Como eu gosto do orkut!!! Nele consegui ver coisas que jamais teria oportunidade... Vou explicar: por gostar da cidade e dos assuntos da comunidade, procurei freqüentar a igreja para saber em que poderia ser útil, e também para conhecer mais sobre a Bíblia e suas histórias. Lá conheci os grupos.
Aqui onde moro há movimentos variados... o dos jovens, o dos que estudam “a palavra”, dos descasados, dos noivos, dos carismáticos... enfim... há reuniões para todo tipo de gosto e interesse, é só procurar e participar. E nesse vaivém (oito anos, pra ser mais exata), em dezenas de missas, reuniões, eventos e ladainhas, conheci melhor a Bíblia e um pouco da filosofia de vida dos que tomam para si a responsabilidade de falar “em nome de Jesus”.
Não estou falando dos padres – esses, dos que conheci, só tenho a tecer elogios, o que guardarei para outra hora. Hoje quero mesmo falar dos colegas da linha de frente dos grupos... aqueles que gostam muito de “ajudar”, tomando para si a responsabilidade de “evangelizar”. No começo achei esquisito: pareciam perdidos ou viciados em algo que não sei dizer o que... só sabia que por ali havia alguma coisa estranha, e as interpretações - muito confusas, não pareciam lá muito “católicas”.
Descobri porque se acham tão fiéis... primeiramente se apegam ao compromisso de bater cartão para Jesus, como se ele não andasse com a gente o tempo todo e marcasse um encontro “lá pelas tantas” (sem falta). O próximo passo dos fiéis de carteirinha é lançar mão do microfone e dar o tal “testemunho”. Não sei se são tomados por certa “força maior”... só sei que se empolgam e começam a falar sobre respeito ao próximo, caridade, castidade, alcoolismo, drogas, vida mundana... Repudiam o carnaval (convidam para vigílias nessas noites), dizem que a TV é coisa do demônio, e, bom mesmo, é louvar.
Palavrões... nem pensar... Músicas? Melhor prestar muita atenção à letra, para não sair por aí cantarolando indignidades... Assim que nos despedíamos, logo observava alguns, de posse de seus carrões, convertendo a avenida na contramão. No dia seguinte, encontrava outro “irmão” (que fingia nunca ter me visto) no supermercado...
Notava que seus cumprimentos eram reservados aos abonados, aos enturmados ou aos mais queridos. E então veio a bênção do orkut!!! E aqui pude ver a outra face de nossos líderes: embora preguem a castidade, alguns dos solteiros participam de comunidades como “adoro dormir de conchinha”, “adoro acordar com beijinhos”, “não me provoca que eu gosto”, mas lá, nos grupos, tratam de encher a cabeça dos jovens de culpa e de criar um glamour em torno de si. Só falta a auréola.
Os que criticam os palavrões estão na comunidade “fudeu”, “deu merda”... (é, deu mesmo!!!) Outros, que pregam o tempo todo a paz, compõem a “homem mentiroso merece bala”. E nos álbuns, nem preciso dizer.... fotos insinuantes de biquíni (com direito a caras e bocas), ahhh e os abstênios... com o copo de cerveja na mão, claro!!!
Bem... não é de se estranhar que o microfone esteja aberto a todos – num lugar onde descasado não pode comungar, mas mulher grávida pode se casar. Onde se proteger de doenças é errado. Onde um salão pode ficar a noite toda vazio enquanto um mendigo dorme na rua, do outro lado da parede. Eles vivem dizendo que Jesus vai voltar. Mas se ele estiver olhando tanta hipocrisia, acho que não volta. Eu se fosse dele, não voltava não. Escolhia ir para outro lugar.
igreja não é clube - testemunho a gente dá quando é de verdade - senão, melhor ficar calado