Concursos Fajutos

Deixo aqui meu relato de alguns concursos que foram feitos para arrecadar dinheiro em cima da boa vontade do povo:

  1. Memorial da América Latina
  2. Imprensa Oficial
  3. COREN - Não responde e-mail, nem a Vunesp
  4. Prefeitura de São Paulo
  5. PRODAM
  6. CRECI
  7. Hospital do Servidor Público Estadual

Muitos deles não chamaram sequer os primeiros colocados. Obs: tenho provas.

É bom pensar bem antes de investir em concursos, apostilas e cursos.

Futebol - Todos os Santos

O Homem do PAC

Vestindo a camisa

Que tal, se no futebol os contratos de trabalho e remuneração fossem feitos por produtividade? 

Frescurites & Cia


O ser humano às vezes me deixa maluca. É que é muita frescura pra minha cabeça.

Desde tomar um simples copo de água até escolher uma roupa, as ranhetices das pessoas lotam qualquer paciência.

Tem gente que quando vem em casa pede um copo de água e eu sempre caio na besteira de perguntar se é gelada ou sem gelo.

Minha tia quer misturada, mas a de baixo tem que ser a sem gelo e a de cima a gelada, senão não se misturam bem.

Minha outra tia não gosta da nossa água, porque é do filtro e ela só usa água engarrafada ou desses filtros chiques, tipo Europa.

Minha outra tia implica com os tipos de roupas: se a saia não estiver um palmo acima dos joelhos, para ela é feia, por mais bonita que seja.

Meu pai não come lasanha, mas come presunto e queijo e macarrão separado. Come croquetes de carne, mas não come almôndegas nem hamburger, porque odeia carne moída (justamente o recheio dos croquetes de carne).

Minha sobrinha odeia café, mas gosta muito de balas de café.

Minha irmã abomina peixe, mas é vidrada em cozinha japonesa.

Meu pai é do contra. Espera pra saber o que a gente vai querer fazer pra dizer que não quer. Seja o que for.

Minha irmã prefere fazer o papel de advogado do diabo, então ela conversa comigo, vê a minha opinião e decide defender a idéia contrária, sempre.

É difícil conviver com as pessoas. Melhor não procurar lógica em ninguém. Deve ser por isso que as áreas que estudam as contradições não são as EXATAS e sim as HUMANAS. 

Vai ver que pra ser humano é preciso ser complexo e contraditório. Talvez sim. Talvez não.

Ela só quer ajudar...

Tem uma senhora que canta na igreja aqui do bairro.
Ela é super carola, não perde uma missa da tarde e está ali há anos para ajudar o padre.
Ela é a dona do microfone. Mas sua voz... 
Ela canta as músicas todas, toda tarde, em toda missa.
E o pior de tudo é que ela está presente em todas as missas de sétimo dia, justo aquelas onde as pessoas acabam tendo o primeiro contato com a igreja.
Aquela senhora canta muuito mal. Dizem que a gente não deve implicar com a afinação dos outros quando se trata de música santa. Mas ela enche a minha paciência.
Quando a vejo, trato logo de ir embora. Pois das duas uma: ou eu fico nervosa, ou dou risada.
Mas é risada de nervoso também. Porque acho absurdo que ninguém tenha a coragem de dar um toque pra ela.
Se quer cantar, precisa aprender. Se canta mal, pode - no máximo - fazer parte de um coral, e olhe lá.
Mas animar TODAS as missas da tarde, TODOS os dias do ano, há ANOS...
Aí tem que ter se tocar, né?
Ela é um caso perdido em questão de afinação. Se até hoje não aprendeu, não aprende mais.
Porque treinar ela treina. Todo SANTO dia.

Dignidade

Ronaldo Brahmeiro


Eu ia escrever sobre a propaganda do Ronaldo, mas encontrei um texto ótimo... esse é o país onde o maior atleta é garoto-propaganda da droga mais viciante e perigosa, onde o médico não mede a pressão do paciente, sendo que as doenças cardiovasculares são as que mais matam... onde a companhia de trânsito infringe as leis de trânsito a todo o tempo, e onde a polícia não corre atrás do bandido quando a gente chama.


