E novamente já é Natal. E ainda não comprei nenhum presente.
As pessoas mais chegadas também fazem aniversário no final de ano. Então eu fico preguiçosa pra comprar presentes.
Ao invés de me organizar, todo ano faço a mesma coisa: espero o dia ir chegando e vou pensando pensando... e penso também que não sei porque a gente tem que comprar presentes em datas específicas. O gostoso é levar alguma coisa quando olha e vê que tem a cara da pessoa, em qualquer data. Com obrigação quase sempre compramos por comprar, ou andamos até não poder mais para achar alguma coisa que a pessoa nem vai usar.
O problema maior é que hoje todo mundo tem quase tudo, então a pessoa ganha e não usa porque até esquece o que tem. Alguns presentes então, melhor nem virem, como aqueles comprados por obrigação pra compensar a falta de atenção dispensada durante o ano todo.
As convenções do comércio são chatas, mas necessárias. Muitos criticaram Lula quando ele mandou comprar e comprar. Mas se for refletir, a nossa economia e o nosso trabalho está intimamente ligado ao comprar. Realmente, um Presidente que quer aumentar o PIB não pode mandar o povo não comprar. Mas ao mesmo tempo, comprando a gente destrói a natureza e as tempestades e enchentes já estão começando a dar as caras e a mostrar que nosso lucro logo logo vai virar um prejuízo e tanto.
Aquele velho papo que Natal é Deus e não presentes, ainda não colou. Papai Noel ainda é muito mais pop nessa época do que o Menino Jesus. É só olhar pros enfeites de Natal espalhados por aí. Jesus veio peladinho, sem saco de presentes, e os Reis Magos trataram de levar alguns apetrechos para adorá-lo. Papai Noel tem um saco sem fundo, desses que a gente acha que vai sair coelho, namorado, emprego e tudo o que alguém pode sonhar. Então, para a economia, Papai Noel é o canal.
O final de ano me faz refletir sobre o que de bom fiz pra mim. Nesse ano fiz algumas coisas boas, mas uma barbeiragem um pouco antes do meio do ano empatou a minha vida. É, tudo na vida tem um preço, e depositar a felicidade em outro ser humano é quase sempre um investimento de alto risco. Mas não tem jeito, eu sempre faço isso. E quando vejo que fiz mau negócio, ao invés de mudar a aplicação de minhas expectativas, espero o banco falir. Sou demorada.
Ser demorado, nos tempos de hoje, é suicídio. Eu tenho essa tendência. Não mudo os meus valores básicos, não mudo o ritmo e acabo sempre ficando pra trás. Por isso mesmo não me sinto com a idade que tenho. Olho pros mais jovens tratando de amores como quem faz barganha em feira livre e acho que o coração dessa gente é velho. Olho pra eles falando em dormir de conchinha e reflito que venho de uma criação onde isso nem dava pra se fazer, porque tinha hora pra chegar em casa, então, dormir nem pensar! Eles viajam com os namorados, levam vida de casado, estão sempre procurando algo que nem sabem o que é e vivem espalhando por aí que isso é aproveitar a vida. Porém, estão sempre insatisfeitos. Então por isso mesmo me sinto jovem quando olho para eles. São muito calejados e vividos. Alguns já endureceram o coração antes dos trinta. E até na idade se acham velhos. Vê se pode...
Ao mesmo tempo penso que eles têm alguma razão. A rotatividade também nos traz bastante experiência, e nesse ponto sinto que pequei. Deveria ter encontrado um meio termo e não ter acreditado que um dia o príncipe ia perceber que eu era a mulher da vida dele. A gente faz muitas loucuras na vida, as maiores delas relacionadas à paixão. Mas, o que é a vida sem ilusão?
Enfim, espero que muita coisa em minha vida mude, mas que nunca perca a capacidade de me apaixonar e de acreditar que uma pessoa pode ser muitas, que as pessoas mudam com o tempo, que nunca se conhece um ser humano em sua totalidade e é aí que está a graça de apostar num relacionamento apenas.
Querer relacionar a felicidade conjugal ao desfrute desenfreado com vários parceiros é subestimar a inteligência e a versatilidade da obra de Deus. Uma das coisas que mais me irrita atualmente é ter que explicar o porquê de querer namorar uma pessoa só, ser mais reservada, canalizar energias para alguém interessante sem com isso ficar zanzando por aí enquanto espero a pessoa aparecer. Vivo ouvindo que preciso rever meus conceitos, que perco meu tempo e durmo no ponto. É, pode ser. Mas quando a gente ingressa no mundo da falta de princípios, a viagem é interessante porém nos despe de todo e qualquer tipo de censura. E quem se machuca com isso, não preciso nem dizer.
Mas mesmo assim vou pedir que Papai Noel não permita que eu me afaste dos sentimentos mais puros, da confiança no ser humano e na intenção de construir coisas boas. Ser honesto nos dias de hoje é se agarrar num tronco de árvore enroscado no leito do rio em meio à forte correnteza.
Que meu tronco me suporte, que a tempestade seja leve e que, com sorte, nesse rio haja alguém perdido e que também tenha os sonhos parecidos com os meus.
Feliz Natal!
