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Triste Vítima



Será que apresentadores de TV tem real noção do alcance de suas palavras?

"Gente que mora em cidade pequena não tem o que fazer"
(Silvia Popovic, 09/11/2009)

PROPAGANDA ELEITORAL


Desgraça pouca é bobagem ! Está tramitando na Câmara o Projeto de Lei Complementar 492/09, que permite a publicação, na internet, de texto, som e imagem relacionados a programas de ação e propaganda eleitoral sob a responsabilidade de candidato ou titular de mandato eletivo. Pelo projeto, esse tipo de divulgação não será considerado crime eleitoral nem conduta passível de inelegibilidade. A proposta, que tramita em regime de prioridade, será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e pelo Plenário.

Ronaldo Brahmeiro


Eu ia escrever sobre a propaganda do Ronaldo, mas encontrei um texto ótimo... esse é o país onde o maior atleta é garoto-propaganda da droga mais viciante e perigosa, onde o médico não mede a pressão do paciente, sendo que as doenças cardiovasculares são as que mais matam... onde a companhia de trânsito infringe as leis de trânsito a todo o tempo, e onde a polícia não corre atrás do bandido quando a gente chama.


Da FOLHA DE SÃO PAULO

Por JOSÉ ROBERTO TORERO

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Comparar as heroicas voltas de Ronaldo ao futebol com o suor da cerveja é chamar o espectador de estúpido

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BEBERRAZ leitor, alcoofilista leitora, vocês viram o comercial do Ronaldo? O comercial da Brahma? Para quem não viu, faço um resumo: ele aparece driblando vários obstáculos, faz um trocadilho entre o suor dele e o suor da cerveja e acaba dizendo, com um copo na mão, que é um “brahmeiro”.

Como assim? Um atleta importante fazendo comercial de cerveja? Ou pior, um atleta ainda gordo, em recuperação, fazendo comercial de cerveja? Não entendi. E não entendi porque me parece uma propaganda ruim para os dois.

Para a cerveja, porque eu, vendo o comercial, penso: “Poxa, cerveja engorda pra caramba!”. Para o jogador, porque mostra que ele não é um atleta sério. É um cara que bebe mesmo ainda estando longe da sua melhor forma.

A Brahma e Ronaldo já estiveram juntos em outros comerciais. É uma parceria antiga, desde que ele tinha 17 anos. Mas ela já foi mais sutil e inteligente. Lembro que houve uma propaganda chamada “Guerreiro” em que apenas aparecia o rosto do jogador e havia um bom texto ao fundo. Outra trazia Ronaldo como um toureiro, driblando um touro várias vezes até que o vencia e abria a garrafa nos chifres do animal.

Mas este novo comercial está bem abaixo dos anteriores. Agora há uma ligação direta entre futebol e álcool. E obviamente os dois não combinam. A campanha ainda teve o azar de vir logo depois do anúncio de aposentadoria (talvez compulsória) de Adriano, que tem seu nome associado a problemas com bebidas. E jogador fazer propaganda explícita de cerveja, não dá. Passa da conta.

A legislação permite que as propagandas de bebidas abaixo de 13 graus GL (Gay-Lussac) sejam exibidas em qualquer horário. Por isso é que vemos comerciais de cervejas e dessas vodkas ice a toda hora. Porém, em maio de 2007, Lula assinou um decreto que classificou como alcoólica toda bebida com mais de 0,5 grau GL. Só que, inexplicavelmente, esse decreto não restringiu a propaganda de cerveja.

Voltando ao comercial, que foi criado pela agência África, no texto o atacante afirma que tem orgulho de “cair e se levantar”. O redator não devia estar sóbrio quando o escreveu. É uma frase muito infeliz. Uma piada pronta. Tanto que, na mesma hora, o amigo com quem eu via o jogo comentou: “Cair e se levantar não é grande coisa. Qualquer bêbado consegue isso”. E comparar o esforço heroico de Ronaldo para voltar três vezes ao futebol com o suor da cerveja é chamar o espectador de estúpido. É fazer troça da fantástica recuperação do jogador, que deveria falar “Eu sou artilheiro” e não “Eu sou brahmeiro”.

A publicidade brasileira, que já foi das melhores do mundo, vem piorando nos últimos anos. Mas, agora, se superou. Acho que, pelo menos, para desencargo de consciência, esta nova propaganda deveria vir com um daqueles avisos no final, algo do tipo: “O Ministério da Saúde adverte: Cerveja dá barriga e faz você confundir mulher com similares”.