Da FOLHA DE SÃO PAULO

Por JOSÉ ROBERTO TORERO

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Comparar as heroicas voltas de Ronaldo ao futebol com o suor da cerveja é chamar o espectador de estúpido

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BEBERRAZ leitor, alcoofilista leitora, vocês viram o comercial do Ronaldo? O comercial da Brahma? Para quem não viu, faço um resumo: ele aparece driblando vários obstáculos, faz um trocadilho entre o suor dele e o suor da cerveja e acaba dizendo, com um copo na mão, que é um “brahmeiro”.

Como assim? Um atleta importante fazendo comercial de cerveja? Ou pior, um atleta ainda gordo, em recuperação, fazendo comercial de cerveja? Não entendi. E não entendi porque me parece uma propaganda ruim para os dois.

Para a cerveja, porque eu, vendo o comercial, penso: “Poxa, cerveja engorda pra caramba!”. Para o jogador, porque mostra que ele não é um atleta sério. É um cara que bebe mesmo ainda estando longe da sua melhor forma.

A Brahma e Ronaldo já estiveram juntos em outros comerciais. É uma parceria antiga, desde que ele tinha 17 anos. Mas ela já foi mais sutil e inteligente. Lembro que houve uma propaganda chamada “Guerreiro” em que apenas aparecia o rosto do jogador e havia um bom texto ao fundo. Outra trazia Ronaldo como um toureiro, driblando um touro várias vezes até que o vencia e abria a garrafa nos chifres do animal.

Mas este novo comercial está bem abaixo dos anteriores. Agora há uma ligação direta entre futebol e álcool. E obviamente os dois não combinam. A campanha ainda teve o azar de vir logo depois do anúncio de aposentadoria (talvez compulsória) de Adriano, que tem seu nome associado a problemas com bebidas. E jogador fazer propaganda explícita de cerveja, não dá. Passa da conta.

A legislação permite que as propagandas de bebidas abaixo de 13 graus GL (Gay-Lussac) sejam exibidas em qualquer horário. Por isso é que vemos comerciais de cervejas e dessas vodkas ice a toda hora. Porém, em maio de 2007, Lula assinou um decreto que classificou como alcoólica toda bebida com mais de 0,5 grau GL. Só que, inexplicavelmente, esse decreto não restringiu a propaganda de cerveja.

Voltando ao comercial, que foi criado pela agência África, no texto o atacante afirma que tem orgulho de “cair e se levantar”. O redator não devia estar sóbrio quando o escreveu. É uma frase muito infeliz. Uma piada pronta. Tanto que, na mesma hora, o amigo com quem eu via o jogo comentou: “Cair e se levantar não é grande coisa. Qualquer bêbado consegue isso”. E comparar o esforço heroico de Ronaldo para voltar três vezes ao futebol com o suor da cerveja é chamar o espectador de estúpido. É fazer troça da fantástica recuperação do jogador, que deveria falar “Eu sou artilheiro” e não “Eu sou brahmeiro”.

A publicidade brasileira, que já foi das melhores do mundo, vem piorando nos últimos anos. Mas, agora, se superou. Acho que, pelo menos, para desencargo de consciência, esta nova propaganda deveria vir com um daqueles avisos no final, algo do tipo: “O Ministério da Saúde adverte: Cerveja dá barriga e faz você confundir mulher com similares”.

