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Sobre tudo o que deu errado

E de novo parei pra pensar em todas as coisas que deram tão errado na vida mas que se for ver, nem deram tão errado assim. Minhas amizades de infância partiram. A vida pôs cada um para um lado e lá estão eles, sabe lá Deus como. Mas como se foram encontrei novos amigos ou novos conhecidos, e assim vivemos e trocamos ideias. Acreditava estar com pessoas sinceras, mas como tudo aqui nesse país é muito relativo, veio novamente a onda da relatividade e levou meus amigos pra primeira fila da Parada Gay. Dessa Parada eu só gostava das cores e da música, mas para isso eu não precisava ficar com eles. E lá se foram eles, até a Praça da Sé. Eu desci o túnel da Brigadeiro, subi no metrô e voltei pra casa, para sempre. Meus namorados também foram estranhos, alguns gostavam da música, das cores, e do caminho da passeata. Embora alguns acompanhassem de longe, meio envergonhados, não significa que não estavam segurando uma das pontas da bandeira com arco-íris, o que me parecia colorido demais para um pai de família. E veio a onda e levou um por um, graças a Deus. Fiquei sozinha durante muito tempo, e a liberdade me ensinou que ela pode ser criativa ou sufocante, dependendo de quanto a gente está se amando naquele dia. Meus dias de amor e desânimo foram se alternando, mas a vida foi passando e a erosão em minhas ideias rígidas me fez abrir a mente para novas descobertas. Fiz coisas que não imaginava, e não acho que foram assim tão incríveis, mas quando penso me divirto, e isso é o que importa. Com os relacionamentos sisudos tive dissabores, sofri e me decepcionei. Com outros relacionamentos me diverti tão rapidamente quanto esqueci o sofrimento, e percebi que a gente pode ser várias pessoas na mesma vida, isso só depende de quem a gente escolhe para por ao nosso lado. Quando estive ao lado de gente com cabeça de velho, envelheci junto. Quando estive ao lado de garotos, me tornei jovem. Ao mesmo tempo era jovem ao lado dos idosos, e idosa quando comparada aos jovens, então novamente percebi que tudo seria questão de eu escolher como me sentir. Filhos não tive, o que foi bom, já que quando eu era mais nova era muito impaciente e rígida. Hoje já tenho consciência que o silêncio é o melhor professor, então estaria mais preparada para educar alguém. Se meus filhos nunca vierem, também não fico triste, já que filhos são frutos de um sistema completo, e um sistema só existe quando é formado por várias partes. Não há filhos sem estrutura. E não há estrutura sem um relacionamento saudável. Sendo assim não acho que meus filhos estejam atrasados, apenas lamento não ter encontrado alguém para compartilhar a vida com alegria. O que em certo sentido foi bom, pois hoje tenho mais capacidade de encontrar alegria em situações diversas, então acredito que seja melhor companhia para alguém do que seria no passado. Então essa pessoa que me encontrar vai me ver com melhores olhos, o que significa que tudo está acontecendo no tempo certo. Se essa pessoa também não chegar nunca, vale a pena passar a vida procurando, já que os horizontes ficam cada vez mais abertos, e a liberdade me permite vivenciar qualquer coisa que eu desejar. Ser livre vai além de ter tempo, dinheiro ou disponibilidade. Ser livre é estar desprovido das angústias pelos fracassos do passado. Se aquilo que eu tanto quis não deu certo, hoje vejo que realmente não deu certo porque não tinha nada a ver comigo. Querer se unir a pessoas muito diferentes é como insistir em fazer um bolo crescer sem fermento. Embora o sal de frutas faça o mesmo efeito. Quanto à minha profissão, sorte minha ter deixado de exercê-la logo que me formei. Fiz tantas coisas diferentes, andei tanto por aí, aprendi tantas coisas... Perdi o orgulho, a impáfia, cheguei perto de lugares que nunca conheceria. Vivenciei situações que jamais esquecerei. Graças a isso consigo conhecer as necessidades alheias e olhá-las sem meu crivo crítico. Consigo enxergar a vida com olhos mais carinhosos. E acredito que nessas vivências tenha encontrado de verdade com Deus. Quer sucesso maior do que esse?

Poesia boa pra Cachorro


Au au au
Mas que vizinho cara-de-pau!

Enquanto o cachorro está latindo
O vizinho queria estar dormindo

Cachorro latindo nervoso
Deixa o vizinho furioso

Como descansar
Se o cachorro não para de berrar?

Quando o barulho vem do cachorro
Só ao dono podemos pedir socorro

De latido em latido
O vizinho fica mordido

Se o cachorro fosse bonzinho
Seria amigo do vizinho

Cachorro quietinho
É cada dia mais queridinho

O muro não separa
O barulho que o cão dispara

O dono saiu
O cachorro latiu

Seja maravilhoso
Mantenha o cão silencioso

Se o cão late à toa
O ladrão entra numa boa

O fim de semana é pra curtir
Mas o cachorro não me deixa dormir!

A roda melecada
Sujou minha calçada

O urinaço
Enferruja a porta de aço

O saco de cocô
Faz o maior fedor

O saco plástico,
Pra entupir bueiro
É fantástico

Cachorro que late demais
Não deixa o vizinho em paz

Meu cachorro é de raça
É limpinho por onde passa

Meu cachorro é educado
Deixa o vizinho sossegado

Seu cachorro é ladrão
Rouba o meu sossego de montão

O barulho da cachorrada
Deixa a vizinhança enfezada

Quando o cachorro dispara a latir
Me dá vontade de sumir!

Não que eu seja agressivo
É o latido que mexe comigo

Vamos colaborar
O vizinho precisa descansar

Quando o cachorro latir
O dono precisa agir

Tenha um cachorro educado
Mantenha o latido controlado

Seu cachorro só late lá no fundo
Mas na outra rua sentem incômodo profundo

Seu cachorro só late no portão
Mas o vizinho da frente escuta de montão

Meu desejo intenso
É manter a rua em silêncio

E livrai-nos de todo au-au, amém!