Grande Vencedor

Nada melhor do que coroar um grande babaca como vencedor de uma grande porcaria como foi o BBB9. Só se salvou mesmo o show do Zezé e do Luciano. Imagine como foi o resto...

Cadê ele? Tá preso, mas volta já.

Ninguém pensou que esse dia fosse chegar. Mas chegou:

Ir pra cadeia, virou coisa normal.

Num mundo onde os valores estão se modificando, a cadeia virou programa de final de semana. Dado Dolabella, Bello, Paulo Maluf, a dona da Daslu e até o filho do Pelé já passaram por lá.

Rita Cadillac faz show de vez em quando. Sidney Magal também. Dizem que a festa é animada.

Antes, quando alguém queria por medo no outro falava assim:

- Cuidado!!! Olha que desse jeito você vai ver o sol nascer quadrado!!!

E quem se importa? O importante é que a cerveja não desça quadrada. De resto...

E Viva Ronaldinho e suas confusões! Viva Robinho e seus escândalos! E "vamo que vamo".

Cliente da Daslu? Não? Tem fatura para nós!


Eliana Tranchesi, dona da badalada Daslu, foi condenada a 94 anos de prisão.
Ela, como todos nós, deve estar intrigada.
Todos sabemos que a Daslu nada mais é do que a 25 de Março dos milionários e já nasceu irregular.

Ela era um tipo de sacoleira dos ricos e famosos quando fazia suas viagens ao exterior.
Mesmo assim, manteve seu comércio durante muitos anos dentro de sua própria casa, na chamada "Zona 1", onde não pode haver comércio de jeito nenhum.

Uma vez ou outra ia alguém lá para perturbá-la, mas mesmo assim, desde aquele tempo, era paparicada pela Vejinha e por todas as colunas sociais, figurando como empresária bem sucedida. Amaury Jr. cansou de entrevistá-la.

Quando a bomba estourou, nada menos do que a filha do Governador Geraldo Alckmin trabalhava lá.
Seus clientes sempre foram os mais abonados da sociedade e condená-la a 94 anos de prisão, após tantos anos de glória, parece até piada.

Imagino que ela não tenha conseguido subornar as pessoas certas, porque para que tivesse chegado onde chegou, sendo ovacionada pelos meios de comunicação durante décadas, muitas pessoas "idôneas" se envolveram com esse esquema.
A Daslu nunca se escondeu, muito pelo contrário, construiu um castelo e não poupou esforços para reluzir. Se eles fizeram isso, estavam muito bem amparados.

Errados estão todos, tanto ela quanto os clientes, que sabiam muito bem o que compravam.
E eles são advogados, juízes, políticos, artistas e outros empresários multimilionários.
Novamente o Brasil condena os traficantes e libera o uso das drogas.
Não é de se estranhar que os traficantes fiquem tão bravos na cadeia, sabendo que os juízes e advogados que os condenam e perseguem são nada menos que seus clientes, usuários de drogas nas horas vagas, e donos da verdade quando lhes convêm.

Um dia sugeri à minha família que fôssemos conhecer a Daslu, só a título de curiosidade.
Porém, informados sobre o preço do estacionamento, desistimos da idéia na hora. Aquele preço, só pra político.

O dinheiro que Eliana sonegou, o Governo deixou de roubar. Para nós, que não podemos visitar a Daslu, tanto faz como tanto fez. Só que agora, se ela for mesmo pro presídio, o povo, que nunca pôde entrar lá, é quem vai ter que pagar a estadia e as marmitas da nobre senhorita.

Agora SP

22/03/2009 - 10h10
Jornal "Agora" festeja dez anos de vida e cinco de liderança

da Folha de S.Paulo

O jornal "Agora São Paulo", do Grupo Folha, comemora hoje o décimo aniversário de um projeto editorial que renovou o jornalismo popular no Estado. Criado para substituir a "Folha da Tarde", que na época vendia cerca de 15 mil exemplares diários, o "Agora" priorizou a prestação de serviços e a defesa dos direitos do cidadão.

Em 2004 ele tornou-se líder de venda em banca em São Paulo, e desde então vem ampliando sua vantagem. Em janeiro último, segundo o Instituto Verificador de Circulação, o "Agora" tinha uma circulação diária de 93.661 exemplares, contra 61.444 do "Diário de S. Paulo" e 51.473 do "Jornal da Tarde".