Feliz Páscoa

Sábado de Aleluia

Levemente maluca

Minha tia era louca. Mas não nasceu assim. Teve uma depressão pós-parto e começou a se afastar do mundo, até não falar mais coisa com coisa. Morreu há alguns anos, quase idosa,
sem nunca ter sarado.
Ela falava que quem tomava muito café ficava preto e conversava mil vezes o mesmo assunto. Perguntava alguma coisa pras pessoas e quando elas respondiam, ela comentava a resposta e em seguida fazia a mesma pergunta de novo. E de novo. Aí, quando a gente começava a rir, ela ria também. Quando ela me ligava eu ficava um bom tempo no telefone, até que chegava uma hora em que ela mesma percebia que já era hora de desligar. Eu ficava com pena dela, mas ao mesmo tempo ela me encantava, pois estava sempre de bom humor. Às vezes alguma coisa a deixava injuriada, como por exemplo quando alguém brigava com alguma de suas filhas. Ela gritava, falava alto e depois de um tempo voltava a ficar contente.
Ela xingava os vizinhos. Ficava na varanda de casa e mexia com quem passava na rua. Tinha gente que ficava p. da vida com ela, porque há pessoas que são mais loucas que os próprios loucos e são capazes de se ofender com eles.
Quando minha tia morreu, todo mundo ficou pensando no porquê dela ter tido uma vida tão difícil, e ao mesmo tão fácil, porque depois que ficou doente, nunca mais teve que se preocupar com contas e com as mesquinharias da vida. E eu fiquei pensando se mais louca era ela ou somos nós, que nos enredamos em mil intrigas e picuinhas, a troco de conquistar o respeito dos outros durante certo tempo, porque se for ver, todo mundo fala mal de todo mundo.
Se um é rico e não tem tempo de olhar a mãe, é acusado de coração duro. Se o outro tem bastante tempo mas não pode ajudar com dinheiro, é chamado de vagabundo. Mas o vagabundo e o sem tempo se completam na hora de ajudar alguém. Um cuida (o vagabundo) e o outro banca (o rico). Se disser pro rico dar uma de vagabundo ele vai achar que dá muito trabalho. E se disser pro vagabundo dar uma de rico, ele não se sentirá capaz.
Acho que no fundo Deus faz tudo certo. Enquanto uns servem para prover, outros servem para cuidar. Enquanto uns vêem a parte prática, outros são mais delicados, trazendo uma visão de sensibilidade. Nem dureza nem fragilidade são boas em excesso, então o negócio é valorizar o que cada um pode dar e procurar distribuir as tarefas da melhor forma para todos.
Estava pensando que às vezes é bom ser maluco. Não maluco, louco de pedra. Mas meio doidinho assim, desses que fazem a vida ficar mais leve.
Ontem passou uma italiana de 98 anos, sobrevivente do terremoto, que esperou 42 horas pelo resgate fazendo tricô. E avisou que estava muito triste por ser entrevistada descabelada. Deliciosamente maluca, fez com que todos sorrissem, mesmo naquele panorama de imensa tragédia.
Aqui está o video com ela, e não é difícil entender a razão dela estar viva até essa idade:

Escolhas

Morar em São Paulo deixa a sensação de que estamos sempre fazendo uma besteira. Eu explico: Há sempre muitos caminhos para se chegar ao mesmo lugar. Uns mais curtos, outros mais longos. Nem sempre o mais curto é a melhor escolha, porque pode estar congestionado. Sendo assim, vale mais o trajeto mais longo, porém mais livre. Só que nunca se sabe onde o congestionamento está. Geralmente está por toda parte, então, melhor escolher o mais curto. Mas enquanto estamos nele, ficamos pensando se o outro não seria mais rápido, o que é impossível de adivinhar. Também haveria a possibilidade de ir de ônibus, já que os corredores são livres. Ou de metrô, mais rápido ainda. Só que ambos são igualmente lotados, o que pode tornar a escolha a pior opção. Embora o transporte público seja mais econômico, até ele passar demora muito mais, então o barato pode sair caro. Sem falar no transtorno que é andar a pé até o destino. E chegar desalinhado ao encontro, pode ser a pior viagem.
Mas não só nas escolhas dos caminhos o paulistano se aflige. Aquela fila do mercado que nunca anda, é justamente a que a gente escolheu. O mesmo vale para a faixa de trânsito. E o que dizer de não conseguir encontrar alguém que preste numa cidade com tanta gente? São Paulo me dá a sensação de ter feito coisa errada, sempre. Porque eu perdi o show do artista e veio gente do Brasil todo só pra vê-lo. Porque tem tanta gente ganhando tanto dinheiro, mas eu não. O curso que eu fiz não foi naquele lugar tão bom.... com tantos aqui! Mas será que era esse curso mesmo que eu queria? Porque aqui tem tantos! Na hora de comprar um xampu fico nervosa, de tantos tipos. Na hora de pagar fica sempre aquele incômodo... seria esse mesmo o ideal para o meu tipo de cabelo? É tanta gente, tantos produtos, tantas opções... mas será que justamente por isso a gente tem mais desculpa por errar tanto? Ou é mais burro quando erra, porque não soube escolher direito? Dúvidas...