Limite

Ir só até aonde o coração aguenta.

Ué...

Isso eu li no blog da subprefeita da Lapa, respondendo às cobranças dos cidadãos-contribuintes:

"Hoje foi a Audiência no Jaguaré. Já enfrentei reações de desagrado em outros lugares quando eu digo "o Sumaré tem problemas, mas o Jaguaré tem MUITO mais"; "Vila Romana precisa de recapeamento, mas o Jaguaré está na frente da fila". Os distritos mais distantes tem problemas seríssimos - pela distância, pela história e características, pela falta de visibilidade na imprensa etc. Jaguaré, Jaguara e Leopoldina são muito mais maltratados do que Lapa, Perdizes e Barra Funda (que já tem lá seu caminhão de problemas)".

"No meio da exposição, eu disse que só em março, por exemplo, a Sub Lapa já podou 300 árvores, removeu mais de 30, plantou 108. São os dados referentes ao trabalho de todas as nossas equipes nos primeiros 20 dias do mês."

(Soninha Francine, Subprefeita da Lapa em 23/03/2009)

Ao ler essa declaração da subprefeita, algumas coisas me intrigaram:

  1. Se 300 árvores foram podadas em 20 dias, apenas 15 árvores são podadas por dia, o que dá uma média de 2 árvores por hora. Isso significa que a subprefeitura conta com apenas uma equipe para a poda de árvores na subprefeitura inteira da Lapa.
  2. Se o Sumaré, Vila Romana, Barra Funda e Perdizes têm um caminhão de problemas, mas estão no fim da fila para a resolução dos mesmos, não deveriam ter um abatimento em seus IPTUs, já que a prestação de serviços não é garantida nem prioritária? O que acontece não é o contrário? Essas áreas não contam com o IPTU bem mais caro do que Leopoldina, Jaguaré e Jaguara?
  3. Como a área de Perdizes está quase que totalmente verticalizada, contando com edifícios de no mínimo oito andares em média (muitos de mais de vinte andares), multiplicando-se o valor desses IPTUs todos não haveria disponibilidade financeira da Prefeitura para ao menos recapear as ruas? Minha rua, por exemplo, conta com mais de 2.000 habitantes em uma extensão de 1,5 km. Será justo escutar que não podemos ser atendidos pela Prefeitura porque há bairros mais distantes que têm prioridade?
  4. Afinal de contas, os impostos não são cobrados no compromisso da prestação de serviços durante o ano vigente? Se a prestação de serviços não se efetivar, é possível pedir ao PROCON nosso dinheiro de volta? É possível acompanhar o destino do mesmo?
  5. Não é preciso ser muito bom em matemática para fazer essa comparação: Se os bairros que têm os menores problemas arrecadam muito dinheiro em relação aos que têm os maiores problemas, não seria justo investir o dinheiro resolvendo os problemas pequenos (se é que se pode chamar de problema pequeno três óbitos por queda de árvores) e usar o dinheiro dessas pessoas para ajudar a resolver os problemas grandes das outras regiões?
  6. Ninguém está pedindo desconto no imposto, apenas solicitando a justa e obrigatória prestação de serviços mediante ao pagamento adiantado efetuado pelos milhares de contribuintes (apenas Pompéia e Perdizes somando cerca de 300.000 pessoas).
  7. É triste saber que novamente não teremos respaldo para a poda de árvores, para o recapeamento, para a coleta de lixo.
  8. É triste saber que o método de divisões de subprefeituras foi inspirado no Brasil, onde São Paulo tem que manter dezenas de outros estados, sem poder visualizar o destino de seus recursos.
  9. É triste saber que não existe ordem nem mão-de-obra suficiente na Prefeitura.
  10. Mais triste ainda perceber que o cálculo do IPTU é baseado nos panfletos enganosos das construtoras, que põem o preço que querem, atribuem o nome do bairro conforme lhes convêm, e a Prefeitura, ao invés de avaliar os imóveis por parâmetros próprios, toma base nesses parâmetros para lesar o contribuinte, respondendo com descaso, mil desculpas, falta de prazos e compromissos para devolver o que nos é de direito.
  11. Se não há previsão para a prestação de serviços, que não haja data de vencimento de nossas contas.
  12. Vexatório é o sistema, o método e o porta-voz.

Que lixo!



Tá certo que a Prefeitura é incompetente. Tá certo que a roubalheira é demais.
Mas o povo é pior que a Prefeitura e a roubalheira. O povo é omisso e colabora com as enchentes, com a falta de cuidados com a cidade.

O povo ainda não entendeu que as calçadas e as ruas são públicas, locais feitos para as pessoas passarem e circularem!

Calçada não é privada, não é lata do lixo, não é lugar de cuspir, de fazer cocô e xixi (nem humanos nem animais).

Não é possível que numa cidade como São Paulo os moradores ainda não tenham a consciência cidadã de manterem as ruas limpas... impressionante como se joga bituca de cigarro, saquinho, como se passeia com o cachorrinho fazendo xixi pra todo lado (até mesmo nos portões, nos quintais, dentro das casas alheias) sem ficarem vermelhos!!!

Parece que quanto mais as pessoas estão ganhando dinheiro e tendo acesso aos produtos, mais desleixadas com a higiene estão ficando.

Pisamos nas ruas cheias de fezes e de urina e entramos em casa, pisamos nos tapetes, deixamos nossos sapatos em casa.

Os bebês engatinham, põem a mão na boca, ninguém tá nem aí!!!

É muita porquice pro meu gosto.

