, corre! Corre pro hospital!”
E as gargalhadas ecoaram pela pista...
Não era somente uma questão de probabilidade até aquele poço de lipídios entrarem em colapso, mas sim um fato! Difícil conseguir visualizar um singelo coração do tamanho de um melão bombear sangue para todo seu corpo. Algumas partes devem já estar entrando em necrose! Meia dúzia de passos depois ela sentou no chão e tirou de sua bolsa uma Coca Cola. Queria ver se era a Zero, para tirar uma foto e mandar para a empresa alimentícia, mas não tive condições de enxergar.
Continuando a saga – saliento a todos vocês que este é um retrato fiel ao dia que tive, não estou inventando nenhuma situação ou ainda querendo agradar a você leitor! – finalmente o trânsito alivia e algo inédito acontece, uma Ferrari branca saindo fumaça azul do escapamento! Se todos conhecessem somente os símbolos, ninguém iria perceber que um VW Passat rebaixado caindo aos pedaços, do ano em que minha graciosa vovozinha era sexy, estava a desfilar pelas avenidas paulistanas, extrapolando qualquer perspectiva do protocolo de Kyoto ser eficaz.
E o Brasil ainda preocupado com as queimadas... tsc... tsc..., deveríamos mesmo era fazer uma ligação internacional e impedir a comercialização destes veículos por aqui!!! Eu disse internacional? Desculpem, mas é que algumas localidades da cidade e algumas pessoas me parecem tão distantes de uma realidade mundial que somente uma chamada internacional poderia surtir efeito. Ou talvez um muro e policiais fortemente armados.
Depois disto, tirando o fato que pessoas compram bens de grande monta como se comprassem pastéis invadiram o local onde trabalho para comer pipoca e algodão doce, o resto até que foi bom, pois dormi!

Palmeiras x Corinthians

Era dia de clássico na cidade. Tinha gente que logo cedo já desfilava a camisa do time do coração sem medo de ser feliz. No trabalho era aquela zoação... Quem se importa? O que vale é engrossar a torcida e fazer com que os onze jogadores virem milhares pelas ruas. Aí sim o elenco ganha mais força!
Luís foi trabalhar com a camisa do Corinthians. Deslizava suave pela avenida, enquanto sintonizava as notícias do dia. É hoje que o bicho vai pegar! Estatísticas de vitórias, de ataques e defesas. Previsão de público, entrevista dos fanáticos. Tudo soprava a favor do timão.
Mas ia tão distraído que não viu que o farol não estava mais verde e, tuuuummm!!! Encheu de alegria a traseira de um carro parado! Desceu pra ver o tamanho do prejuízo, e o motorista atingido tratou logo de berrar:
- Só podia ser corinthiano!
- Qui cê tá falano meu véi?
- Que só podia ser corintiano, domingueiro que não sabe dirigir!
- Qui dominguero o que rapái? Você qui parô no amarelo, senão dava pra nóis dois, seu bunda mole!!!
- Além de detonar meu carro ainda me chama de bunda-mole???
- É isso aí mesmo, vem falano qui eu torço pro Corinthia, qui sô dominguero... Cê nem me conhece! Sabe com quem cê tá falano?
- Não sei nem quero saber, só sei que vai pagar isso tudo, porque quem bate atrás tá sempre errado, não sabe não?!?
- Eu vô te processá por preconceito, falô qui sô corintiano e falô co desprezo! É porco né, seu filho da puta?
- Porco é teu nariz, sou sardinha com muito orgulho!
- Menos mal, si fossi do chiquero ia levá umas porrada!
- Do chiqueiro não sou nem morto, antes gambá que periquito!
- Gambá é a puta que ti pariu!
- Minha mãe nãããoo!!!
- Foi mal véi, mãe é foda, desculpa aê...
- Tá legal, foi culpa minha, fui eu que te chamei de gambá primeiro.
- É cara, verdade, eu tava distraído ouvino rádio, que merda...
- Você tem seguro?
- Seguro não tenho não, economizo tudo pra assistir meu Timão. Mas tem um chapa meu da oficina que conserta isso aí em dois palitu, nem vai parecê qui amassô, cê vai vê.
- Tá certo cara, vou confiar em você, pode me dar seu telefone?
- Belê!
Abriu a carteira para pegar um cartão, quando o ingresso do clássico caiu no chão:
- Olha, caiu um papel aí!
- É meu ingresso pru jogo de hoje a noite.
- Que beleza! Hoje torço pra vocês. Esses pontos vão ajudar o Santos no campeonato.
- Firmeza bróder, tá aqui meu cartão! Me liga amanhã bem cedo pra gente vê isso aí...
- Tá certo, vou levar na confiança. Boa sorte no jogo de hoje!
- Falô, cara. Torce junto, vamo ganhá de lavada, passá perfume na porcalhada!
Nessa hora, um palmeirense que vinha passando botou a cabeça pra fora berrou, sem medo de ser feliz:
- Aê animal! Sabe dirigir não? Porca miséria! Só podia ser ultimão!
O corinthiano, verde de raiva, mal se despediu do lambari e nem olhou se o farol tava verde pra correr atrás do suíno. Mas o adversário já tinha sumido pelas ruas de Sampa e, àquela altura, deveria estar sacaneando outros corinthianos uniformizados andando pelas calçadas, com a certeza de que nunca mais os encontraria. Porque, se encontrasse, dependendo do resultado do jogo, não haveria vergonha que bastasse...