Sete de Abril

Vou aproveitar o final do dia para fazer uma homenagem para a rua Sete de Abril, no Centro de Sampa, aproveitando a data de mesmo nome. Essa rua é uma rua ótima, que liga a Pça da República ao metrô Anhangabaú.
Nela está a primeira empresa onde trabalhei.
Ela é sinistra, as pessoas andam pelas ruas e os carros passam de vez em quando.
A gente anda por ela procurando um número e como os prédios são encardidos e ficaram mais ou menos da mesma cor, quando vemos já passamos pelo endereço que estávamos procurando.
Conta com duas galerias de eletrônicos e outras bugigangas, além de interligar a Pça Dom José Gaspar à Barão de Itapetininga, rua famosa pelos artistas de rua, pela gritaria de evangélicos e por abrigar durante muitos anos o famoso Mappin.
A Sete de Abril é aquele tipo de rua pela qual milhares de pessoas passam, mas por estarem tão preocupadas em encontrar um teco de calçada para andar, acabam nem prestando atenção no nome dela.
É boa para cortar caminho. É boa porque não tem subida. Nem calçada. O melhor da Sete de Abril é que ela não é muito longa. Nem tão curta que não se possa chamar de rua.
O pedaço que eu mais gosto é o acesso que dá à praça. Dizem que nessa praça haverá um grande estacionamento. Se for mesmo verdade, vai ficar mais difícil ainda de andar na Sete de Abril.

Grande Vencedor

Nada melhor do que coroar um grande babaca como vencedor de uma grande porcaria como foi o BBB9. Só se salvou mesmo o show do Zezé e do Luciano. Imagine como foi o resto...