A importância de ser bonito

Se o cachorro do vizinho não fosse tão bonitinho, alguém já teria acabado com a raça dele.
Mas ele é tão bonitinho...

Felicidade

Felicidade é estar desprovido de todo e qualquer tipo de angústia

Cabeça quente


Ah, que calor!
Nesses dias a gente lembra que morar na cidade não é bom negócio.
Dá tudo por uma praia, uma piscina, andar sem roupa. Só pensa em sombra e água fresca.
As noites são longas e de manhã, quando dá aquele soninho na hora em que está amanhecendo, o cachorro da vizinha começa a latir sem parar. Coitado, também deve estar com calor, mas que enche a paciência, enche.

Nessas horas a gente lembra que o capitalismo está destruindo o planeta e provocando o aquecimento global.
Ontem vi na TV um comercial onde pediam para que pintássemos os telhados de branco para ajudarmos a resfriar o planeta.
Em dias de calor, me sinto menos ser humano e mais "bicho". Fico pensando que nosso lugar não é em meio ao concreto, e não nascemos para andar tão vestidos por aí.
O calor aguça mais nosso senso de liberdade.
No calor, a gravata incomoda mais. Ficamos nos perguntando o tempo todo no porquê de não podermos andar à vontade e para onde os sapatos apertados estão nos levando.
Dias quentes me chamam para ser livre.
Sem falar que também me dão a noção exata do quanto valeria ter um bom ar-condicionado.

A culpa é do vizinho

Minha vizinhança é do barulho.
O menino do lado esquerdo, bate bola na parede até a hora que a mãe dá bronca e ele começa a chorar de se esgoelar. Berra, berra, berra.

Os outros vizinhos em volta combinaram de botar a cachorrada pra latir em horários alternados - assim ninguém fica mais do que dez minutos sem ouvir barulho de cachorro.
Esse expediente é digno da magnitude de São Paulo, ou seja, ininterrupto, 24 horas por dia.

Os cachorros latem pra brincar, para quem passa, para os estranhos, uns pros outros.
Latem porque o dono chegou, porque o dono viajou, porque não conhecem a gente ou porque alguém está soltando rojões.
O fato é que latem a valer.
Tem uma fábrica aqui na frente que tem dois cachorros, tipo o gordo e o magro.
Um é mudo e o outro late bem alto, de uma maneira desesperada, durante horas e horas a fio.
Isso já tem algum tempo, então, graças a Deus ele já está ficando rouco.
Seus horários preferidos são sábados, domingos e feriados, quando a galera da fábrica não está dando expediente.
O fato é que ele late num horário onde os donos não estão, então quando vamos reclamar parecemos chatos, porque afinal de contas, eles não escutam nada, uai.

E não por falta de barulho de carros, brecadas, campainha e motocas desreguladas nas mãos de adolescentes pentelhos, os vizinhos do outro lado curtem um dominó e um truco, daqueles bem desafiadores:
- TRUUUUUUUCOOOOOOOO!!!!!!!

O dominó é de bater as peças e embaralhar beeeeeem embaralhado, e claro, a tarde toda, porque jogo bom dura até o churrasco acabar (pro churrasco têm chaminé - graças!).
Ao final do dominó, rola um vídeokê básico, daqueles bem sertanejos.
No Natal compraram uma motoca movida a gasolina dessas que roncam e outro cachorro, desses pequenininhos (de madame), que latem fininho e ardido.

O barulho da cidade é um problema e tanto.
As pessoas não têm bom senso, abusam da paciência e transformam o que era pra ser dia de descanso de todos, em dia de lazer apenas deles.

O dinheiro não compra a educação, tanto que o bairro onde moro sempre foi modesto, mas as ruas eram limpas e as pessoas não incomodavam as outras. Tinham respeito.

Agora que os "vips" chegaram por aqui, as ruas estão muito mais sujas.
Nos parques não dá nem pra sonhar em sentar na grama, de tanto xixi e cocô.
Tem um monte de macumba na praça, porque botaram na cabeça que ela fica numa encruzilhada e é o lugar ideal para os despachos.
Entre a enorme quantidade de lixo, tem pinga, velas, frango, caveira, balas e outras oferendas de arrepiar.

Não sei o que seria de São Paulo não fossem os puxadores de carroça, catadores de lixo reciclável. Inteligentes, procuram por sustento em bairros abastados sabendo que, por uma estranha coincidência, lá encontrarão (em grande quantidade), a falta de educação espalhada pelo chão.

Meu bem, meu mal


Lembro como se fosse hoje o dia em que eu vi essa faixa.
Estava parada dentro de um ônibus, num trânsito infernal na Francisco Matarazzo por causa de um Shopping que veio pra tomar conta do pedaço.
Um pedaço que nos pertence por direito. Usucapião. Ora bolas, esse bairro é de quem mora aqui... Vem um pessoal sei lá de onde e faz um monstro gigante para bagunçar o coreto, sem dó nem piedade! Tenha paciência!

Mas a faixa indicava que alguma coisa estava errada e ainda em tempo, antes da desgraça ser oficializada, alguém finalmente tinha feito alguma coisa.
Inauguração adiada, bem feito! Pensam o que? Que aqui não tem lei? Que daqui ninguém cuida?
Enfim... o lançar de luzes neon pelas paredes da fachada e para o céu indicava que a inauguração realmente tinha sido apenas adiada, mas não cancelada.
Tanto que no dia seguinte, milhares de pessoas finalmente puderam conhecer o tão esperado centro de compras, após uma briga judicial ferrenha, muitas passeatas, olhares de esguelha e principalmente o suor de centenas de operários incansáveis no cumprimento de prazos e metas.
A grandiosidade da obra trouxe a muitos moradores um "quê" de nostalgia, de amargura e de medo.
Quantos anos se passaram sem que a gente percebesse?
Quantas coisas gigantescas foram construídas sem que nós nos déssemos conta?
E nesse meio-tempo? O que eu fiz por mim mesma? Olha só o tanto que as coisas mudam!
O tanto que eu não mudei! Olha só... minha vida ali, parada, diante daquela grandiosidade...

