Mostrando postagens com marcador Cachorros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cachorros. Mostrar todas as postagens

Poesia boa pra Cachorro


Au au au
Mas que vizinho cara-de-pau!

Enquanto o cachorro está latindo
O vizinho queria estar dormindo

Cachorro latindo nervoso
Deixa o vizinho furioso

Como descansar
Se o cachorro não para de berrar?

Quando o barulho vem do cachorro
Só ao dono podemos pedir socorro

De latido em latido
O vizinho fica mordido

Se o cachorro fosse bonzinho
Seria amigo do vizinho

Cachorro quietinho
É cada dia mais queridinho

O muro não separa
O barulho que o cão dispara

O dono saiu
O cachorro latiu

Seja maravilhoso
Mantenha o cão silencioso

Se o cão late à toa
O ladrão entra numa boa

O fim de semana é pra curtir
Mas o cachorro não me deixa dormir!

A roda melecada
Sujou minha calçada

O urinaço
Enferruja a porta de aço

O saco de cocô
Faz o maior fedor

O saco plástico,
Pra entupir bueiro
É fantástico

Cachorro que late demais
Não deixa o vizinho em paz

Meu cachorro é de raça
É limpinho por onde passa

Meu cachorro é educado
Deixa o vizinho sossegado

Seu cachorro é ladrão
Rouba o meu sossego de montão

O barulho da cachorrada
Deixa a vizinhança enfezada

Quando o cachorro dispara a latir
Me dá vontade de sumir!

Não que eu seja agressivo
É o latido que mexe comigo

Vamos colaborar
O vizinho precisa descansar

Quando o cachorro latir
O dono precisa agir

Tenha um cachorro educado
Mantenha o latido controlado

Seu cachorro só late lá no fundo
Mas na outra rua sentem incômodo profundo

Seu cachorro só late no portão
Mas o vizinho da frente escuta de montão

Meu desejo intenso
É manter a rua em silêncio

E livrai-nos de todo au-au, amém!


Educação Ambiental



A importância de ser bonito

Se o cachorro do vizinho não fosse tão bonitinho, alguém já teria acabado com a raça dele.
Mas ele é tão bonitinho...

A culpa é do vizinho

Minha vizinhança é do barulho.
O menino do lado esquerdo, bate bola na parede até a hora que a mãe dá bronca e ele começa a chorar de se esgoelar. Berra, berra, berra.

Os outros vizinhos em volta combinaram de botar a cachorrada pra latir em horários alternados - assim ninguém fica mais do que dez minutos sem ouvir barulho de cachorro.
Esse expediente é digno da magnitude de São Paulo, ou seja, ininterrupto, 24 horas por dia.

Os cachorros latem pra brincar, para quem passa, para os estranhos, uns pros outros.
Latem porque o dono chegou, porque o dono viajou, porque não conhecem a gente ou porque alguém está soltando rojões.
O fato é que latem a valer.
Tem uma fábrica aqui na frente que tem dois cachorros, tipo o gordo e o magro.
Um é mudo e o outro late bem alto, de uma maneira desesperada, durante horas e horas a fio.
Isso já tem algum tempo, então, graças a Deus ele já está ficando rouco.
Seus horários preferidos são sábados, domingos e feriados, quando a galera da fábrica não está dando expediente.
O fato é que ele late num horário onde os donos não estão, então quando vamos reclamar parecemos chatos, porque afinal de contas, eles não escutam nada, uai.

E não por falta de barulho de carros, brecadas, campainha e motocas desreguladas nas mãos de adolescentes pentelhos, os vizinhos do outro lado curtem um dominó e um truco, daqueles bem desafiadores:
- TRUUUUUUUCOOOOOOOO!!!!!!!

O dominó é de bater as peças e embaralhar beeeeeem embaralhado, e claro, a tarde toda, porque jogo bom dura até o churrasco acabar (pro churrasco têm chaminé - graças!).
Ao final do dominó, rola um vídeokê básico, daqueles bem sertanejos.
No Natal compraram uma motoca movida a gasolina dessas que roncam e outro cachorro, desses pequenininhos (de madame), que latem fininho e ardido.