(texto de minha autoria, no Grupo dos Poetas do Tietê)

arbitrário

Aquele árbitro tava de brincadeira... anulou o gol de chaleira, deu impedimento onde não havia, mostrou cartão pra bicicleta do atacante. Naquele clássico, um bando de filhos de uma boa desesperados corriam atrás da bola. Fez chuva, fez sol, fez ola. E o árbitro preocupado com a camisa pra fora do volante, nem viu quando o goleiro chutou forte e, lá de longe, marcou seu gol de tiro de meta. Não validou e a torcida, emputecida, deu cartão vermelho pro trio que saiu escoltado, enquanto o pau comia solto naquele estádio.

Vitória merecida

Matemática do jogo:

1 gol no primeiro minuto
1 gol no último minuto
1 de mão do nosso goleiro = 3 do Palestra
uma dúzia de defesas incríveis
meia dúzia de faltas não marcadas
muitos litros de chuva
centenas de palavrões
mas só bastava um sãopaulino puto da vida
e já teria valido a pena.

Olhares Encantados



Ter fé é acreditar no invisível. Muitos não conseguem ter fé nem em Deus. Preferem crer no jogo de futebol, na loteria... apesar que nessas coisas também não está dando mais pra "botar uma fé".

Mas existe um assunto que é praticamente uma unanimidade. Embora muitos se declarem incrédulos, vira e mexe estão reverenciando à essa força invisível. Refiro-me ao olho gordo.

Esse assunto, entra ano sai ano, está sempre atual. Presente nas conversas de todas as classes sociais, em várias idades, parece estar por aí como uma ameaça iminente, causadora de medos e desconfianças.

Outro dia mesmo, um amigo trocou de carro. Optou por um modelo executivo, a coqueluche entre os mais abonados. Não que ele seja rico. Não mediu esforços para comprá-lo, já que andar com um carrão desses por aí não tem preço. Carro preto, vidros pretos.

Antes era um frisson desfilar por aí de carrão. Todos torciam pelo sinal vermelho para poder parar e dar aquela olhadinha de lado. Enfim, ver e ser visto. Agora, com a violência, o ar condicionado e a liberação da película protetora, é mais chique (quer dizer fashion) andar dentro de um carro bem grande (quanto maior melhor) e parar sem poder ser visto. Fica aquele breu, aquela expectativa de ser um figurão, um artista, um político (bem, político não - ninguém sonha em ser confundido com um deles).

E lá se foi meu amigo para o trabalho de carro novo. Mas no caminho, já pensando em olho gordo, decidiu esperar um pouco até que a galera do trabalho soubesse da notícia. Como estacionava o carro longe dos olhos dos colegas, poderia esconder a novidade. Esperou então uma semana para comentar sobre a aquisição. Pretendia esperar mais - mas não agüentou.

Durante o expediente, num comentário "casual", disparou a boa nova. Ao fim do dia, em festa, a turma correu para conhecer o carango. Entraram, sentaram, elogiaram. Alegres, despediram-se.