O Shopping veio para me lembrar como sou pequena. Parece que quando olho para ele fico menor. Fico mais pra trás, mais antiga. O Shopping me faz ver que muitas coisas podem ser construídas em pouco tempo. E muito mais ainda em muito tempo...
Quanto tempo perdi? Quanto tempo esperei? Ninguém espera.
E pensando assim, hoje tentei fazer amizade com ele, pra ver se consigo me sentir menos rélis. Não falo em condição social, mas em ímpeto. Em coragem. Em construção.
O que construo? Aceito as mudanças? Aceito com complacência coisas com as quais não concordo? Aceito a opinião da maioria? A maioria usa e curte o gigante de concreto. E eu? Por que me queixar tanto? Como uma velhinha que não pára de dizer que tudo é escandaloso e impróprio?

E nessa mania que tenho de deixar tudo para a última hora, o Shopping me mostrou que além de bagunçar o coreto, também pode ser muito útil.
Nele consegui encontrar quase tudo que precisava a um preço justo.
Fui caminhando pelos seus andares e ouvindo músicas natalinas com a lágrima na garganta. Vi casais de namorados, grupos de amigos, famílias.
Enquanto escolhia os presentes, prestava atenção às pessoas ao meu lado e notava que o ato de comprar não é apenas uma obrigação pura e simples. É uma hora em que as pessoas se concentram em lembrar das cores que os amigos gostam, seus tamanhos, seus hábitos, suas chatices e suas alegrias.

Hoje fui às compras reclamando de ter que fazer isso. Mas naquele incômodo Shopping acabei percebendo que comprar não é apenas uma compulsão, uma obrigação, uma convenção. Comprar é também um ato de amor.
Comprar comida. Comprar roupas. Comprar presentes. Dar. Receber. Lembrar.
Encontrei sem querer minha sobrinha com seu grupo de amigas. Ela, que até ontem eu carregava no colo. Ela, que naquele mesmo lugar, onde outrora funcionara um supermercado, agarrei com força quando acabou a luz e ficamos numa escuridão completa. Tinha pavor de perdê-la.
Hoje eu mesma procurei deixá-la em paz, deixá-la com suas amigas e seguir sozinha o meu caminho.

Enquanto pensava nas pessoas da família e nos presentes que ainda precisava comprar, olhava casais de namorados, casais com filhos, jovens enamorados, amigos animados. Assim, segui meu caminho.
Continuei procurando pelos presentes e os corredores do indesejado Shopping, indiferentes por terem sido por mim tão rejeitados, me acolheram generosamente. Encontrei nele tudo o que precisava. Menos o essencial.

S U N D A Y_M O R N I N G _D I A R Y

Esse texto foi escrito pelo meu primo, Toninho.

Ele é uma daquelas pessoas que conseguem contar piada e deixar as pessoas com dor de barriga de tanto rir. Ele conta a piada, mas parece que ele está falando sério... e o pior é que no final ele não ri. Já sabia que ele escrevia bem, mas acho que agora a família decidiu mostrar novas faces, o que eu acho ótimo! Dizem que as pessoas convivem uma vida toda e não se conhecem. E eu acho que isso é mesmo verdade.
(Toninho, espero que esse seja o primeiro de vários!)
S U N D A Y _M O R N I N G_ D I A R Y
Este frio na barriga que antecede a escrita de um tão novato blogueiro parece ser normal, entretanto, a idéia de postar reclamações e acontecimentos diários me parece tão coerente que, como uma luz no fim do túnel, estou indo ao encontro.
Era domingo, dia 14 do mês de dezembro para ser mais exato, e acordando as 06:45 tive para ir ao trabalho tive a certeza somente bons fluídos me arrebatariam naquele dia.
Leve engano...
Tive de acordar cedo para deixar minha namorada na rodoviária, afinal, ela mora em uma pacata cidade de somente 250 mil habitantes no interior de São Paulo. Inveja? Infelizmente não mais me atrevo a responder esta questão.
Tudo ia muito bem. Tomamos um café da manhã reforçado – trabalho na área de vendas de uma concessionária – pois sabia que teria um dia mais agitado por conta da redução do IPI, até chegar à Marginal do rio Tietê perto da altura da Avenida do Estado. Estava tendo um “desvio” por conta da prova de corrida denominada “Gonzaguinha”, portanto fecharam o acesso as rotatórias e pontes por um raio de 3 km. Perguntei a mim mesmo, ainda “zen” por ter acordado há pouco, quem no mundo fecharia uma das avenidas mais movimentadas do mundo para um prova sem qualquer importância ou mesmo isenta de uma quantidade expressiva de inscritos?
Ingenuidade? Imagina...
Creio que 3 siglas da corporação que estava tomando café e comendo algo saboroso em meio ao canteiro da avenida devem respondem a questão.
Mudei totalmente o trajeto, enfrentei um trânsito sem qualquer medida logo de “madrugada” para entrar na rodoviária, de repente percebo que a mesma está totalmente abarrotada de pessoas que nos “visitam” para comprar presentes natalinos e visitar seus “cumpadres”.
Descendo as escadas rolantes fico imaginando o preço do progresso quando inúmeras pessoas, por medo e desconhecimento do funcionamento da primeira – a escada rolante – não adentravam nela! Conclusão, mais congestionamento!
- “Cavalo!”, gritou um indivíduo para outro que tentava orientar como usar as rolantes.
- “Aqui é assim mesmo, tudo cavalo!”, murmurou novamente para uma senhora que o acompanhava.
Ululante informar que um coral de paulistanos e pseudo paulistanos responderam aos berros adjetivos singelos e graciosos para o indivíduo acima, inclusive elogiando por demais, os genitores do mesmo.
Muito bem, passado as escadarias foi a vez de voltar à Marginal Tietê para tentar chegar ao trabalho. Lembro-lhes que a via estava paralisada devido à famosa prova de maratona que ninguém conhece. O trânsito estava comendo solto e todos travando os dentes ou cantarolando alto dentro de seus veículos quando alguém, aos berros, exclamou para uma corredora um pouco tanto quanto fora dos padrões do atletismo:
- “Corre gordinha, corre! Corre pro hospital!”
E as gargalhadas ecoaram pela pista...
Não era somente uma questão de probabilidade até aquele poço de lipídios entrarem em colapso, mas sim um fato! Difícil conseguir visualizar um singelo coração do tamanho de um melão bombear sangue para todo seu corpo. Algumas partes devem já estar entrando em necrose! Meia dúzia de passos depois ela sentou no chão e tirou de sua bolsa uma Coca Cola. Queria ver se era a Zero, para tirar uma foto e mandar para a empresa alimentícia, mas não tive condições de enxergar.
Continuando a saga – saliento a todos vocês que este é um retrato fiel ao dia que tive, não estou inventando nenhuma situação ou ainda querendo agradar a você leitor! – finalmente o trânsito alivia e algo inédito acontece, uma Ferrari branca saindo fumaça azul do escapamento! Se todos conhecessem somente os símbolos, ninguém iria perceber que um VW Passat rebaixado caindo aos pedaços, do ano em que minha graciosa vovozinha era sexy, estava a desfilar pelas avenidas paulistanas, extrapolando qualquer perspectiva do protocolo de Kyoto ser eficaz.
E o Brasil ainda preocupado com as queimadas... tsc... tsc..., deveríamos mesmo era fazer uma ligação internacional e impedir a comercialização destes veículos por aqui!!! Eu disse internacional? Desculpem, mas é que algumas localidades da cidade e algumas pessoas me parecem tão distantes de uma realidade mundial que somente uma chamada internacional poderia surtir efeito. Ou talvez um muro e policiais fortemente armados.
Depois disto, tirando o fato que pessoas compram bens de grande monta como se comprassem pastéis invadiram o local onde trabalho para comer pipoca e algodão doce, o resto até que foi bom, pois dormi!