O barulho da cidade é um problema e tanto.
As pessoas não têm bom senso, abusam da paciência e transformam o que era pra ser dia de descanso de todos, em dia de lazer apenas deles.

O dinheiro não compra a educação, tanto que o bairro onde moro sempre foi modesto, mas as ruas eram limpas e as pessoas não incomodavam as outras. Tinham respeito.

Agora que os "vips" chegaram por aqui, as ruas estão muito mais sujas.
Nos parques não dá nem pra sonhar em sentar na grama, de tanto xixi e cocô.
Tem um monte de macumba na praça, porque botaram na cabeça que ela fica numa encruzilhada e é o lugar ideal para os despachos.
Entre a enorme quantidade de lixo, tem pinga, velas, frango, caveira, balas e outras oferendas de arrepiar.

Não sei o que seria de São Paulo não fossem os puxadores de carroça, catadores de lixo reciclável. Inteligentes, procuram por sustento em bairros abastados sabendo que, por uma estranha coincidência, lá encontrarão (em grande quantidade), a falta de educação espalhada pelo chão.

Escola de Cachorros



Ninguém poderia imaginar. Encrenca entre vizinhos, todo mundo já conhece. Implicância de homem para homem também. Mas agora existe um novo duelo ocorrendo na cidade: a guerra dos cães.

Essa mania de ter cachorro pegou. Está espalhada por aí. Não sabemos se há mais peludos ou crianças. Com eles vieram as alegrias que só o melhor amigo do homem pode proporcionar, mas também os problemas.

O cachorro do vizinho latir a noite inteira incomoda à quase todos. Só não incomoda a quem? Ao dono. E vai falar pra ele que o bichano faz barulho. O quê?

Já há algum tempo em que se falou sobre operação de cordas vocais dos amados pets. Também não, né? Mas enquanto não conseguimos dormir, pensamos em coisas ainda mais radicais.

Os felizes proprietários (não todos, é claro) saem alegremente para os passeios diários, já que a maioria dos cachorrinhos mora em apartamentos e precisa se exercitar. Desfilam pelas ruas segurando, geralmente, apenas a coleira. Dão uma paradinha aqui, outra ali... e vão carimbando.

Eles fazem para todo lado. E tome sujeira. Entradas de estabelecimentos em que o cliente já chega de sapato engraxado, residências, jardins, praças, rodas de carros, postes - tudo. Até consultórios. Andar pela rua virou maratona com barreiras e é muito chato ter que limpar o sapato sujo de cocô. Mas os donos falam assim: "imagina... ele só come ração...". Cocô é cocô. E ponto.

Existem os donos semi-limpos ou semi-sujos, como preferirem. Carregam saquinhos para recolher a obra mas depositam-na no primeiro canteirinho florido que encontram. Outros pedestres do mesmo estilo, limpam os pés sujos nas soleiras das portas. Imagine se alguém escorregar ao pisar "naquilo"? De quem será a responsabilidade? De quem não limpou a calçada, do dono, do cachorro, da Prefeitura ou do sapato?

Quem não limpa a porta de casa, não sabe como é. Todos os dias encontramos de tudo: panfletos, folhas, embalagens, "cuspis", e, claro, as marcas territoriais caninas e suas lembrancinhas. Não devemos lavar a calçada - tudo bem, precisamos economizar água, concordamos plenamente. Mas o que fazer com tanta pasta grudada, com tanto fedor?

Por aí a guerra já está travada. Não é só entre quem tem cão e quem não tem. Essa já era de se esperar. Existe guerra de dono pra dono. E não é preciso muito motivo: basta um encontro furtivo durante um passeio em que os cachorros se estranham e pronto! Lá estão quatro inimigos, entre humanos e caninos. Outro dia vi uma briga na rua em que uma mulher gritava: "com você eu não vou fazer nada, mas cê vai ver com seu cachorro..." Ih... isso dá B.O.!