Como afirma o editor do jornal, Nilson Camargo, "o "Agora" rompeu com o desgastado modelo sensacionalista que valorizava o noticiário de casos policiais, histórias inverossímeis e mulheres despidas de qualquer bom gosto em suas páginas. O foco do "Agora" é a defesa dos interesses cotidianos do leitor como cidadão, contribuinte, consumidor e trabalhador".

Em 2003, por exemplo, o "Agora" revelou que mais de 2 milhões de aposentados tinham direito à correção de perdas sofridas com antigos planos econômicos, impulsionando uma onda de revisões que beneficiou os segurados do INSS.

O "Agora" é um dos poucos veículos do país a dedicar uma página diária para defender o leitor em suas relações com as empresas e o Estado. Em dez anos, o jornal expôs 22.813 reclamações, das quais 73,9% foram resolvidas. Além disso, fiscaliza a qualidade dos serviços públicos, como transportes, hospitais, escolas e áreas de lazer --parques, praças e centros esportivos. "O jornal também se preocupa com o lazer do trabalhador e da dona de casa, apresentando extenso noticiário esportivo e dos programas de TV", afirma Camargo.

É isso que explica a liderança do "Agora" em seu segmento: "Somos pragmáticos e não temos vergonha de fazer um jornal simples todos os dias. Não queremos reinventar a roda e nem fazer um jornal para ganhar prêmios em júris formados por colegas. Fazemos um jornal útil, e o leitor sabe disso".

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Aos colegas:

--> *Espero sinceramente que o jornal não se esqueça de seus princípios e se curve aos apelos de vendas, veiculando imagens vulgares em suas páginas de esportes, em sua contra-capa, que tome mais cuidado com os títulos e manchetes, para não cair no sensacionalismo nem no mau-gosto, infringindo assim a proposta inicial na época de nascimento do jornal.

Que o jornal aniversarie e renasça, tentando se readaptar aos seus próprios valores. Pois ao que me parece muitos dos princípios se perderam nesses dez anos de estrada, especialmente nos últimos dois anos. Que o número de exemplares não seja o objetivo principal, mas sim a consequência de um jornal de qualidade, bem-quisto por seus consumidores (pessoas simples, sim, mas não ignorantes).

Que popularidade nunca seja confundida com vulgaridade. Que simplicidade não seja confundida com burrice. Que gírias não sejam confundidas com falta de respeito. Que brincadeiras não sejam abre-alas de preconceitos. Que colunistas não vejam seus textos como conversas de bar. Que a psicóloga pare de incitar o sexo inconsequente. Que os anunciantes não sejam os donos das notícias. E que seus profissionais amem o periódico incondicionalmente, vendo nele uma ferramenta para o desenvolvimento social.

Que o Agora SP seja o veículo de informação e também de instrução, ampliando os horizontes dos leitores, ajudando-os a construir a cidadania e lhes mostre o caminho para o livre pensamento, através do rico universo da simplicidade. Notícia simples não é notícia pronta. Informação não é ponto de vista.

Agora, com quase 100.000 exemplares vendidos em banca, não há mais desculpas para serem simplórios ou inconsequentes, pois a arma da comunicação, confiada ao periódico pelo sucesso de vendas, torna-se cada vez mais poderosa.
Que seja usada para o bem, nunca para o mal.

Que o jornal mais vendido nas bancas da cidade seja digno da magnitude de São Paulo, e que seja motivo de orgulho tanto para seus leitores quanto aos seus colaboradores.

Notícias nos Jornais

Oh! Oh! Oh! Seu Moço!
Do Disco Voador
Me leve com você
Prá onde você for
Oh! Oh! Oh! Seu Moço!
Mas não me deixe aqui
Enquanto eu sei que tem
Tanta estrela por aí...

Andei rezando para tótens e Jesus
Jamais olhei pro céu, meu disco voador além
E nas mensagens que nos chegam sem parar
Ninguém, ninguém pode notar
Estão muito ocupados prá pensar...

S.O.S.
(Raul Seixas)
{o_o}
Ouça Aqui

A polêmica do Bispo de Pernambuco

Depois da volta do Ronaldo, o principal assunto dessa semana é a história da menina de nove anos que foi estuprada pelo padrasto e ficou grávida de gêmeos, lá em Pernambuco.

O arcebispo decidiu excomungar os médicos que praticaram o aborto preventivo, mas não excomungou o padrasto estuprador.

A idéia que fica no ar é que, para a Igreja, a prática do estupro pode não ser assim tão grave. Vai ver que é um pecado "venal" e não "mortal". E isso explica o porquê de manterem tantos padres pedófilos sob o manto da proteção do Vaticano.