Lá vinha meu amigo, todo orgulhoso, de volta pra casa. A certa altura do trajeto, imprevisto: furou o pneu. Na mesma hora teve certeza: obra do olho gordo! Pensando bem, não só gordo como obeso. Ele sabia! Bando de invejosos!

Mas não é preciso ter dinheiro pra se sentir alvo de vampiros. Quem tem um amor, fica de olho na concorrência. Quem está sem ninguém, é porque está "encantado" - deve ser torcida contra, só pode! Quando termina então, deve ter sido macumba!

Minha prima teve um filhinho todo fofinho de olhos azuis. Ela, também de olhos verdes, orgulhosíssima por tudo, parece carregar consigo uma simpatia pela doutrina de Hitler. Está sempre falando em AA, aa, Aa, à mínima brecha de oportunidade. Eu, AA ou Aa, sei lá, devo ser da turma dos olhos mais gordos de todos. É, os castanhos! Mas o que seria do castanho se todo mundo gostasse do azul?

Bem, esse belo bebê está sempre com quebrante. E minha mãe, que aprendeu a benzer lá na Itália na noite de Natal, vive sendo solicitada para realizar a limpeza espiritual do pimpolho. Já falei pra mamãe: fala que benzeu e não benze! Ela respondeu que se fizer isso vai perder seus poderes de cura. Isso não, Deus me livre! E toda hora tem que benzê-lo.

Vou confessar: vivia com dor de cabeça. Até descobrir que poderia andar com umas ervas (pode ser só uma folhinha ou um galhinho), mas tem que ser de arruda, alecrim ou guiné. Eu pego sempre guiné. Ao sair de casa, passo num canteiro plantado em volta da árvore bem em frente ao portão e arranco uma folhinha. Ponho no bolso da calça ou por dentro da blusa, faço o sinal da cruz e vou embora. Pensando nisso, agora gelei! Hoje fizeram a calçada nova aqui na porta de casa e meu pé de guiné foi pra caçamba de entulho! Nossa, que estranho... não estou me sentindo bem...

Pensando bem, acho que a gente mesmo, só de pensar nesse assunto, já fica carregado. Não dizem que os pensamentos constróem a vida da gente? Não serão nossos próprios olhos os responsáveis? Bem, como nesse mundo moderno tenho visto de tudo (como uma padaria feita especialmente para cães e gatos e o mutirão de DNA com duas mil pessoas na fila), não duvido assistir ao lançamento do SPA para olhos acima do peso. Os clientes potenciais são muitos. Mas quem vai admitir que precisa de um regiminho?

Pânico na TV



E não é que eu fui mudar de canal durante o intervalo do jogo do São Paulo e do Santos e encontrei a Gretchen no Gugu?
Parei para escutar - não por nada, simplesmente para ter mais tempo para observar aquelas maçãs do rosto.
Gente... o que foi aquilo?

Logo pensei que ela estava lá para denunciar algum cirurgião plástico, mas não!
Estava falando sobre as mais recentes cirurgias a que se submetera: braços, bumbum, seios.
Ela tem um prazer meio mórbido em mostrar as ataduras, parece gostar de sentir dor.
Sabe como é... já beira os cinqüenta anos e precisa driblar a gravidade (achei que tivesse mais!).

Mas a "Rainha do Rebolado" já está calejada nessa história do estica e puxa e nem bem cicatrizou os cortes já pensa em fazer novos.
Pior: falou sobre a necessidade de se cuidar porque não quer que seu público a veja feia.
(Mas pensando sob essa lógica deveria se retirar do palco imediatamente!)

Espera um pouco... agora percebo... Ela está se achando... bonita! E talvez até mesmo... linda!
Cê vê que bacana? Ostenta as bochechonas sem complexos.
Mas o mais legal ainda estava por vir: disse que ninguém percebe que mexeu no rosto, porque não mudou a fisionomia. Hum hum!

Também mostrou umas cicatrizes atrás das orelhas (foram retiradas e recosturadas).
Certo. Então entendi... a plástica é como quando a gente puxa as duas orelhas com as duas mãos, com bastante força. Mas como não dá pra costurar as orelhas na parte de trás da cabeça, o negócio é arrancá-las fora, repuxar tudo e recolocar as pobres orelhas no lugar. Acho que se a mãe dela soubesse que um dia ela faria isso, teria puxado mais suas orelhas quando ela era criança.