Se eu fosse milionária

Existem duas perguntas que quando escuto, sempre fico pensativa:

- O que você faria se ganhasse na mega-sena?

- O que você faria se não te faltasse nem tempo nem dinheiro?


Aí começo a pensar e a primeira coisa que sempre passa pela cabeça de todo mundo é que mudaria de casa, para uma com jardim e piscina.
E como todo rico paulistano que se preza não utilizaria a piscina. Piscina de casa de rico ou é coberta, ou gelada ou limpíssima porém sem utilidade.
O piscineiro vem, dá aquele trato, o dono da casa dá aquela chorada no preço da manutenção, mas só o tempo se encarrega de sujá-la, pois serve apenas para dar status e despesa.

Segunda coisa seria o super carrão. Sim, aquele grande, que é difícil de estacionar. Mas isso não seria problema porque teria motorista. Apesar de que atualmente quem tem esse tipo de carro é perseguido, porque os mais antenados já estão começando a perceber que o desgaste ambiental é muito grande para apenas uma pessoa se deslocar. Mas não tem problema: utilizaria os vidros mais escuros possíveis e passaria despercebida. (Porém, com isso perderia a oportunidade de desfilar por aí, ver e ser vista, e aí o intuito inicial já teria sido perdido... melhor um carro elegante, porém discreto).

Outra coisa e a mais importante de todas!!! Uma bica no trabalho!!! Todo tipo de trabalho. Os serviços domésticos, os dilemas profissionais, a mendigagem na fila do concurso. Finalmente teria a oportunidade de olhar de cima aqueles que um dia me desprezaram:
- Oi, tudo bem?
- Tudo, e você?
- Estou bem!
- Como vai o trabalho? Continua como gerente?
- Sim, minha carreira vai de vento em popa. E você? Já te chamaram no concurso?
- Não, ainda não chamaram, mas agora não tem problema. Semana que vem vou fazer um cruzeiro e na volta darei seguimento aos meus projetos culturais.
- É mesmo? Como foi isso? Ganhou na loteria?
- Não, farei isso com o dinheiro de algumas economias.
(rsrsrsrs)

Claro que a essa altura já teria dado um "up" no meu visual, aquela enxugada nas gorduras extras, um mega-hair no cabelo que insiste em cair e um bronze artificial (pra dar aquela cor de saúde). Os dentes, azuis de tão brancos, frutos do clareamento mais moderno do mundo.

As celulites teriam levado uma surra em alguma clínica de massagem. Meus sapatos doados aos necessitados e finalmente caminharia com aqueles super chiques que machucam pra caramba os pés de quem anda a pé e de ônibus. Já que teria motorista, poderia me aventurar num desses saltos da vida e descartaria meus tênis antigos junto com o meu bilhete-único.
E claro, compraria roupas de qualidade - não essas que costumo comprar nos Wal-Marts da vida.

Outra coisa que abandonaria seria minhas idas ao banco. E pararia finalmente de usar os caixas eletrônicos dos supermercados e dos postos de gasolina para economizar o estacionamento da agência.

Se eu ficasse milionária seria bom. Ajudaria o pessoal que eu conheço e sei que precisa. Mas dizem que quem pensa assim nunca ganha. E também dizem que a mega-sena é um grande engana-trouxa. As bolinhas são viciadas e o prêmio só sai quando "eles querem".

Por enquanto continuo na fila do concurso. Na loteria já deixei de jogar faz tempo. É preferível arriscar em ações porque, apesar da crise, o risco é menor.