(publicando novamente) Reflexões de Final de Ano (original em 20/12/2008, 00:10)
As pessoas mais chegadas também fazem aniversário no final de ano. Então eu fico preguiçosa pra comprar presentes.
Ao invés de me organizar, todo ano faço a mesma coisa: espero o dia ir chegando e vou pensando pensando... e penso também que não sei porque a gente tem que comprar presentes em datas específicas. O gostoso é levar alguma coisa quando olha e vê que tem a cara da pessoa, em qualquer data. Com obrigação quase sempre compramos por comprar, ou andamos até não poder mais para achar alguma coisa que a pessoa nem vai usar.
O problema maior é que hoje todo mundo tem quase tudo, então a pessoa ganha e não usa porque até esquece o que tem. Alguns presentes então, melhor nem virem, como aqueles comprados por obrigação pra compensar a falta de atenção dispensada durante o ano todo.
As convenções do comércio são chatas, mas necessárias. Muitos criticaram Lula quando ele mandou comprar e comprar. Mas se for refletir, a nossa economia e o nosso trabalho está intimamente ligado ao comprar. Realmente, um Presidente que quer aumentar o PIB não pode mandar o povo não comprar. Mas ao mesmo tempo, comprando a gente destrói a natureza e as tempestades e enchentes já estão começando a dar as caras e a mostrar que nosso lucro logo logo vai virar um prejuízo e tanto.
Aquele velho papo que Natal é Deus e não presentes, ainda não colou. Papai Noel ainda é muito mais pop nessa época do que o Menino Jesus. É só olhar pros enfeites de Natal espalhados por aí. Jesus veio peladinho, sem saco de presentes, e os Reis Magos trataram de levar alguns apetrechos para adorá-lo. Papai Noel tem um saco sem fundo, desses que a gente acha que vai sair coelho, namorado, emprego e tudo o que alguém pode sonhar. Então, para a economia, Papai Noel é o canal.
O final de ano me faz refletir sobre o que de bom fiz pra mim. Nesse ano fiz algumas coisas boas, mas uma barbeiragem um pouco antes do meio do ano empatou a minha vida. É, tudo na vida tem um preço, e depositar a felicidade em outro ser humano é quase sempre um investimento de alto risco. Mas não tem jeito, eu sempre faço isso. E quando vejo que fiz mau negócio, ao invés de mudar a aplicação de minhas expectativas, espero o banco falir. Sou demorada.
Ser demorado, nos tempos de hoje, é suicídio. Eu tenho essa tendência. Não mudo os meus valores básicos, não mudo o ritmo e acabo sempre ficando pra trás. Por isso mesmo não me sinto com a idade que tenho. Olho pros mais jovens tratando de amores como quem faz barganha em feira livre e acho que o coração dessa gente é velho. Olho pra eles falando em dormir de conchinha e reflito que venho de uma criação onde isso nem dava pra se fazer, porque tinha hora pra chegar em casa, então, dormir nem pensar! Eles viajam com os namorados, levam vida de casado, estão sempre procurando algo que nem sabem o que é e vivem espalhando por aí que isso é aproveitar a vida. Porém, estão sempre insatisfeitos. Então por isso mesmo me sinto jovem quando olho para eles. São muito calejados e vividos. Alguns já endureceram o coração antes dos trinta. E até na idade se acham velhos. Vê se pode...
Ao mesmo tempo penso que eles têm alguma razão. A rotatividade também nos traz bastante experiência, e nesse ponto sinto que pequei. Deveria ter encontrado um meio termo e não ter acreditado que um dia o príncipe ia perceber que eu era a mulher da vida dele. A gente faz muitas loucuras na vida, as maiores delas relacionadas à paixão. Mas, o que é a vida sem ilusão?
Enfim, espero que muita coisa em minha vida mude, mas que nunca perca a capacidade de me apaixonar e de acreditar que uma pessoa pode ser muitas, que as pessoas mudam com o tempo, que nunca se conhece um ser humano em sua totalidade e é aí que está a graça de apostar num relacionamento apenas.
Querer relacionar a felicidade conjugal ao desfrute desenfreado com vários parceiros é subestimar a inteligência e a versatilidade da obra de Deus. Uma das coisas que mais me irrita atualmente é ter que explicar o porquê de querer namorar uma pessoa só, ser mais reservada, canalizar energias para alguém interessante sem com isso ficar zanzando por aí enquanto espero a pessoa aparecer. Vivo ouvindo que preciso rever meus conceitos, que perco meu tempo e durmo no ponto. É, pode ser. Mas quando a gente ingressa no mundo da falta de princípios, a viagem é interessante porém nos despe de todo e qualquer tipo de censura. E quem se machuca com isso, não preciso nem dizer.
Mas mesmo assim vou pedir que Papai Noel não permita que eu me afaste dos sentimentos mais puros, da confiança no ser humano e na intenção de construir coisas boas. Ser honesto nos dias de hoje é se agarrar num tronco de árvore enroscado no leito do rio em meio à forte correnteza.
Que meu tronco me suporte, que a tempestade seja leve e que, com sorte, nesse rio haja alguém perdido e que também tenha os sonhos parecidos com os meus.
Feliz Natal!
(publicando novamente) Reflexões de Final de Ano (original em 20/12/2008, 00:10)



