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Preconceito às vezes é pós-conceito

Já fui enganada por dois Rogérios. E algumas Claudias já me trouxeram concorrência. As Márcias e Adrianas sempre foram minhas amigas. Homens morenos sempre me destrataram e os de óculos me ignoraram. Gente de Libra costuma se dar bem comigo, mas passa um tempo e começa a falar mentiras. Os engenheiros costumam se achar melhores do que eu e os advogados com o passar do tempo acabam virando só meus amigos. Meus amigos pareciam gays e eu achava que não devia pensar que eles eram gays pois estava sendo preconceituosa. Depois de um tempo eles acabaram se assumindo e inclusive um deles me falou que há coisas na vida que são óbvias. Bem, vindo dele, aquele marica que me usou sem me avisar em eventos para fingir que tinha uma namorada (e queimou meu filme com os outros homens do nosso círculo de relacionamento) fiquei ciente de que onde há fumaça, há fogo.

Esses acontecimentos vão marcando a vida da gente e formando pós-conceitos que podem coincidir ou não com preconceitos tradicionais. Os moreninhos costumam chifrar as namoradas. E quando eu me afasto de um moreninho não é por eu ser racista. É por eu achar que aquele tipo de homem não é confiável, segundo minhas experiências anteriores. Da mesma forma poderia ter sido com loiros. Ou com ruivos. Calhou de ser com morenos. "Eu não gosto de morenos". Essa frase dá cadeia. Mas não tem nada a ver com racismo. Eu não gosto de morenos justamente porque gostava deles e levei um pé na bunda. Meu preconceito nasceu posteriormente ao pé na bunda. Então parece preconceito, mas é pós-conceito.

Os homens que usam brincos nem sempre são gays. Mas podem virar, como meu amigo do colegial que desmunhecou total. Ele gostava de mulher, mas hoje quer ser a Cher. Então, quando eu encontrar outro cabeludo com uma caveira tatuada no braço, logo vou pensar que ele talvez queira ser a Cher. Isso é relação mental. Lógica, associação. Preconceito, não.

Jesus deve estar puto

Jesus, que veio ao mundo com tanta boa intenção, deve estar lá em cima puto da vida. Ele não precisa olhar pro mundo todo - basta focar a cidade de São Paulo e já tem motivos de sobra pra cair pra trás.
Nesse final de semana teremos a Parada Gay. Lugar paz e amor que quando visto de perto tem sangue, vômito, bebedeira e putaria. As ocorrências policiais em centenas, dão o tom do evento mais colorido de todos. Eles dizem que os heteros são os culpados das arruaças, mas quem já andou por lá sabe que não é bem assim. Segunda-feira a cidade novamente contabilizará os estragos feitos pelas drogas de todos os gêneros, consumidas aos montes pela galera mais fashion da cidade. Não será fruto de todos. Mas os que já vivenciaram isso, se tivessem algum respeito pela nossa cidade não comporiam novamente essa grande parada do orgulho egoísta. Em tempos de progresso e aceitação, a grande massa diferente luta de todas as formas para dizer que quem não experimentou dar ou comer o sexo semelhante é que está fora de moda. Os instintos primitivos hoje são sinônimo de agressividade e não de sobrevivência.
Segundo um seguimento da turma do glitter, ser hetero é ter preconceito. Não basta eu conviver com eles da forma mais pacífica do mundo. Não basta eu ser amiga deles. Não basta contratá-los como médicos, advogados. Não basta dar audiência para eles na Tv. Nem comprar ingressos para vê-los no teatro. Para aceitá-los de verdade terei eu que me apaixonar por uma mulher, aí sim serei um ser humano livre de preconceitos.
A esse seguimento deixo meu recado mais sincero: "Eu sou mulher e minha anatomia não nega isso. Não uso silicone, nem marombei a bunda. Sou bonita e gostosa e meu organismo espera fervorosamente por uma fecundação saudável e cheia de desejo. Digo, do alto de minha feminilidade, aos que me incentivam a dar uma saída com outra mulher, só para provar como é tesudo ser moderno, que assim como minha mão se afasta do calor, quando está prestes a ser queimada, meu organismo instintivamente deseja o sexo oposto. Foi Deus que me fez assim. E estou muito satisfeita, diferente de muitos modernos que incessantemente buscam no complicado aquilo que Deus nos deu de graça. Caso não consigam prazer através do caminho mais simples, não tentem convencer aqueles que estão felizes, a buscar a felicidade de uma forma "diferente". Há muitas maneiras de se relacionar com o mesmo sexo, com a mesma pessoa, no mesmo lugar, e até na mesma posição. Quem não consegue é porque não tem criatividade suficiente. Quando falam em limitações, estarão se referindo a quem?