De vez em quando encontro aqueles meus amigos executivos e fico reparando que eles ficaram ricos mas embarangaram. O excesso de trabalho e responsabilidade dá uma judiada. Ainda bem, pelo menos isso.

Hoje vou ver se faço um fézinha. Quem sabe tiro a sorte grande, compro uma empresa bacana e chamo um desses meus amigos para trabalhar? Nada de moleza, é claro. Terão que cumprir horário. Porque só assim, com responsabilidade, a gente consegue chegar a algum lugar. ;)

Parabéns pra você


Hoje faz alguns anos que larguei o cigarro. Uns quatro, pra ser mais exata. Dizem que a gente só deixa realmente o vício após cinco anos de abstinência. Então só falta um.
Mesmo quem fuma pouco, sabe como é difícil parar de fumar.
Quem já parou, sabe que a gente nunca é um não-fumante, mas sempre um ex-fumante.
Porque a vontade é danada, e mesmo depois de tanto tempo teima em nos tentar.
Os amigos fumam por perto e não estão nem aí.
Quando isso acontece, o negócio é fingir que não está acontecendo nada em volta, fazer cara de paisagem e meditar.
Entrar num estado alfa (como aquele em que a gente entra quando senta no metrô e fica olhando pra um monte de gente, sem olhar).
Mas tem umas coisas engraçadas: teve um dia em que alguém acendeu um cigarro no shopping, apoiou no cinzeiro e o deixou lá queimando, inteirinho, bem ao meu lado.
Justo a marca que eu fumava. Eu fiquei ali, olhando pra ele e ele pra mim, soltando aquele cheirinho que só quem fuma sabe a tentação que é. (Coisa do demo, na certa).
O "coisa ruim" também tem outras maneiras de atiçar, como quando a gente está parado na rua vazia e de repente passa um carro e estaciona bem na nossa frente, só pro motorista acender o cigarro. Oooo tentação, viu?
E no barzinho então? É possível alguém que fuma pensar em beber sem acender um?
Pois é... hoje é dia de comemorar.
Vade retro satanás. Mais um ano, menos um ano.
O cigarro sai da vida e deixa aquele vazio. Nada entra no lugar.
E esse buraco existencial pro ser humano incomoda que só!
Mas dá pra agüentar. Tantos vazios a gente sente na vida...
Às vezes eu sonho que estou fumando. E no sonho mesmo lembro que não posso fumar porque parei de fumar.
Aí logo lembro que fumar no sonho pode.
Largar o vício me ensinou que é possível abrir mão de hábitos de anos, abrir mão de qualquer coisa e que fazer isso pode ser uma coisa boa.
Isso vale pra comida, pro trabalho, pras paixões.
No começo a gente sofre. Depois fica orgulhoso, vê novos horizontes e dá graças a Deus.

Valores Modernos








Silêncio Sonoro


Aluga-se. Finalmente foram embora. Brigavam, gritavam, não cumprimentavam. Vizinhança incômoda essa! Se Deus assim permitir, os próximos moradores serão de outra laia. Conversamos com o proprietário, pedindo para escolher bem os inquilinos. De preferência sem cachorros barulhentos ou jovens, pois ouvem som alto demais. Acolheu nosso pedido e pelo bem dos vizinhos, procurou filtrar os interessados. Afinal, havia de convir: estávamos num bairro decente, não em qualquer lugar.

Casa alugada. Um jovem casal, sem filhos, com carrão na garagem. Lindos e loiros, nada de forró. Animal de estimação: gato. Silencioso que só. A casa foi pintada, o piso lustrado. A calçada, antes suja, foi desencardida à jato d'água. Para nossa surpresa, o casal, distinto, veio se apresentar. Tentando fazer amizade pediram dicas de reforma e nos ofereceram um café. Aceitamos, encantados. Gente educada assim não se encontra mais nem de lupa!

Barulho faziam, mas moderado. Convidavam amigos para noites de pizza ou tardes de churrasco e, de quando em quando, até dançavam. As festas demoravam um pouco, mas não ultrapassavam o limite do suportável, tanto em horas como em fumaça. Praticavam a política da boa-vizinhança. Gente fina é outra coisa.

Véspera de Natal. A rua inteira em ritmo de "jingle bells". As cozinhas agitadas, o entra-e-sai de sacolas, os corações mais amorosos. Nesses dias, dá vontade de cumprimentar até gente esquisita, ligar para amigos antigos ou fazer as pazes com parentes turrões. Vizinhos como esses então, mereciam um prato de rabanadas quentinhas. Enfeitamos um prato com laço prateado e fomos até lá, alegres pela bênção da comunidade unida.

De repente, um choro. Vinha da garagem. Pelas grades vimos nossa querida vizinha guardando uma quantidade enorme de pertences no carro. Seu rosto, desfigurado pelo pranto e por uma série de traumatismos, estava irreconhecível. Pensamos imediatamente em bandidos.

Perguntada sobre o que estava acontecendo, explicou, aos soluços, ter sido agredida pelo próprio marido. À socos, golpes e "vassouradas". Apontava para o enorme galo no canto direito da testa e mostrava falhas no couro cabeludo. Seu companheiro puxou-os com força, chegando a arrancá-los.

Oferecemos nossa casa para cuidar de seus ferimentos, mas ela recusou. Precisava ir embora, porque ele estava lá dentro muito violento e alterado, exigindo sua partida. Estava muito aflita por não ter família por perto, mas mesmo se tivesse, ninguém poderia conhecer suas reais condições de vida. Poderiam aniquilá-lo.

Oferecemo-nos então para acompanhá-la até a delegacia. Sugestão rejeitada veementemente. Essa não foi a primeira vez. Declarava ter sua parcela de culpa no ocorrido. Recebeu então compressas de gelo no meio da rua mesmo, bem debaixo dos olhos do resto da vizinhança curiosa. Mais calma, pegou o gato, subiu no carro e foi embora. O silêncio imperou por alguns instantes. Ficamos paralisados, atônitos.