Você passa por mim e não olha

- Onde fica essa rua?
- Eu não sei.
- Mas você não é daqui?
- Sou sim, moro aqui há muitos anos.
- Então, como não conhece essa rua? Me disseram que é por aqui.
- Esse nome não me é estranho, mas pra eu te dizer ao certo onde fica... não sei. É que a cidade é grande, o tempo é curto, e eu vivo viciado no mesmo caminho. É como no computador, onde navego sem conhecer os nomes dos menus e dos atalhos, simplesmente vou clicando aqui e ali e ali... Quando vou ver, cheguei ao destino, mas te dizer ao certo como fiz, eu não sei.
- É preciso conhecer a cidade onde mora, ao menos as ruas mais próximas!
- Eu sei disso, você tem razão! Mas é que o paulista conhece a Paulista, as Marginais, a 23, a Radial, as saídas pras estradas... Conhece as ruas principais, a rua onde mora, e a dos parentes, somente de cabeça. Ou a gente guarda o caminho de carro, o caminho do ônibus. Ou só o número. Quem não tem carro conhece melhor a cidade, porque os ônibus dão tantas voltas... Mas pra ensinar o caminho bem certinho, isso é impossível de fazer. Porque os nomes das ruas não ficam guardados, e o que a gente trilha a pé, muitas vezes é contramão. Nossas ruas conhecemos pelo barulho, pelas árvores. Nossa referência é a praça, o supermercado, aquele prédio de tijolinho... Quando aparece um lugar novo pra ir, geralmente consultamos o guia. E mesmo assim ainda se perde! É... o paulistano consulta o guia mesmo morando aqui a vida toda. E podemos viver duzentos anos, que nunca vamos conhecer nossa cidade. E nem é possível, porque todo dia tem uma rua nova, uma empresa nova. Tem horas que aparecem uns corredores de ônibus, umas zonas azuis. Morar aqui é viver num lugar que ninguém conhece. Nem a gente. E se for ver, ninguém se conhece. Também... conhecer gente numa cidade com tanta gente, é a coisa mais fácil que tem. Mas não conhecer assim, de conhecer de verdade. É um conhecer somente de vista, uma conversa animada, que muitas vezes acaba até sem despedida. Porque passa o ônibus, chega o amigo. Porque quando um vai embora o outro está ocupado, ou nem se lembra mais. Então, pra que preciso decorar o nome da rua? Se nessa cidade a gente se conhece de vista, se esbarra tão rápido, se encontra e se perde. Pra que decorar os nomes? Se o caminho muda o tempo todo, que dirá os nomes? Eu não conheço essa cidade, nem ela me conhece. Porque é tanta gente diferente, mas ao mesmo tempo tão igual. Mais ou menos como essas ruas, desconhecidas, pelas quais passamos todos os dias.

Site legal de humor

Tem umas coisas engraçadas nesse endereço: http://humornainformatica.blogspot.com/
:)
Obrigada, Nsa Sra

Aos Amigos

Essa página fez seis meses.
Nunca gostei de blogs, nem de diários.
Aliás, mesmo meus cadernos de escola eram um enigma até pra mim.
Frequentemente eu não anotava nada nas aulas, e para estudar para as provas acabava tendo que xerocar os cadernos dos meus amigos CDFs.

Escrever era coisa para aliviar quando estava triste.
Escrevia mais pra falar coisas que não tinha coragem de falar e, escrevendo, ficava mais aliviada.
Geralmente eram textos bem melodramáticos, aquelas coisas bem apaixonadas, misturadas com a dor do desprezo. Escrevia sempre movida por muita angústia.

Até que um dia decidi não escrever mais nada, afinal, cultivar aquele sofrimento todo era horrível! Aquela papelada guardada cheia de "barriga-me-dói" devia me trazer até azar.
Joguei tudo fora! E me senti bem melhor.

Passei muito tempo sem escrever nada, tanto tempo que comecei a ter muitas dúvidas de português. Fiquei incapaz de escrever até mesmo uma simples redação.

Aí ingressei numa nova fase. Passei a escrever coisas alegres, engraçadas, a me divertir com os textos, tirando sarro das desgraças. A começar pelas minhas próprias, que não foram poucas.

Quando montei essa página, foi por indicação de um colega que me disse para disponibilizar meus textos na internet para nosso grupo se organizar direitinho.

Então montei apenas para guardar os textos, como se fosse aquela pasta amarela que um dia joguei fora com as minhas lamúrias de adolescente. Mas, para a minha surpresa, recebi milhares de acessos. Até eu mesma me surpreendi.

Então os amigos começaram a gostar, e eu comecei a ficar com medo! Porque nos textos sempre tem muito da vida particular da gente, muitas visões dos amigos, da família, e nem sempre são das melhores!!!

Aí comecei a tomar bastante cuidado com isso, até mesmo a me censurar! E pensei em montar uma outra página onde eu pudesse escrever sem me identificar, para ter mais liberdade de falar sobre qualquer assunto.

Mas aquela história de escrever quando estava triste não mudou muito. Os textos é que mudaram.
Tem horas em que estou triste e escrevo coisas alegres, mas, no fundo, as historinhas não deixam de ser um pedido de socorro.