Sobre tudo o que deu errado

E de novo parei pra pensar em todas as coisas que deram tão errado na vida mas que se for ver, nem deram tão errado assim. Minhas amizades de infância partiram. A vida pôs cada um para um lado e lá estão eles, sabe lá Deus como. Mas como se foram encontrei novos amigos ou novos conhecidos, e assim vivemos e trocamos ideias. Acreditava estar com pessoas sinceras, mas como tudo aqui nesse país é muito relativo, veio novamente a onda da relatividade e levou meus amigos pra primeira fila da Parada Gay. Dessa Parada eu só gostava das cores e da música, mas para isso eu não precisava ficar com eles. E lá se foram eles, até a Praça da Sé. Eu desci o túnel da Brigadeiro, subi no metrô e voltei pra casa, para sempre. Meus namorados também foram estranhos, alguns gostavam da música, das cores, e do caminho da passeata. Embora alguns acompanhassem de longe, meio envergonhados, não significa que não estavam segurando uma das pontas da bandeira com arco-íris, o que me parecia colorido demais para um pai de família. E veio a onda e levou um por um, graças a Deus. Fiquei sozinha durante muito tempo, e a liberdade me ensinou que ela pode ser criativa ou sufocante, dependendo de quanto a gente está se amando naquele dia. Meus dias de amor e desânimo foram se alternando, mas a vida foi passando e a erosão em minhas ideias rígidas me fez abrir a mente para novas descobertas. Fiz coisas que não imaginava, e não acho que foram assim tão incríveis, mas quando penso me divirto, e isso é o que importa. Com os relacionamentos sisudos tive dissabores, sofri e me decepcionei. Com outros relacionamentos me diverti tão rapidamente quanto esqueci o sofrimento, e percebi que a gente pode ser várias pessoas na mesma vida, isso só depende de quem a gente escolhe para por ao nosso lado. Quando estive ao lado de gente com cabeça de velho, envelheci junto. Quando estive ao lado de garotos, me tornei jovem. Ao mesmo tempo era jovem ao lado dos idosos, e idosa quando comparada aos jovens, então novamente percebi que tudo seria questão de eu escolher como me sentir. Filhos não tive, o que foi bom, já que quando eu era mais nova era muito impaciente e rígida. Hoje já tenho consciência que o silêncio é o melhor professor, então estaria mais preparada para educar alguém. Se meus filhos nunca vierem, também não fico triste, já que filhos são frutos de um sistema completo, e um sistema só existe quando é formado por várias partes. Não há filhos sem estrutura. E não há estrutura sem um relacionamento saudável. Sendo assim não acho que meus filhos estejam atrasados, apenas lamento não ter encontrado alguém para compartilhar a vida com alegria. O que em certo sentido foi bom, pois hoje tenho mais capacidade de encontrar alegria em situações diversas, então acredito que seja melhor companhia para alguém do que seria no passado. Então essa pessoa que me encontrar vai me ver com melhores olhos, o que significa que tudo está acontecendo no tempo certo. Se essa pessoa também não chegar nunca, vale a pena passar a vida procurando, já que os horizontes ficam cada vez mais abertos, e a liberdade me permite vivenciar qualquer coisa que eu desejar. Ser livre vai além de ter tempo, dinheiro ou disponibilidade. Ser livre é estar desprovido das angústias pelos fracassos do passado. Se aquilo que eu tanto quis não deu certo, hoje vejo que realmente não deu certo porque não tinha nada a ver comigo. Querer se unir a pessoas muito diferentes é como insistir em fazer um bolo crescer sem fermento. Embora o sal de frutas faça o mesmo efeito. Quanto à minha profissão, sorte minha ter deixado de exercê-la logo que me formei. Fiz tantas coisas diferentes, andei tanto por aí, aprendi tantas coisas... Perdi o orgulho, a impáfia, cheguei perto de lugares que nunca conheceria. Vivenciei situações que jamais esquecerei. Graças a isso consigo conhecer as necessidades alheias e olhá-las sem meu crivo crítico. Consigo enxergar a vida com olhos mais carinhosos. E acredito que nessas vivências tenha encontrado de verdade com Deus. Quer sucesso maior do que esse?