Cinco minutos depois, o carro estava de volta. O gato foi o primeiro a saltar. Ela entrou sem olhar pra ninguém. De lá não saiu mais. A partir de então foi só silêncio, cortante. A noite de Natal foi tensa. Não conseguíamos parar de pensar em tudo aquilo. As rabanadas não foram tocadas.

Os objetos permaneceram no interior do veículo por mais três dias. Nem sequer uma fresta da janela foi aberta e nenhum dos dois foi visto. Suspeitávamos de homicídio ou suicídio. Ou de uma vergonha descomunal, maior que a necessidade de cumprir compromissos.

Algum tempo depois a vizinha voltou a circular normalmente. Agradeceu-nos pelo apoio daquele dia. Retornou à casa logo em seguida por ter recebido um telefonema dele, arrependido. Não que fosse violento, mas estava naquela noite sob efeito de drogas lícitas e ilícitas. Deu a entender que também estivesse, por isso se declarou culpada. Porém, garantiu: estavam se tratando. Ele mudou muito, até mesmo de visual. Começou a freqüentar uma comunidade espiritualista. Segundo ela, regenerou-se.

Afastaram-se da vizinhança. Ele é visto sempre em casa. Ela sai pra trabalhar logo cedo, e agora espera um bebê. Algumas vezes, quando ela sai, um velho conhecido aqui da rua é visto entrando na casa deles. Trata-se de um vendedor de pequenos pacotes, leves no peso - mas que peso!

Outro dia, num cumprimento rápido, comentaram sobre a oficialização do casamento. Animados com o bebê, decidiram constituir uma família de verdade. Desejamos felicidades. E que o choro do bebê seja alto, e as brigas cheias de gritos, como as de todo mundo. Afinal, quando daquela casa vem silêncio demais, os vizinhos perdem o sossego.

Mentiras

Atualmente, irritada com as mentiras...
as grandes, as pequenas, aquelas mentiras sociais, as venais, as mortais, as que são só pra encerrar o assunto, as que são só pra não magoar...
...as mentiras da imprensa, as do governo, as dos amigos distantes e as dos próximos também... e também pensando nas próximas mentiras que escutarei dos próximos amigos...
... atualmente pensando em quantas idéias criei baseada em mentiras, e naquelas que inventei mentindo pra mim mesma...
... atualmente pensando em mentiras que acreditei de tanto contar... e que me serviram de apoio para continuar inventando um mundo que não era meu, atraindo gente que mentia como eu, pra si e pros outros...
... atualmente pensando em quantas mentiras eu contei pensando que estava falando a verdade, e em quantas verdades falei contando mentiras - muitas vezes sem saber que eram mentiras...
... atualmente pensando em quantas mentiras ainda vou escutar e como vou lidar com elas... pensando em como vou fazer para ouvi-las e continuar fingindo que não percebi nada... (mas o que me garante que serão mesmo mentiras?)
... e também pensando num jeito de viver sem nunca mais precisar contar nenhuma, nem que seja daquelas do tipo "primeiro de abril"...
... enfim, atualmente, carente de verdades.

Escola de Cachorros



Ninguém poderia imaginar. Encrenca entre vizinhos, todo mundo já conhece. Implicância de homem para homem também. Mas agora existe um novo duelo ocorrendo na cidade: a guerra dos cães.

Essa mania de ter cachorro pegou. Está espalhada por aí. Não sabemos se há mais peludos ou crianças. Com eles vieram as alegrias que só o melhor amigo do homem pode proporcionar, mas também os problemas.

O cachorro do vizinho latir a noite inteira incomoda à quase todos. Só não incomoda a quem? Ao dono. E vai falar pra ele que o bichano faz barulho. O quê?

Já há algum tempo em que se falou sobre operação de cordas vocais dos amados pets. Também não, né? Mas enquanto não conseguimos dormir, pensamos em coisas ainda mais radicais.

Os felizes proprietários (não todos, é claro) saem alegremente para os passeios diários, já que a maioria dos cachorrinhos mora em apartamentos e precisa se exercitar. Desfilam pelas ruas segurando, geralmente, apenas a coleira. Dão uma paradinha aqui, outra ali... e vão carimbando.

Eles fazem para todo lado. E tome sujeira. Entradas de estabelecimentos em que o cliente já chega de sapato engraxado, residências, jardins, praças, rodas de carros, postes - tudo. Até consultórios. Andar pela rua virou maratona com barreiras e é muito chato ter que limpar o sapato sujo de cocô. Mas os donos falam assim: "imagina... ele só come ração...". Cocô é cocô. E ponto.

Existem os donos semi-limpos ou semi-sujos, como preferirem. Carregam saquinhos para recolher a obra mas depositam-na no primeiro canteirinho florido que encontram. Outros pedestres do mesmo estilo, limpam os pés sujos nas soleiras das portas. Imagine se alguém escorregar ao pisar "naquilo"? De quem será a responsabilidade? De quem não limpou a calçada, do dono, do cachorro, da Prefeitura ou do sapato?

Quem não limpa a porta de casa, não sabe como é. Todos os dias encontramos de tudo: panfletos, folhas, embalagens, "cuspis", e, claro, as marcas territoriais caninas e suas lembrancinhas. Não devemos lavar a calçada - tudo bem, precisamos economizar água, concordamos plenamente. Mas o que fazer com tanta pasta grudada, com tanto fedor?