Quando eu fiz catecismo (hoje chamado de "evangelização infantil"), aprendi que devemos amar ao próximo como a nós mesmos. Não roubar, não matar, não cobiçar a mulher do próximo (deve ser por isso que tanta gente não gosta de mulher :/).

Talvez ao invés de falarmos sobre a defesa à vida, devêssemos começar a discutir sobre a importância da Instituição Igreja na sociedade. Como o bispo se deu o direito de professar sobre um assunto onde a melhor coisa teria sido ficar calado, acredito que nós, cidadãos que mantemos a Cúria e toda a estrutura de valores questionáveis da igreja, também devemos fiscalizar seus atos.

Já que é a sociedade quem paga a conta dos coquetéis anti-AIDS, já que é a sociedade quem paga a conta pelas milhares de crianças abandonadas, já que é a sociedade quem paga a conta pelos milhares de delinqüentes mantidos em cárcere, vamos começar a pensar nas contas da Igreja, e no prejuízo psicológico e financeiro que essas pessoas vêm trazendo à nós, cidadãos honestos e cumpridores das leis de Deus.

Para quem não tem boa memória, basta relembrar dois mandamentos, onde estão inseridos todos: "amar a Deus sobre todas as coisas" e "ao próximo como a nós mesmos".

Será que Deus gostaria de ver uma criança de nove anos grávida e doente, sofredora de abusos sexuais? Será que nós gostaríamos de nos ver assim? É tempo da Igreja repensar os valores, pois hoje os preservativos são quase tão importantes quanto a estrutura de saneamento básico para a prevenção de doenças físicas e sociais.

Minha proposta é a seguinte:

Já que é o povo que mantém os salários dos bispos e sua vida confortável e já que eles não pensam em acompanhar as mudanças do mundo e na necessidade de reverem os seus conceitos, é hora de mostrar a eles que a sociedade diz NÃO à hipocrisia e às escrituras escritas sabe lá DEUS por quem. (A Inquisição que não nos deixa mentir).

Minha proposta é boicotar a infra-estrutura confortável dos donos da verdade. Não como um ato contínuo, mas como um protesto, mostrando que nós precisamos de líderes espirituais que realmente tenham compromisso em melhorar o mundo dos vivos, e não apenas prometer um paraíso aos mortos.

O Brasil de hoje é um país EVANGÉLICO, pois muitos desistiram de tentar encontrar nexo na igreja CATÓLICA. Muitas dessas pessoas acabaram caindo em armadilhas ainda piores, então é preciso estarmos atentos, pois Deus fala com a gente em silêncio, não aos berros, em microfones de templos com telhados de vidro.

Para quem não sabe como funcionam as contas da igreja, aqui está uma cópia do balanço mensal da paróquia da minha região (distribuído gratuitamente a quem possa interessar, durante o ano todo).

FINANÇAS DA PARÓQUIA
Nsa Sra Rosário Pompéia

DEZEMBRO/2008

Histórico Entrada

Dízimos 30.601,00
Batizados 610,00
Casamentos 4.640,00
Donativos e Coletas de Missa 36.718,54
Venda de mat. de culto 6.507,09

Histórico Saídas

Coleta Centro Social 4.716,00
Coleta Missões 4.175,02
Contribuição Mitra
Arquidiocesana 4.250,00
Contribuição Província
Camiliana 3.500,00
Despesas Admnistrat. 4.195,93
Despesas Bancárias 698,29
Despesas Gerais 6.762,04
Doação Santa Catarina 9.045,00
Devolução de Espórtulas 2.467,00
Folha Pagamento Funcio. 17.137,59
Honorários Pe. Arlindo
e Pe. João 2.600,00
Manutenção e instala. 1.534,22
Material de Construção 3.292,72
Reforma Pintura 3.000,00
Reforma Telhado 6.000,00
Reforma Vitrais 18.791,90

TOTAIS

Entrada 79.076,63
Saída 92.165,71
Saldo - 13.089,08

O Dízimo representa 38,70% da receita, e chega a mais de 50% em meses normais.
Portanto, só UMA igreja de UM bairro de São Paulo, que é UMA cidade do Brasil, doou à ARQUIDIOCESE e a um grupo geral de religiosos quase 8.000,00.

Multiplicando-se esse valor pelo Brasil todo, gostaríamos de saber para onde vai tanto dinheiro. Acho que daria para não existir mais nenhuma pessoa em condições de rua, ou ao menos se fazer um trabalho de prevenção à condição de miséria, já que a VIDA é tão preservada por esse grupo de religiosos.