Ah! Gretchen também avisou: seu trigésimo oitavo marido estava grávido de oito meses mas apressou a cesariana no mesmo doutor. E aproveitou pra dar uma levantada nos peitinhos.
Ué? Nem vai esperar para amamentar?
E ainda ia enxugar as costas, mas não poderia fazer tudo junto, senão, como iria se deitar?
Nossa, ainda bem, pelo menos ele ainda sente dor!

Aos fanáticos por plástica, fica aqui um aviso: favor consultar primeiro um oftalmologista antes de injetar mais botox. Barbaridade! Ainda não eram nem seis horas e já tinha começado o Pânico na TV.

Loja de Dúvidas


Não consigo esquecer desse dia. A dona da loja de roupas lá do shopping é aquele tipo de pessoa que não se esquece de ninguém. Como boa vendedora, guarda nomes e fisionomias, e assim vai faturando algum a mais. Eu, aérea, que mal consigo gravar o nome de todos os parentes desde que os primos-sobrinhos começaram a pipocar, sempre fico em situação embaraçosa quando alguém me chama pelo nome o tempo todo.

Numa dessas saídas de sábado à tarde, minha irmã decide entrar justo nessa loja para fazer umas compras. Enquanto outra vendedora a atendia, loja vazia, fiquei de papo com a dona. Entre como vais e tudo bens, lá vem ela com aquela conversinha intimista, lembrando do dia em que nos encontramos por acaso numa happy hour, falando dos novos bares da cidade e querendo saber de meu trabalho e companhias. Ela, toda animada, me tratava como se fôssemos comadres. Eu, meio sem assunto, dava graças a Deus quando conseguia desviar o papo para o campo das amenidades e das fofocas de salão.

Minha irmã, indecisa, pedia para baixar todo o estoque da parteleira e parecia sem previsão de sair dali nos próximos quinze minutos. E dá palpite aqui, experimenta dali, comecei a reparar no ambiente pra fazer o tempo passar. Balcão, carpete, balinhas. Foi quando a dona da loja saiu de trás do balcão. Não pude deixar de reparar em "seus trajes". Quase todos reparam nas vestes das vendedoras. Afinal, elas adoram dar opinião sobre o que a gente deve levar, mesmo sem serem solicitadas. Por isso o estilo é a medida do bom gosto. E não é que ela, já com seus quarenta e muitos anos, estava com uma boa parte da barriga de fora?

O problema é que a barriga era grande! Ao observar aquele detalhe, tive certeza absoluta: estava grávida. Eu, que adoro crianças, vi nesse fato minha tábua de salvação para novo fio de conversa. Mas antes de introduzir o assunto, fiquei refletindo sobre o adiantado de sua idade. Bem, pensar que avó não pode ter filho é pensamento antigo demais. Hoje todo mundo começa a ter filhos com mais de trinta. Mesmo assim fiquei em dúvida: sua mão sem aliança e os cigarros sobre o balcão reforçavam minha insegurança. Solteirice e fumaça não combinam com bebês. Pronto, mais um pensamento retrógrado. Além do mais, ninguém, em sã consciência, se não estivesse com muito orgulho daquela gestação usaria uma roupa daquelas. Ainda mais sendo profissional da moda!

Preferi não falar sobre a gravidez diretamente, para evitar constrangimentos. Comecei comentando sobre o calor (grávidas sentem muito calor). Agradei, estava no caminho certo. Depois sobre passar muito tempo em pé. Cansativo, concordou. Aí, eureca, perguntei quando ela ia parar de trabalhar para curtir as férias (licença). Resposta: sem previsão. Então insisti (afinal, a criança já estava bem crescidinha). Ela, estranhando a insistência, notou minha desconfiança, já que meus olhos não paravam de procurar por seu umbigo. Ficou muito séria. Gelei.

Embora em nenhum momento tivesse falado sobre bebês, ficou implícito. Minha irmã já fazia o cheque quando o silêncio imperou na loja. Para quebrar o gelo, comecei a tecer elogios à decoração. Tarde demais.

Sacolas nas mãos e muito obrigadas. Saí de lá vermelha. Meu Deus! Que fora! Nem preciso dizer: a criança não nasceu até hoje. Mas teve um saldo positivo: mesmo no calor, o umbigo nunca mais foi visto sem coberta.