Por aí a guerra já está travada. Não é só entre quem tem cão e quem não tem. Essa já era de se esperar. Existe guerra de dono pra dono. E não é preciso muito motivo: basta um encontro furtivo durante um passeio em que os cachorros se estranham e pronto! Lá estão quatro inimigos, entre humanos e caninos. Outro dia vi uma briga na rua em que uma mulher gritava: "com você eu não vou fazer nada, mas cê vai ver com seu cachorro..." Ih... isso dá B.O.!

A vizinha aqui de cima fica escondida atrás da janela para pegar os porcalhões e dar um susto neles. É para dar o bote naquela mulher do prédio que nem penteia o cabelo antes de sair de casa, de tão apressada em passear com o amiguinho. Essa é federal! Não perdoa um cantinho. E ainda olha feio pra todo mundo. Gosto mesmo quando ela carrega o fofinho no colo porque quando ele vai pelo chão... barbaridade! Faz xixi pra todo lado. Intrigante como tem tanto líquido naquela bexiguinha! E tome parede manchada.

Essa que se esconde, jurou: assim que conseguir, entrará escondida no prédio, subirá pelo elevador até a porta do apartamento daquela descabelada e fará suas necessidades ali mesmo, só por vingança.

Quer saber qual é o point mais agitado aqui do pedaço? O supermercado Laicão. É, a quantidade de empregos que a indústria pet gerou é um show. Ninguém pode negar. E vem crescendo cada vez mais.

As notícias trazem novidades de cair o queixo, como plano de saúde para animais, padaria temática, spa com clínica psicológica, tratamentos holísticos e outros luxos mais. Claro, quem se dispõe a ter um a ter um bichinho precisa mesmo cuidar bem dele. Jamais abandoná-lo na rua, como muitos fazem ao vê-los doentes.

Mas tem coisas que parecem demais: camas de grife, ofurô, jóias. Perfume Oh my dog! Oh my God! Tudo bem. A gente ama tanto esses bichos que fica doidão! Numa dessas videocassetadas vi um cachorro fumando. Nem me espantei. Daqui a pouco virão atender a gente de gravata. Mas é preciso ter bom senso.

Teve uma festa de aniversário super comentada que fez rir e chorar. Casamento de véu e grinalda. Tem agência, terapeuta, cirurgia plástica e tudo mais. Bem, quase todos os produtos e serviços disponíveis aos humanos já estão disponíveis também a eles. Outro dia, nos EUA, uma dentista foi processada por extrair indevidamente um dente de uma cadela. É... eles têm advogado também...

Nada contra. Usem e abusem! Mas fica aqui o apelo: já que os investimentos são certos, que tal reservar parte do montante à educação? Adestrar ou simplesmente ensinar o cãozinho quais são seus limites. Os donos que ainda não estiverem preparados para ensinar, precisarão aprender. Coisas básicas como respeito e noções de higiene. A campanha de educação precisa ganhar força em todos os níveis.

Aqui bem perto, devido à quantidade enorme de habitantes de quatro patas, já existe uma campanha intitulada "Calçada Limpa" onde o slogan é: "calçada não é privada, é pública". Que bênção! Já tem sucesso, mas precisa de mais.

O bom senso impera em alguns lugares, não podemos generalizar. Certos donos não apenas recolhem as fezes de seus animais como forram o local onde acontecerá o despejamento. E nessa hora enviamos energias positivas a ambos, tantas, que nenhum banho de pétalas poderia gerar. A eles, nossos vivas! E que façam escola.

Quem sabe?


Quem sabe mais ônibus enquanto esperamos a demorada obra do metrô?

Quem sabe planejamento familiar enquanto aumentamos o número de creches?

Quem sabe menos filhos ao invés de apartamentos populares de três dormitórios?

Quem sabe fiscalização nas áreas públicas, ao invés de urbanização de favelas?

Quem sabe recolher indigentes das ruas, ao invés de buscar quem atirou neles?

Quem sabe podar as árvores, ao invés de pagar o tratamento dos atingidos?

Quem sabe mais assentos nos ônibus, ao invés de corredores?

Quem sabe a cultura da simplicidade, ao invés dos financiamentos de produtos inúteis?

Quem sabe multar os que despejam lixo na rua, ao invés de cobrar pra recolher o lixo?

Quem sabe prédios mais baixos, ao invés de avenidas mais largas?

Somos nós que elegemos o Prefeito. Mas somos nós que construímos nossa cidade.
Não é só votar e esperar.
Tem que recolher as fezes dos cães, varrer a rua, cuidar da cidade.
Ser cidadão não é só votar. Não é o Kassab quem entope os bueiros.
Nem é ele quem despeja lixo nos rios.
Manter, é o mínimo. E reclamar é o máximo.

Tudo depende do ponto de vista


O seqüestrador tirou uma vida.
Mas ajudou a salvar outras com a doação dos órgãos.
Ajudou a prender um bandido que matou muita gente.
Ajudará uma jovem a receber uma indenização de 2.000.000,00.
Ajudará a polícia a se preparar melhor.
Ajudará milhares de pais a olharem melhor para as companhias de seus filhos.
Ele é louco? Talvez.
Ele é malvado? Talvez.
Atiraria nas meninas se a polícia não o tivesse assustado? Talvez.
O que sabemos da lógica da vida?

:(




Hoje cheia.

Do choro da criança do vizinho.
Da conversa mole do MSN.
Do orkut.
Da polícia que jogou a refém de volta no cativeiro pra levar um tiro na boca. (Melhor seria se tivessem chamado o agente 86 ou o Mcgyver)
Do seqüestrador dito "honesto" que atirou nas reféns. Daqueles imbecis que trabalham no hospital e que enfileirados lá na entrada, tiraram fotos da refém baleada com o celular.
Do Datena e de suas repetições intermináveis de frases iguais.
Saco cheio do Bonner e da Fátima e de suas notícias ruins.
Da Flora.
Do excesso de gente.
Da competitividade.
Da falta de consideração.
E da propaganda eleitoral.