Vamos pedir para que a ARQUIDIOCESE seja honesta como a Paróquia da Pompéia e ABRA SUAS CONTAS. E aí sim, no dia em que se tornar REALMENTE CONFIÁVEL, possa vir a aconselhar a sociedade sobre condutas morais.

A danada da vírgula veio certo, mas que ficou engraçado, ficou

Vejam essa notícia de hoje:

O artilheiro Keirrison comemora a boa fase "com a camisa do Palmeiras", mas na foto ele se exibe de braços abertos com uma camisa nada menos do que "preta e branca".

Se houvesse uma vírgula separando a "boa fase" da "camisa", a notícia estaria errada. O texto veio certinho, mas que ficou engraçado, ficou.
Clique aqui para acessar a notícia

Protesto original no Jornal do Bairro (Jornal da Gente, Lapa)


Registro: 1410
De: OLHO NELES
Para: ..JESUS CRISTO...
Data: 12/2/2009 07:14:40
Sua bronca:

..SENHOR..NAS ORAÇÕES QUE A SUB PREFEITA FAZ DIARIAMENTE,PEDINDO SUA AJUDA, POR FAVOR DIGA PRA ELA QUE TEM UM PORTÃO QUE SE ABRE E PERMANECE ABERTO TODO O DIA OCUPANDO METADE DA CALÇADA DEFRONTE AO NUMERO 272 DA RUA CLELIA,ELE NÃO CONSEGUE ABRIR PRA DENTRO DA PROPRIEDADE E COMO É UM ESTACIONAMENTO FICA NA METADE DELA INTERDITANDO A PASSAGEM...AMEM...

Dá pra entender


Já que o BBB está na 9a. edição, algum fascínio muito grande sobre os seres humanos deve exercer.

Ontem consegui entender um pouco. Primeiro porque girei duas vezes as dezenas de canais da TVA e achei outros programas igualmente ruins, então deixei na Globo porque era dia de paredão.

E tinha um cara tão chato ali, que eu comecei a torcer para que ele saísse urgentemente. Tive até vontade de ligar, só pra vê-lo sair com uma porcentagem de votos beeeeem grande.

O Big Brother é um reflexo da vida da gente. Seria bom que pudéssemos mandar um SMS para algum número e que em alguma noite de terça-feira aquela pessoa tivesse que sair do grupo, da casa, do ambiente de trabalho.

Votaríamos nos mais pentelhos e pronto! Adeus, mala.

Acho também que as pessoas assistem para ver se os bonitões também acordam com cara de travesseiro.

O Bial ontem teve que recorrer ao dicionário para justificar o fato de chamá-los todos os dias de "heróis". Ele também tem um pouco de vergonha de fazer isso, e dá risada quando fala.

De resto foi só isso. O chato saiu, a loira deu um beijo na boca da Vovó Naná. Selinho de mãe pra filha, deve ser.

Hoje a Ana Maria Braga quis saber se a namorada dele estava chorando. Nada de lágrimas, já que aumentou a chance de ganhar o milhão. Que nós vamos patrocinar com nossos SMSs, que, em números, representam a vontade louca que a gente tem de fazer sumir do mapa as pessoas que nos incomodam. Mesmo que tenhamos que pagar pra que isso aconteça.

Big B Brasil

Hoje não estava com vontade de remar contra a maré e sintonizei o canal ao vivo do BBB9.

Das 11:20 até o 12:00, fiquei vendo a Vovó Naná dormir e lendo os papinhos do chat:
- Dá um susto nela!
- Será que ela vai babar?
- Por que será que não mostram a Josiane?
- Ah... vou mudar de câmera!
- Será que ela morreu?
- Acorda Vovó!

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Quem será que vai acordar primeiro?
A Vovó Naná, ou os telespectadores?

Criança mimada


Após meses e meses de glórias e elogios rasgados, o técnico Muricy Ramalho perdeu sua invencibilidade. E agiu como uma criança marruda, que, decepcionada, põe a culpa no primeiro que aparece pela frente.

Foi grosseiro, desrespeitoso e ignorante. Não concordo que seja uma pessoa mal-humorada. Acredito se tratar de alguém que tem o EGO do tamanho do Estádio do Morumbi, pois perdeu a esportiva na primeira derrota.

Uma pena ter dado esse péssimo exemplo aos adolescentes, que são em sua maioria sãopaulinos, por terem crescido assistindo às glórias do clube.