A vizinha aqui de cima fica escondida atrás da janela para pegar os porcalhões e dar um susto neles. É para dar o bote naquela mulher do prédio que nem penteia o cabelo antes de sair de casa, de tão apressada em passear com o amiguinho. Essa é federal! Não perdoa um cantinho. E ainda olha feio pra todo mundo. Gosto mesmo quando ela carrega o fofinho no colo porque quando ele vai pelo chão... barbaridade! Faz xixi pra todo lado. Intrigante como tem tanto líquido naquela bexiguinha! E tome parede manchada.

Essa que se esconde, jurou: assim que conseguir, entrará escondida no prédio, subirá pelo elevador até a porta do apartamento daquela descabelada e fará suas necessidades ali mesmo, só por vingança.

Quer saber qual é o point mais agitado aqui do pedaço? O supermercado Laicão. É, a quantidade de empregos que a indústria pet gerou é um show. Ninguém pode negar. E vem crescendo cada vez mais.

As notícias trazem novidades de cair o queixo, como plano de saúde para animais, padaria temática, spa com clínica psicológica, tratamentos holísticos e outros luxos mais. Claro, quem se dispõe a ter um a ter um bichinho precisa mesmo cuidar bem dele. Jamais abandoná-lo na rua, como muitos fazem ao vê-los doentes.

Mas tem coisas que parecem demais: camas de grife, ofurô, jóias. Perfume Oh my dog! Oh my God! Tudo bem. A gente ama tanto esses bichos que fica doidão! Numa dessas videocassetadas vi um cachorro fumando. Nem me espantei. Daqui a pouco virão atender a gente de gravata. Mas é preciso ter bom senso.

Teve uma festa de aniversário super comentada que fez rir e chorar. Casamento de véu e grinalda. Tem agência, terapeuta, cirurgia plástica e tudo mais. Bem, quase todos os produtos e serviços disponíveis aos humanos já estão disponíveis também a eles. Outro dia, nos EUA, uma dentista foi processada por extrair indevidamente um dente de uma cadela. É... eles têm advogado também...

Nada contra. Usem e abusem! Mas fica aqui o apelo: já que os investimentos são certos, que tal reservar parte do montante à educação? Adestrar ou simplesmente ensinar o cãozinho quais são seus limites. Os donos que ainda não estiverem preparados para ensinar, precisarão aprender. Coisas básicas como respeito e noções de higiene. A campanha de educação precisa ganhar força em todos os níveis.

Aqui bem perto, devido à quantidade enorme de habitantes de quatro patas, já existe uma campanha intitulada "Calçada Limpa" onde o slogan é: "calçada não é privada, é pública". Que bênção! Já tem sucesso, mas precisa de mais.

O bom senso impera em alguns lugares, não podemos generalizar. Certos donos não apenas recolhem as fezes de seus animais como forram o local onde acontecerá o despejamento. E nessa hora enviamos energias positivas a ambos, tantas, que nenhum banho de pétalas poderia gerar. A eles, nossos vivas! E que façam escola.

Quem sabe?


Quem sabe mais ônibus enquanto esperamos a demorada obra do metrô?

Quem sabe planejamento familiar enquanto aumentamos o número de creches?

Quem sabe menos filhos ao invés de apartamentos populares de três dormitórios?

Quem sabe fiscalização nas áreas públicas, ao invés de urbanização de favelas?

Quem sabe recolher indigentes das ruas, ao invés de buscar quem atirou neles?

Quem sabe podar as árvores, ao invés de pagar o tratamento dos atingidos?

Quem sabe mais assentos nos ônibus, ao invés de corredores?

Quem sabe a cultura da simplicidade, ao invés dos financiamentos de produtos inúteis?

Quem sabe multar os que despejam lixo na rua, ao invés de cobrar pra recolher o lixo?

Quem sabe prédios mais baixos, ao invés de avenidas mais largas?

Somos nós que elegemos o Prefeito. Mas somos nós que construímos nossa cidade.
Não é só votar e esperar.
Tem que recolher as fezes dos cães, varrer a rua, cuidar da cidade.
Ser cidadão não é só votar. Não é o Kassab quem entope os bueiros.
Nem é ele quem despeja lixo nos rios.
Manter, é o mínimo. E reclamar é o máximo.