Reflexões de Final de Ano



E novamente já é Natal. E ainda não comprei nenhum presente.
As pessoas mais chegadas também fazem aniversário no final de ano. Então eu fico preguiçosa pra comprar presentes.


Ao invés de me organizar, todo ano faço a mesma coisa: espero o dia ir chegando e vou pensando pensando... e penso também que não sei porque a gente tem que comprar presentes em datas específicas. O gostoso é levar alguma coisa quando olha e vê que tem a cara da pessoa, em qualquer data. Com obrigação quase sempre compramos por comprar, ou andamos até não poder mais para achar alguma coisa que a pessoa nem vai usar.


O problema maior é que hoje todo mundo tem quase tudo, então a pessoa ganha e não usa porque até esquece o que tem. Alguns presentes então, melhor nem virem, como aqueles comprados por obrigação pra compensar a falta de atenção dispensada durante o ano todo.


As convenções do comércio são chatas, mas necessárias. Muitos criticaram Lula quando ele mandou comprar e comprar. Mas se for refletir, a nossa economia e o nosso trabalho está intimamente ligado ao comprar. Realmente, um Presidente que quer aumentar o PIB não pode mandar o povo não comprar. Mas ao mesmo tempo, comprando a gente destrói a natureza e as tempestades e enchentes já estão começando a dar as caras e a mostrar que nosso lucro logo logo vai virar um prejuízo e tanto.


Aquele velho papo que Natal é Deus e não presentes, ainda não colou. Papai Noel ainda é muito mais pop nessa época do que o Menino Jesus. É só olhar pros enfeites de Natal espalhados por aí. Jesus veio peladinho, sem saco de presentes, e os Reis Magos trataram de levar alguns apetrechos para adorá-lo. Papai Noel tem um saco sem fundo, desses que a gente acha que vai sair coelho, namorado, emprego e tudo o que alguém pode sonhar. Então, para a economia, Papai Noel é o canal.


O final de ano me faz refletir sobre o que de bom fiz pra mim. Nesse ano fiz algumas coisas boas, mas uma barbeiragem um pouco antes do meio do ano empatou a minha vida. É, tudo na vida tem um preço, e depositar a felicidade em outro ser humano é quase sempre um investimento de alto risco. Mas não tem jeito, eu sempre faço isso. E quando vejo que fiz mau negócio, ao invés de mudar a aplicação de minhas expectativas, espero o banco falir. Sou demorada.


Ser demorado, nos tempos de hoje, é suicídio. Eu tenho essa tendência. Não mudo os meus valores básicos, não mudo o ritmo e acabo sempre ficando pra trás. Por isso mesmo não me sinto com a idade que tenho. Olho pros mais jovens tratando de amores como quem faz barganha em feira livre e acho que o coração dessa gente é velho. Olho pra eles falando em dormir de conchinha e reflito que venho de uma criação onde isso nem dava pra se fazer, porque tinha hora pra chegar em casa, então, dormir nem pensar! Eles viajam com os namorados, levam vida de casado, estão sempre procurando algo que nem sabem o que é e vivem espalhando por aí que isso é aproveitar a vida. Porém, estão sempre insatisfeitos. Então por isso mesmo me sinto jovem quando olho para eles. São muito calejados e vividos. Alguns já endureceram o coração antes dos trinta. E até na idade se acham velhos. Vê se pode...


Ao mesmo tempo penso que eles têm alguma razão. A rotatividade também nos traz bastante experiência, e nesse ponto sinto que pequei. Deveria ter encontrado um meio termo e não ter acreditado que um dia o príncipe ia perceber que eu era a mulher da vida dele. A gente faz muitas loucuras na vida, as maiores delas relacionadas à paixão. Mas, o que é a vida sem ilusão?