O que a Imprensa vem chamando de mau humor, nada mais é do que falta de educação (que segundo Antero Greco, apresentador do SportsCenter ESPN - ou a pessoa tem, ou não tem).

A equipe da ESPN, a partir dessa semana, desligará a câmera quando o técnico estiver em coletiva. E tornará a ligá-la assim que algum jogador aparecer para falar. Tomara que não seja a única.

Será que uma pessoa tão badalada, com um salário fantástico e uma carreira vitoriosa, não deveria ser bem-humorada ou ao menos educada?
Será que dinheiro traz felicidade? Será que compra educação?

O Globoesporte fez uma brincadeira falando sobre os tratamentos para o mau humor clique aqui para assistir, mas deveria ter feito uma reportagem falando sobre a possibilidade de se reeducar uma pessoa às vésperas da terceira-idade.

Será que ainda dá tempo?

Topa tudo por dinheiro



Rodrigo Faro trabalha bastante, mas também deu muita sorte. Desde criança, ganha muito dinheiro fazendo comerciais, novelas, e dançando em bailes de debutantes. Garoto-propaganda da Dellano, vendeu Tele-Sena e agora virou apresentador de TV.

Quando eu estava na faculdade, ele também estudava lá. Hoje, assistindo ao seu programa, tive mais uma prova de que a faculdade não me serviu para nada. Nem pra mim, nem pra ele, que protagoniza um quadro onde os seus ilustres convidados destróem um New Beetle a marretadas.

Em tempos de incentivo ao Consumo Consciente, onde os jovens andam violentos e as tragédias naturais dão sinais claros de que os métodos de produção da economia são nocivos (prova disso são as enchentes e o calor de arrasar na Austrália), Rodrigo Faro inventou um jeito muito esquisito de divertir os telespectadores:


Enquanto um convidado qualquer erra todas as respostas de um quizz, os outros destróem seu prêmio aos poucos (um New Beetle, novinho). Como na brincadeira da forca, ao invés de desenhar a cabeça, depois o pescoço, até enforcar o boneco, Rodrigo Faro manda os convidados (o Kiko do KLB, a Mara Maravilha e o Sérgio Mallandro) quebrarem os retrovisores, o capô, picharem a pintura e arrebentarem os vidros.

Todos morrem de rir, alheios a tudo o que está acontecendo com o universo e com a necessidade de repensar os valores transmitidos pela televisão. Esse quadro passa aos jovens que destruir um bem não é tão grave, é apenas uma brincadeira.

Uma pessoa com a cultura, o poder aquisitivo e a posição social de Rodrigo Faro, incentivar o vandalismo, é algo sem explicação.

Geralmente a sociedade diz que pessoas como ele - as que deram certo na vida, bem-sucedidas - "chegaram lá". Eu não sei bem onde fica isso, mas se estiverem se referindo a um lugar bom...

Enquanto não chegamos lá, vamos tentando encontrar uma forma de punir os vândalos. Precisamos exterminá-los da face da terra - o que será difícil, pois estão em toda parte.

Tragédias e audiência

A televisão separou minha família.
Esse monte de notícias sanguinolentas fazem de nosso convívio diário um inferno.
Os mais novos sempre acabam acompanhando os mais velhos na escolha dos canais, mas está ficando difícil suportar tanta notícia ruim, uma atrás da outra.

Outro dia estava almoçando e o repórter falou que os bandidos cortaram as cabeças e rasparam as digitais para que os cadáveres não fossem reconhecidos.

É sangue pelo chão, trombada, roubo, sumiço e pontaria.

Então estava pensando no porquê das pessoas darem audiência para esse tipo de jornalismo. E cheguei a uma conclusão:

A vida é muito monótona. Todos os dias são mais ou menos iguais. As pessoas falam as mesmas chatices de sempre. A gente já até sabe o que muitos vão falar, antes mesmo de abrirem a boca. E a vida é assim mesmo, não tem como mudar.

Só que muitas vezes a gente fica irritado, querendo largar tudo, tomar chá de sumiço.

Aí aparece alguém na TV que deu um tiro na sogra, roubou o banco ou tirou a roupa na rua. E por dentro a gente sente que há coisas diferentes a serem feitas. E essas coisas, por mais tristes que sejam, dão uma quebrada na monotonia.

Pode até ser que a gente não admita, mas no fundo, já tenha pensado em dar um tiro em alguém. Porém, munidos de nossa consciência do certo e errado, rapidamente desviamos esse pensamento, baseados nos princípios e na lei de Deus e dos homens, que não consideram certo fazermos justiça com as próprias mãos.

