
Continuando o assunto sobre maluquices, nessa semana fiquei de molho na igreja enquanto esperava a minha mãe na consulta médica e uma ficha acabou caindo em minha mente.
Fiquei sentada no fundo da igreja, enquanto dezenas de senhoras entravam e saíam de lá, muitas delas com problemas de saúde. Entre canções e louvores, cânticos e exaltações, fiquei pensando na vida, na felicidade e na fé.
A felicidade que o mundo acaba nos vendendo como o paraíso, a felicidade que a gente quer construir para quando o futuro chegar... os planos que a gente faz "lá pra frente"...
Lá na frente serei uma daquelas senhoras? Talvez. Se eu não morrer antes, talvez serei. Talvez também seja diferente delas, com mais saúde, já que a medicina nos proporciona muita qualidade de vida apesar do passar dos anos.
Mas algo em mim mudou naquela tarde. Como diz a cantora Joana: "amanhã, talvez". Sim, amanhã talvez eu exista, mas talvez não. Pode ser que conquiste aquilo que almejo, talvez não. Quem sabe fique rica, mas pode ser que não. Então, o que fazer para ser feliz?
Se o passado eu não posso mudar e o futuro talvez nem chegue, a felicidade está no momento presente, esse que estou vivendo agora, enquanto teclo o texto para o blog. Devo ser feliz nesse minuto. Mesmo sem ter o dinheiro que talvez me proporcionasse noites de sono mais tranquilas, mesmo sem ter aquela pessoa especial com quem eu sempre sonhei, mesmo sem ter o trabalho que eu gostaria...
O momento de ser feliz, era o parágrafo passado, mas agora é esse parágrafo. E nesse eu penso em me satisfazer com coisas simples, em dar valor às pessoas que hoje se dispuseram livres para me fazer companhia. Nesse parágrafo penso em esquecer o resto do texto que eu já escrevi, porque ele já foi. Se eu errei ou acertei, não importa. O que importa é tentar não ser repetitiva, falando para vocês o que falei no começo do texto (que agora já é passado). Porque ser repetitivo cansa a gente, e cansa os outros.
Esperar a vida toda por alguém que não quer mais voltar, achar que vai dar tudo errado de novo, porque no passado sempre foi assim, ficar angustiada pelas asneiras que eu fiz a vida toda... é perder mais e mais tempo. É jogar fora o minuto presente, com coisas que já passaram e que ninguém lembra mais. Sentimento de culpa, ódio, rancor... tudo isso impede da gente ser feliz agora. E agora é o futuro com o qual sonhávamos lá atrás. Há dez anos eu pensava em ser feliz hoje. Então, para que lembrar do que deu errado há dez anos?
Mas essa loucura a gente faz o tempo todo. Remói o passado, almeja o futuro feliz, e pega o presente e desperdiça, com expectativas e angústias. Naquela tarde, descobri que a hora de ser feliz é hoje, não hoje na parte da manhã, nem daqui há duas horas. É hoje, agora, nesse exato minuto.
Isso não significa que eu vá gastar todo o dinheiro de uma vez, porque quem aprende a gostar do que tem, não fica insatisfeito o tempo todo, e guarda porque suas necessidades passam a ser simples.
Talvez aquela pessoa com quem a gente sonhou finalmente queira ficar com a gente, e pode até ser que dê certo, se ela ainda for uma verdade pro nosso coração. Mas se conseguirmos abrir o coração para o novo, com a auto-estima fortalecida, talvez pessoas que nos fizeram sofrer passem a não fazer mais sentido pra nossa vida.
Porque o que faz sentido é aquele que tem disponibilidade para dividir o dia, para fazer companhia hoje. Não ontem. Nem amanhã talvez. HOJE.
Pensar em ser feliz no trabalho, fazer com prazer e tirar o melhor do que aquela tarefa nos proporciona é uma missão de quem escolheu ser feliz urgentemente. E ser feliz não é morrer de dar risada, não é ganhar na loteria, nem ser famoso, nem popular. Ser feliz é estar em paz interiormente.
Usufruir o presente da maneira mais serena possível. Talvez essa seja a fórmula da felicidade.
Pensando assim as neuras, encucações, medos, angústias e receios que a gente aprendeu a cultivar a vida toda, passam a ter menor valor, pois, mesmo que algo não dê certo naquela hora, pensar em esquecer o passado rapidamente nos liberta de todo tipo de sofrimento e humilhação. Aprender com os erros é saudável. Mas isso não significa que tenhamos que cultivar nossos insucessos em altares.
O mundo trabalha pra sermos infelizes o tempo todo! Os jornais, as notícias da TV, as pessoas que nos procuram somente quando estão com problemas... Brasileiro tem essa mania de puxar papo reclamando da vida. Não que não haja motivo para reclamar. Claro que há. E muito!!! Mas essa cultura do "ai meu Deus" aniquila toda forma saudável de vida. Por mais que o ser humano sinta prazer com a desgraça, é impossível ser plenamente feliz falando em desastres, mortes, estupros e picaretagens.
Estava pensando: se eu morrer com 72 anos, significa que metade da vida já vivi. E confesso que passei boa parte dela pensando no futuro, cheia de medos, angústias, preocupações e complexos. Metade da vida já foi. Claro, teve muita coisa boa, mas também teve muita coisa ruim, devido às minhocas que eu pus dentro da cabeça. Quem sabe, se conseguir manter esse pensamento de ser feliz nesse minuto, custe o que custar, não consiga obter uma qualidade de vida excelente?
Por exemplo, se alguém pensasse em emagrecer, colocando na cabeça que o que faz o magro é o seu hábito, e nesse minuto passasse a ter o hábito de um magro, em alguns meses se transformaria num magro sem nem mesmo sentir. Mesmo pesando mais de 100 kgs, quando pensasse em ter hábito de magro, já estaria vivenciando a magreza. E o corpo levaria o tempo necessário para refletir o hábito que foi adotado naquele minuto.
Um fumante torna-se ex-fumante a partir do momento que apagou o cigarro. Um alcóolatra, a mesma coisa. No AA eles falam que não devem beber "só por hoje". Eu diria que só por esse minuto. E de minuto em minuto, fazemos uma vida toda.
Não sei se minha loucura maior for não ter adotado esse método antes, ou ter demorado tanto tempo para perceber uma coisa tão básica.
Um dia, quando eu pensava em parar de fumar, comecei a tentar arrumar um culpado para meu mau hábito. (Eu sempre tento arrumar algum Cristo para por a culpa, isso é coisa minha). Aí eu pensei: sou eu quem vou até a padaria, compro, abro o maço, acendo o cigarro, levo até a boca, trago e apago. Então, a culpa é de quem?
Loucos somos todos, uns mais, outros menos. Credicard em seu brilhante "slogan" diz: "PORQUE O FUTURO É AGORA". Credicard tem razão. Mas pensar em viver o futuro agora, pode também nos transformar em pessoas mais simples, que se utilizam daquilo que têm para serem felizes. E não necessariamente precisem usar o CREDICARD para comprar aquilo que não tem preço. O que não tem preço, não tem preço. E ponto.