Enfim, espero que muita coisa em minha vida mude, mas que nunca perca a capacidade de me apaixonar e de acreditar que uma pessoa pode ser muitas, que as pessoas mudam com o tempo, que nunca se conhece um ser humano em sua totalidade e é aí que está a graça de apostar num relacionamento apenas.


Querer relacionar a felicidade conjugal ao desfrute desenfreado com vários parceiros é subestimar a inteligência e a versatilidade da obra de Deus. Uma das coisas que mais me irrita atualmente é ter que explicar o porquê de querer namorar uma pessoa só, ser mais reservada, canalizar energias para alguém interessante sem com isso ficar zanzando por aí enquanto espero a pessoa aparecer. Vivo ouvindo que preciso rever meus conceitos, que perco meu tempo e durmo no ponto. É, pode ser. Mas quando a gente ingressa no mundo da falta de princípios, a viagem é interessante porém nos despe de todo e qualquer tipo de censura. E quem se machuca com isso, não preciso nem dizer.


Mas mesmo assim vou pedir que Papai Noel não permita que eu me afaste dos sentimentos mais puros, da confiança no ser humano e na intenção de construir coisas boas. Ser honesto nos dias de hoje é se agarrar num tronco de árvore enroscado no leito do rio em meio à forte correnteza.


Que meu tronco me suporte, que a tempestade seja leve e que, com sorte, nesse rio haja alguém perdido e que também tenha os sonhos parecidos com os meus.


Feliz Natal!

(publicando novamente) Reflexões de Final de Ano (original em 20/12/2008, 00:10)

Estágios

Um psicólogo fazia testes para admissão de novos candidatos em uma empresa e seleção:

- O senhor pode contar até dez, por favor?
- Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um.
- Por que você contou de trás pra frente?
- É que eu trabalhava na Nasa.
- Sinto muito, está reprovado.

Entra o próximo:

- O senhor pode contar até dez, por favor?
- Um, três, cinco, sete, nove, dois, quatro, seis, oito, dez.
- Por que você contou primeiro os ímpares e depois os pares?
- Porque eu trabalhava como carteiro.
- Sinto muito, está reprovado.

Entra o próximo:
- O senhor pode contar até dez, por favor?
- 1,2,3,4,5,6,7,8 e 1,2,3,4,5,6,7,8
- Por que o sr só contou até oito?
- Por que eu era dançarino.
- Sinto muito, está reprovado.

Entra o próximo:

- Antes de começarmos, por favor me diga uma coisa, o que o senhor fazia em seu emprego anterior?
- Eu era estagiário. Fazia faculdade.
- OK.Excelente. O senhor pode contar até dez?
- É claro. Ás, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, dama, valete e rei. Truuuuco, ladrão!
;)

Dá pra entender


Já que o BBB está na 9a. edição, algum fascínio muito grande sobre os seres humanos deve exercer.

Ontem consegui entender um pouco. Primeiro porque girei duas vezes as dezenas de canais da TVA e achei outros programas igualmente ruins, então deixei na Globo porque era dia de paredão.

E tinha um cara tão chato ali, que eu comecei a torcer para que ele saísse urgentemente. Tive até vontade de ligar, só pra vê-lo sair com uma porcentagem de votos beeeeem grande.

O Big Brother é um reflexo da vida da gente. Seria bom que pudéssemos mandar um SMS para algum número e que em alguma noite de terça-feira aquela pessoa tivesse que sair do grupo, da casa, do ambiente de trabalho.

Votaríamos nos mais pentelhos e pronto! Adeus, mala.

Acho também que as pessoas assistem para ver se os bonitões também acordam com cara de travesseiro.

O Bial ontem teve que recorrer ao dicionário para justificar o fato de chamá-los todos os dias de "heróis". Ele também tem um pouco de vergonha de fazer isso, e dá risada quando fala.

De resto foi só isso. O chato saiu, a loira deu um beijo na boca da Vovó Naná. Selinho de mãe pra filha, deve ser.

Hoje a Ana Maria Braga quis saber se a namorada dele estava chorando. Nada de lágrimas, já que aumentou a chance de ganhar o milhão. Que nós vamos patrocinar com nossos SMSs, que, em números, representam a vontade louca que a gente tem de fazer sumir do mapa as pessoas que nos incomodam. Mesmo que tenhamos que pagar pra que isso aconteça.