Muitos de nós não saem de casa sem antes encher a cabeça de gel e deixar o cabelo 100% arrumado. As mulheres gastam os tubos em salões de beleza para esconderem os cabelos brancos. Aí, quando aparece alguém que pinta o cabelo de azul, enche o corpo de tatuagem e piercings, acaba chamando atenção mesmo.

Quando aparece a Mulher Samambaia, a gente fica pensando se nossa vida seria diferente se tivesse aquele corpo. E que seria muito mais fácil ganhar dinheiro assim, na cara de pau, ao invés de ficar se esfolando todo. Será que a Mulher Samambaia também toma tantos chifres quanto a gente? Dá a impressão que não. Quem seria mais gostosa que ela? Acho muito difícil - até mesmo impossível.

Talvez no fundo a gente queira ter a coragem de fazer outras coisas, de falar um NÃO bem redondo para esse sistema quadradinho. De ir pra praia de nudismo, de subir no balão do padre ou montar uma igreja pra ganhar dinheiro no mole.

Já pensou em arrancar a roupa no meio da rua? Ia ser engraçado ver a cara das pessoas. Não que fosse um ato libidinoso, porque depois de tantos peitos e bundas na TV, ninguém tá nem aí para a nudez. Mas pela possibilidade de cometermos um ato transgressor.

Matar alguém já é demais, eu penso. Mas que tem dias que essa idéia passa pela cabeça da gente, isso tem.

Amaury Jr.: tão engraçado quanto Zorra Total


Sabadão em casa e o programa é sempre o mesmo: acaba a novela e começamos a assistir Zorra Total.
Mas como o Zorra é mais ou menos parecido toda semana, logo lembramos de por no Amaury Jr. Lá, pelo menos visitamos alguma festa diferente ou assistimos a algum famoso falando asneiras.

Como não temos prestígio nem cacife para freqüentar as festas dos bacanas, temos em Amaury Jr. uma espécie de amigo que, solidariamente, se enfiltra nos eventos e com muito jogo de cintura arranca fofocas e confissões entre um e outro gole de champagne.

Amaury é divertido. Hoje acenou do interior de uma carruagem digna de Cinderela numa festa no Museu do Ipiranga, onde estavam sendo lançados deliciosos sorvetes de palito. Os famosos, totalmente emperequetados, tentavam lamber os sorvetes da maneira mais classuda possível. E Amaury não parava de inventar frases para tentar descrever o quanto é chique chupar sorvete. Teve um dia em que estava na festa de um grande laboratório e conseguiu encontrar formas pomposas de falar sobre o Viagra.

Amaury é, no fundo no fundo, um grande educador. Ensina que para deixar de ser alcóolatra sem parar de beber, basta apenas subir na vida e passar a freqüentar o Jockey, o Copacabana Palace e as festas do Congresso Nacional. Quem conseguir esse feito galga também outro importante degrau na escala social: suas fofocas deixam de ser "papo de maricotas" e passam a ser "bisbilhotices".

Quem não tiver grana mas quiser topar com Amaury por aí, não é difícil. Basta guardar uns trocados no cofrinho e quando for comprar algum artesanato, procurar se informar sobre os leilões e bazares beneficentes agendados pela cidade. Artesanatos comprados assim costumam ser chamados de obras de arte. Em clubes como A Hebraica, Pinheiros e Paulistano, vira e mexe rolam alguns. E aí também está nossa grande chance de por os pés nesses lugares, onde a gente nunca poderia entrar a não ser que fosse a trabalho.

Obrigada Amaury!
Você é nosso guia turístico no mundo dos endinheirados! Seu programa é muito divertido e também nos ajuda a fazer economia.
Enquanto seus entrevistados torram fortunas em clínicas para manterem nos rostos a expressão de sorriso constante, nós, desse lado, sem gastar um tostão, todo os sábados morremos de tanto rir.

Castigo vem a cavalo?

Susana Vieira
Essa frase escuto desde que sou criança:
- Olha... cuidado... castigo vem a cavalo!
Contando com isso, pensava duas vezes antes de aprontar. Não que não fizesse as minhas, mas tinha medo do tal do cavalo, que nem sempre aparecia. Porém quando ele vinha... me derrubava da bicicleta, me fazia enroscar o dedinho do pé no cantinho da mesa ou passava a perna enquanto eu estava correndo.

