Mas continuo achando que rimas cabem bem em histórias.
Histórias contadas sem casamento verbal são histórias mancas. Sem graça.
Por mais interessante que seja uma história, ela não deve ser longa. Nem falar coisas óbvias com riqueza de detalhes. Nem deixar tudo tão no ar que não faça sentido algum. Uma história boa tem o tamanho certo. Tem o sentido que encanta e também pode divertir. Uma história boa deve necessariamente fazer sentido a quem conta. Mas não um sentido qualquer ou óbvio. Deve fazer 'todo o sentido'.
Isso não significa dizer que quem conta deve 'sentir' a história. Ela pode ser decorada, ou encenada, mas o que não pode faltar é o tom certo. Se o contador sentir é um ponto a mais. Mas a entonação é necessariamente o grande tchans da parada.
Também a postura do contador de histórias diz muito a quem ouve. O silencio fala mais que um monte de explicaçõezinhas bobas, do tipo trelele. Não importa que o contador de histórias não tenha experiência. O que importa é que ele conte algo tão longo quanto sua capacidade de interpretação. Se é iniciante, que aprenda a declamar um verso curto. Não adianta ficar dez minutos sofrendo, se enrolando e contando algo que o escutador já sabe onde vai dar.
Também histórias do tipo "lá, naquela vila", "nasceu um baobá", também já estão muito desgastadas... As de suspense são o must. As de humor não podem ser debochadas. As de amor não podem ser chorosas, e sim maduras. Mas não uma maturidade com desencanto. Uma maturidade de descoberta de novos encantos, em algo aparentemente desencantador.
E falando nisso, essa brincadeira com palavras dá ânsia. Jogar com os opostos, com os sons repetitivos. Tudo muito óbvio. "O gato no mato" parece óbvio, mas não é. O gato no mato é uma rima pobre, mas com riqueza de sentido. E não é um duplo sentido. Se fosse duplo sentido seria obsceno.
Fazer da contação de histórias uma peça de teatro até que é interessante, mas geralmente o contador usa o descompromisso de ser um contador e perde o clima da encenação. Aí começa a falar bobagens no meio, a se perder, a fazer cem vozes para os mesmos personagens... Enfim...
É preciso escolher uma linha e por ela seguir. É preciso saber segurar uma intercorrência e voltar de onde parou, numa boa. Entreter o ouvinte. E fazer com que o próprio ouvinte saiba onde você estava. Histórias boas não podem ter infantilidade explicativa, nem excesso de rimas, que desconcentram. Devem ter perguntas no meio, mas não perguntas que podem ser respondidas de maneira errada. O ideal é fazer perguntas que não possam ser respondidas. Porque perguntar: Quem estava lá? Era o leão? dardiiiiiiiiiiiiiiiiii~~~.......................... O contador de histórias que escolher um acessório deve segurá-lo muito bem. Misturar conversa de criança com conversa adulta e querer fazer com que ambos os públicos entendam é um desafio imenso. Geralmente os adultos vão achar bobo e as crianças só vão lembrar de uma ou duas brincadeiras ali do meio.
Quando eu assistia o Bambalalão nunca entendia o final da história, que entrava por uma porta e saía por outra que eu não sabia onde era. Talvez por isso eu tenha tanto interesse em ouvir pessoas contando histórias. Acredito que a falta de nexo já se dava naquele tempo, ou as histórias eram muito maduras para mim, ou eu já era muito crítica para a minha idade. Mas não recordo de conseguir tecer críticas, me recordo de não entender absolutamente nada todos os dias. Ficava esperando o dia seguinte e o outro e o outro... Eu achava a Gigi uma mulher do outro mundo, mas talvez fosse porque ela falava uma língua que eu não entendia.
Passados tantos anos, com milhares de histórias e formas de expressão, acredito que o único desafio ainda vigente seja fazer qualquer coisa bem feita. Hoje, fazer mil coisas é pros idiotas. E fazer direito para os evoluídos.
"A Dilma fez isso"??!!
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"O prefeito Ricardo Nunes só colocou mil reais no orçamento do ano que vem
para Segurança Alimentar"! Eu li isso nas redes da Erika Hilton e na Folha
de ...
Há 4 semanas