Dia de (re)começar


Hoje, no dia internacional do recomeço, começo cheia de medo de escrever bobagens.

Com medo de criar histórias com fundos morais sem fundamento, alicerçadas em valores arraigados pela sociedade mas que no fundo só servem para atrapalhar muita gente.

Nesse dia primeiro, começo refletindo.
Pensando que nem sempre amor com amor se paga.

Nem sempre a maldade é castigada.

Nem sempre a donzela encontra o príncipe.

Nem sempre Deus ajuda a quem cedo madruga.

Onde então encontrar forças para continuar escrevendo fábulas, contos e ensinamentos?

Onde buscar a sabedoria necessária? Onde estará a fonte da verdade?
Quem sou eu para querer ensinar algo aos outros, sendo que nem eu mesma consegui aprender o que gostaria?
Será que a uma pessoa excessivamente subserviente, os evangelhos são cabíveis? Ou só servem para agravar características que acabam prejudicando aquela pessoa?
Existem ensinamentos apropriados a todos? Sendo que somos tantos e todos tão diferentes? Passando por fases e momentos de vida diferentes?

Quem me garante ser educadora eficaz num mundo dinâmico como o nosso?

Pau que nasce torto nunca se endireita? Mais vale um gosto do que dinheiro no bolso? Mas não era de grão em grão que a galinha enchia o papo?
Um empréstimo pode arruinar alguém, mas pode ser o início da fortuna de outros.
Uma caridade pode ser sublime a alguns, mas péssima para outros.

Gosto muito de fechar meus textos com finais interessantes. Histórias sem finais convincentes para mim são decepcionantes. Alguns colegas escritores falam sempre sobre essa minha característica: gosto de histórias com começo, meio e fim.
Mas vivendo numa cidade de contrastes, onde o bom e ruim convivem sem cerimônia, em meio a seres humanos dúbios por natureza e geminiana, pra completar, vivo em constante briga comigo mesma. Mil paradoxos me rondam. É muita confusão pra uma cabeça só.

A única certeza que tenho é que tudo é dúvida.

Mas agora que escrevi isso lembrei que talvez tenha uma certeza a mais comigo.

Lembrei de uma história recente:

Sempre fui muito admiradora da Escola de Samba daqui do bairro. Não por ser sambista, nem rata de carnaval, mas por conhecer a história deles, adorar a bateria e os shows que ela dá na avenida e principalmente pelo fato dela exaltar o nome do bairro via satélite lá na Globo.

É muito bom ouvir o Chico Pinheiro cantando "Sou da Pompéia, pode crer..." e essas coisas que são bobas mas deixam a gente feliz.

Mas nesse ano que se foi decidi me engajar no projeto e conhecer essas pessoas que produzem esse show mais de perto.

As visitas à quadra foram ótimas, o som invadiu o meu ser (tanto pela altura como pela emoção).

Mas um pouco mais adiante fui conhecer algumas dessas pessoas e dei de frente com suas vaidades, egoísmos, complexos de superioridade e outras coisas mesquinhas que fazem parte do bicho chamado Homem.

E a paixonite aguda foi pro espaço. Em meia dúzia de conversas com aquelas pessoas já percebi que ali há muita gente fechada, que quer palpites até a página dois e que chega a dizer que Amor é de quem trabalha lá. Os outros têm o direito de admirar. Poderão sentir amor quando trabalharem pela Escola. Ora ora, para quem trabalha com o mundo da imaginação, querer impor até onde alguém pode desenvolver um sentimento é no mínimo frustrante.

Como se um evento não fosse composto por trabalho, integrantes de última hora, patrocinadores que nunca aparecem por lá, público presente e telespectadores. Talvez não saibam que o nome da Escola é muito maior do que eles, como o nome do Santos, da Portuguesa ou de outro clube de futebol. Estão agarrados à agremiação e não querem intrusos. Depois se queixam de falta de quorum. Poderiam estar abertos a todo e qualquer tipo de colaboração. Via e-mail, via orkut, via carta ou pombo-correio. Mas querem forçar as pessoas a agirem do jeito deles, sem respeitar o tempo, as limitações ou outros tipos de dificuldades. Mas na hora do desfile aceitam as palmas e a exaltação - sem cerimônias. Aí não se importam que aquela pessoa não freqüentou. Precisam de 3.500 componentes para fazer bonito na avenida, mas logo após o desfile se esmeram em criar todo tipo de barreira para que essas pessoas participem do jeito que lhes melhor convier.