Então comecei a pensar até que ponto esse hábito não colabora para que a gente fique cada vez mais sozinho! Nada mais solitário do que escrever. Quem está triste e conversa com os amigos acaba trocando idéias, se distraindo, rindo, falando bobagens. Mas quem desenvolve o hábito da escrita, nada mais faz do que falar o tempo todo sozinho.

E vai construindo uma imagem em torno de si que nem sempre é verdadeira. Algumas pessoas até mudaram o tratamento comigo. Uns ficaram mais simpáticos, outros, mais distantes. E eu entendo o por quê.

Sou uma pessoa tranquila - até demais. Mas a internet constrói uma imagem totalmente diferente daquilo que somos na realidade. O que escrevo aqui é mais ou menos uma fotografia do que qualquer pessoa pensa. A diferença é a escrita.

Mas, como milhões de coisas passam na cabeça de todo mundo ao mesmo tempo, quando alguém organiza meia dúzia de idéias e transforma num texto, dá a sensação de que aquela pessoa é diferente de todo mundo. Mas isso é errado.

Os textos são como os pensamentos, os julgamentos: Aparecem na cabeça da gente agora, mas daqui a pouco nem lembramos mais daquilo. E quando lembramos, muitas vezes já estamos achando outra coisa, e outra e outra...

Falar sozinho é meio perigoso, ainda mais quando se fala alto, como aqui. E a sensação que dá é que tudo o que se escreve é verdade, é baseado na vida real do escritor, e isso não é verdade.

No texto sobre São Paulo 450 anos, por exemplo, escrevi uma realidade que nunca teve nada a ver com a minha. E as crônicas são assim mesmo, a gente acaba maquiando aqui e ali para ficar interessante, inventa para ficar mais engraçado e é aí que mora o perigo.
Quem lê vai idealizando mil coisas sobre a gente e quando vamos ver, ganhamos amigos virtuais, mas perdemos amigos "reais" e isso é muito ruim.

Mas estou dando um tempo no blog não somente por causa disso. Escrever poesias para mim é apenas uma brincadeira de juntar palavras. Não me considero "poeta" nem "intelectual" como dizem meus amigos. Não sou nada disso. Sou simples - até demais. Acho os intelectuais chatos e arrogantes. Deus me livre de ser um deles! E Deus me livre também de ser uma dessas mulheres executivas, cheia de manias de dar ordens e de se achar grande coisa.

*A internet até tem o "dicionário das rimas", o cantor Latino se utiliza muito dele. ;)

O que eu gosto mesmo é das coisas simples, das crianças, da família. E a internet rouba um tempo incrível da convivência com a família.

Nesse final de semana minha tia adoeceu gravemente, e isso veio ao encontro da vontade que sinto de voltar a ser eu mesma, de voltar a conviver mais com as pessoas. Vontade de aproveitar o tempo com as pessoas importantes, e parar de correr atrás daquilo que eu não tenho.

Na verdade, quando escrevo bastante geralmente estou movida pelo desejo de dizer algo para alguém que não tem disponibilidade de ouvir. E fico tentando, e esperando, esperando... Enquanto isso, perco tempo de convivência com aquelas pessoas que estão mais perto. E a gente nunca sabe até quando estarão.

Aproveito para agradecer aos amigos queridos que me encheram de elogios depois de lerem as coisas que escrevo, o que é uma honra, já que esse mundo conta com infinitas informações! Esses milhares de acessos ao blog me deixaram super envaidecida!

Já há muito tempo minha convivência com os amigos tem sido mais virtual do que real.

Com o orkut, o blog, o MSN, até mesmo meus amigos reais acabaram se tornando "amigos virtuais". E isso é horrível. Porque no orkut estamos sorrindo o tempo todo, no MSN a gente é mais um boneco verde e no blog eu sou a pessoa mais crítica do mundo. E nada disso é verdade.

(Apesar que hoje é Dia da Mentira, o que pode trazer dúvidas quanto à credibilidade daquilo que escrevi. Mas eu juro que é verdade.)