Mas hoje, como tudo é feito a "toque de caixa", o cavalo já era. Castigo vem de metrô, de Ferrari. Vem até pelo Sedex 10.

A última história que lembrei foi quando os Mamonas morreram. Os mais idosos e religiosos juravam que aquela desgraça fora fruto de um destino que eles mesmos plantaram: falavam obscenidades, muitos palavrões e Deus não gosta disso. É... isso é que dá não ter religião... Olha aí que judiação...

As crendices populares não precisam de muito para serem alimentadas, mas casos como esse, da morte de Marcelo Silva, ex-marido de Suzana Vieira, logo após deitar e rolar sobre os valores morais e éticos, deixam até os mais céticos com a pulga atrás da orelha.

Morreu pelo que tudo indica de overdose. Mas morreu. O cachorro de Suzana já tentara fazer esse serviço anteriormente - sem sucesso.

Deus que o tenha no lugar que ele merece, pois o Padre me ensinou: não temos competência nenhuma para julgar ninguém.
Ele me disse que entre o coração de um homem e Deus não há nada, nem ninguém. Seja ele quem for.

Mas uma coisa já percebi: quando a gente vai se afastando de valores bacanas, vai perdendo o eixo de uma forma muito perigosa: primeiro é só uma traição boba, que ninguém vai ficar sabendo. Depois, a traição vai sendo recorrente e se torna algo normal - até ser descoberta. Aí vem o choro, a mágoa, em algumas vezes a separação e em outras o perdão.

E a essa altura a traição, assunto não mais proibido, torna a acontecer. E o traído que generosamente concedera o perdão, passa a fazer o papel de "corno manso", deixando o papel de vítima para se tornar o vilão da história:

- A culpa é sua! Quem mandou perdoar?

E o traidor, incólume e com cara de paisagem, diz que foi só uma fraqueza, um "lance" sem importância, coisa passageira. "Não é pra tanto drama".

Quem perdoa não pode mais se indignar, fica desmoralizado.

E esse é o ciclo da inversão de valores.

Ninguém sabe se quem trouxe a morte foi a droga ou o cavalo.
E também não sabemos se para quem vive num mundo como o nosso, a morte ainda possa ser considerada um castigo.

Hoje estou sem assunto


Mais um dia se foi e quando fui ver A Grande Família já estava começando.
Aí me deu uma aflição, porque parecia que fazia tão pouco tempo que eu tinha assistido A Grande Família da semana passada...
Bem, a mulher do prefeito da novela foi arrastada em praça pública e esfolou os joelhos como Jesus Cristo.
Imagino quantas mulheres inocentes vão apanhar essa noite por causa desse bom exemplo da novela.
É terrível pensar que tanta gente boa passa o dia todo tentando educar, pra TV vir a noite e ensinar a trocar remédio de pressão e outras malvadezas mais.
Por isso sou a favor da censura. A censura não apenas em relação ao sexo, mas em relação a assuntos que podem ferir pessoas.
O pai de meu amigo tomou soda cáustica líquida após assistir a reportagem no Gugu.
Aproveitou a idéia. Não é mentira. Alguns dias após a grave queimadura interna, faleceu.
E nesse caso, quem se responsabiliza? A TV não é concessão pública? Por que não ser o maior veículo educativo já que não temos professores que bastem para tantos brasileiros nesse sertão de "meu Deus"?
Tirando que continuo achando que o mundo tá perdido em questão de sentimentos, de resto tudo igual.
São Paulo é a quarta cidade mais gentil do mundo.
Eu imagino então como sejam as outras.
Tive a prova que o paulistano prefere muito mais fofocas a outros tipos de assunto, cuidar da cidade, por exemplo.
Quando fecho o orkut os acessos somem, mas quando abro os recados ultrapasso cento e cinquenta acessos/dia. Pessoas ávidas por fofocas e outras notícias. Que não usam para nada, mas interessam.
Por isso a TV não muda.
Nesse blog, onde falo mal dos outros e de mim mesma, cheguei aos 3.000 acessos e não sabia que em menos de dois meses ganharia tantos adeptos.
Já no de São Paulo, ninguém entra.
Talvez a educação no país pudesse ser dada em pílulas, entre leituras de Contigos e Nelson Rubens. Teria um ibope e tanto. Quem não conhece a TECPIX? Já a bandeira da nossa cidade... nem eu conhecia até bem pouco tempo atrás.
Hoje, sem mais, boa noite que nem eu mais me aguento. (isso, ¨trema, pq a reforma ortográfica mandou cortar).