Isso acontece em muitos lugares e com muitas pessoas, principalmente com ídolos. Quando a gente vai conhecer mais de perto, é uma decepção.

Por isso é fácil manter um amor platônico por anos, adorar um time, exaltar uma cidade, um brasão. É muito gostoso fazer isso e talvez nos coloque em contato com uma forma sublime de amar. Um amor como o de Policarpo Quaresma.

Então, com base nesses ensinamentos, começo o ano pensando em cultivar amores intangíveis.
É mais ou menos como ser um profissional de branding. No branding a gente nunca se decepciona porque a marca é maior do que as fraquezas dos seres humanos, seus ciúmes e seus defeitos.

Começo o ano pensando em amores universais: pelo país, pela cidade, pelo clube. Quando encontrar nova escola de samba não vou querer saber quem fez a música para não correr o risco de perder a vontade de cantá-la. Amar meu país, apesar de quem o governa. Amar minha cidade, apesar de quem a maltrata. Amar meus amigos, aceitando suas ausências e seus descasos, pensando que aquele desinteresse todo por mim e por minhas necessidades é porque me consideram como uma irmã - e com irmão a gente não tem frescura. Quem dera na vida real eu tivesse ínfima porcentagem dos amigos que tenho no orkut. Quem dera tivesse ao menos um.
Peço para 2009 um pouco mais de companhia nas horas que realmente preciso. E alguma ajuda para conseguir o que realmente me falta. Enquanto isso vou pensando na palavra amizade como um sorriso no rosto de quem se encontra na rua, troca meia dúzia de palavras e segue sua vida, contando que o acaso promova novo encontro - ou não.

Não, não e não

Celular: mudo.
Campainha: muda.
Mensagem de Texto: nenhuma
E-mail: Caixa vazia.
Orkut: nenhum recado.
Orkut: nenhuma visita.
MSN: off
Telefone de casa: meditando
Caixa de Correio: vazia
Mensagem offline: nenhuma
Caixa de Mensagens do orkut: anúncios
Comentários no blog: dos amigos
No orkut dele: nenhuma atualização, nenhum recado, nada.

entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia entra dia sai dia

Os românticos costumam filosofar sobre transmissão de pensamento, almas gêmeas, viagens astrais...

"Se eu sonhei com ele e foi real, é porque nosso sonho existiu em algum lugar..."
"Se estou pensando nele e não consigo esquecer, é porque ele também está pensando em mim..."
"Se ele não fala comigo, é porque gosta tanto de mim que está com medo de se aproximar..."

É, são bonitas filosofias, mas a verdade é menos colorida:

Sabe aquele cara chato que fica te perturbando e você não está nem aí pra ele?

Então... você para o seu amado, é como aquele chato pra você.
Você escreve pro chato?
Papeia no MSN?
Sente vontade de falar oi?
Pensa em enviar um SMS?
Está preocupada com o que ele está sentindo?

Então... fez sentido?

Nunca nada tá bom


Não adianta: nunca conseguiremos agradar. E eu não digo a todos ao mesmo tempo. Nunca vamos agradar a ninguém.
E isso é simples de explicar. É que pro ser humano, nunca nada tá bom.

Se a gente fala demais, é porque "enche o saco".
Se a gente fica quieto, é porque tá irritado, aconteceu alguma coisa.
- Nossa, você tá tão quieto... aconteceu alguma coisa?
(E a gente tá quieto que é pra não arrumar encrenca. Mas não adianta, porque o simples fato de estar quieto já demonstra insatisfação. E aí o outro começa)
- Que que eu te fiz?
- Nada!
- Então porque não quer falar comigo?
- Ah, hoje tô meio desanimado...
- Mentira, porque tô vendo na sua cara que tá bravo.
- Mas que cara, criatura?
- Vou pegar um espelho pra você ver.
- Agora você tá conseguindo me irritar.
- Eu não disse que tava irritado? Eu te conheço!
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Se a gente estuda pra concurso, é porque poderia estar procurando emprego melhor, pra ganhar bem mais.
Se a gente quer se arriscar num negócio novo, é doido.
Se fica naquele emprego meia-boca, é acomodado.
Se trabalha no negócio da família, é vagabundo.
E se o vizinho passou no concurso, é mais esperto do que nós.
- Mas ele passou na malandragem, tem conhecido lá dentro!
- E daí? O mundo é dos espertos!
- Ser malandro não é ser esperto! Ser malandro é falta de caráter!
- Hum, você tá com inveja.
- Não sinto inveja de gente desonesta.
- Por isso nunca vai ser alguém na vida.
- E o que chama de "ser alguém na vida"?
- Ter um bom cargo, um bom salário.
- Não acho que isso defina ninguém.
- Mas vai fazer alguma coisa sem dinheiro pra ver se você consegue...
- Não preciso de muito.
- Por isso que eu falo que você é burro!
- Burro pra mim é quem acha que a vida é só ganhar dinheiro a qualquer preço.
- Não falei que você era burro? Não gosta de dinheiro!
- É claro que eu gosto de dinheiro. Mas não preciso de milhões pra ser feliz.
- Ah, mas se tivesse milhões não ficaria contente?
- É claro que ficaria!
- Então, você é burro de não correr atrás.
- Burro é você que não entende o que eu falo.
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- Meu casamento é uma droga. Maldita hora que eu fui casar.
- Ah... todo mundo que é casado fala isso. Mas vocês podem separar. Já quem é solteiro nem sempre acha alguém pra se casar.
- Você que é feliz. Se eu pudesse voltar no tempo...
- Mas você pode, é só separar!
- Ah... agora já não dá mais.
- Claro que dá! É só querer.
- As coisas não são assim tão simples...
- Olha, ficar solteiro não é tão bom assim como você fala, viu?
- Claro que é! Não tem compromisso, não tem responsabilidade!
- Mas também não tem carinho de madrugada, nem alguém na hora da necessidade...
- Ah! Você pensa que pessoa casada é carinhosa como no tempo do namoro?
- Penso. Não é?
- Claro que não! É cada um pro seu lado a noite toda! E você pensa que é bom viver assim, sem carinho?
- Eu sei que não. Por isso te digo que ser solteiro não é tão bom assim.
- Ah, claro que é! Você que é feliz!
- Mas você tem filhos, eu não.
- Também não tem dor de cabeça!
- Ah, claro que tenho. Cada um com seus problemas, né? Você ainda tem o sorriso do seu filho pra te alegrar. Eu, nem isso.
- Meus filhos só dão trabalho e preocupação, e não reconhecem nada!
- Poxa, queria tanto ter um filho... nem iria ligar se não reconhecesse, queria tanto cuidar de alguém...
- Você é doido!
- Então porque você teve filhos?
- Sei lá, porque eu tava me sentindo sozinha e ser sozinha é ruim.
- Entendeu o que eu tô tentando te falar até agora?
- Ah... você reclama de barriga cheia.
- É, ninguém entende a gente.
- É verdade.
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Receita do "sabe-tudo"


Já viu alguém fazer curso de informática sem ter computador? É um monte de teoria, um monte de palavras desconhecidas, que, ao primeiro vento, somem da cabeça para nunca mais. Não é por distração. Ensinamentos são inúteis quando não têm aplicação.
Agora, para alguém dominar o computador rapidinho é só falar que no MSN dá pra namorar, no orkut dá pra rever amigos, mostrar fotos. Aí, em dois tempos o analfabeto virtual fica expert, dá dicas e sai navegando sozinho, sem medo de ser feliz.
Para aprender uma língua? Arrume um namorado estrangeiro. Para emagrecer? Marque um encontro com ele daqui a dois meses. E assim os estímulos vão nos guiando, a motivação vai surgindo sem precisar fazer consulta com o Shinyashiki.
O tal do "sabe-tudo", nada mais é do que uma pessoa que, um dia, se perdeu. Ou pior, que nunca se achou. Aí sai procurando aqui, estudando ali, até que um dia, tem uma cultura geral de fazer inveja. A base de tudo é o incômodo, o "estar perdido".
Quem não se perde, não se procura. Nem sempre quem procura, acha.
Às vezes achamos sem querer. Outros, mesmo procurando, não acham.
O tal do "sabe-tudo" não "se acha". Se procura.